Doação de terreno acaba em discussão

Por Flávio Magalhães

Um projeto de lei (PL) de iniciativa do prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) que autoriza a doação de uma área de 6 mil metros quadrados à empresa ADS Disjuntores esteve no centro de uma polêmica na última segunda-feira, 16. Isso porque o vereador Tiago Costa (PMDB) acusa o Poder Executivo de realizar uma “manobra” para que o projeto possa ser aprovado.

O projeto em questão estava tramitando na Comissão de Justiça e Redação, sob a relatoria de Tiago Costa. O vereador relatou que começou a sofrer pressão para que emitisse rapidamente o parecer, mesmo sem algumas informações solicitadas por ele. A pressão, segundo o parlamentar, vinha diretamente de seu colega de Legislativo, Samuel Cavalcante (PR).

Para Tiago, Samuel tem interesse particular na aprovação do projeto, pois é amigo de um dos sócios da empresa ADS. “Isso é uma afronta ao Poder Legislativo, esta Casa de Leis não é balcão de negócios”, criticou. Diante da situação, o vereador do PMDB emitiu parecer desfavorável à doação de terreno.

O parecer, contudo, não chegou a ir para votação no plenário. Isso porque o PL foi retirado pela Prefeitura. Nesta semana, porém, o mesmo projeto foi reencaminhado à Câmara Municipal pelo prefeito Carlos Nelson, o que foi interpretado por Tiago como uma “manobra”. Agora, o PL volta à Comissão de Justiça e Redação para um novo parecer.

O vereador da oposição acredita que o projeto foi retirado e reencaminhado apenas para que seu parecer desfavorável fosse descartado e um novo fosse produzido pelos outros membros da Comissão, que são os parlamentares Gerson Rossi (PPS) e Luiz Roberto “Chupeta” (PSDB), ambos do bloco da situação. A justificativa seria porque o mesmo sócio da ADS teria amizade com o grupo político de Carlos Nelson. “Estão tentando empurrar isso goela desta Casa de Leis e da Comissão de Justiça e Redação”, apontou.

Samuel Cavalcante respondeu Tiago, na tribuna da Câmara. Alegou que a ADS é a maior importadora de disjuntores do Estado de São Paulo, por isso precisa da doação para expandir suas atividades. Disse ainda que a empresa encontra dificuldades para manobrar seus caminhões no barracão onde está situada atualmente, na Avenida 22 de Outubro.

Sobre a amizade com o sócio da ADS, o vereador do PR diz que mantém amizade com todos os empresários do Distrito Industrial mogimiriano. “Inclusive, o Ricardo Brandão, do seu partido [o PMDB], é meu amigo”, disse a Tiago. Samuel declarou ainda que o colega de Câmara é como uma carroça vazia. “Faz muito barulho, mas não produz nada!”, criticou. “Quando o cara não consegue ganhar visibilidade no trabalho, diz um monte de besteiras”, continuou.

Tiago Costa ainda teve uma réplica. E subiu o tom ao falar sobre o passado de Samuel. “Carroça vazia foi quando o senhor participou do Governo Gustavo Stupp. Agora está com a carroça cheia! O senhor não passa de um hipócrita!”, declarou. Samuel não respondeu a essas últimas críticas.

Os demais vereadores viram com preocupação essa situação. “Aqui se falou em interesses escusos. Acho muito grave isso”, apontou Maria Helena Scudeler (PSB). “Quero saber o motivo dessa agressividade”, disse ao vereador Tiago. “Estou muito aborrecida, porque não é dessa forma, não é assim”, completou. Magalhães da Potencial (PSD) também opinou. “Temos que deixar a questão partidária de lado, não podemos ser levianos”, afirmou.


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