Exercícios exigem acompanhamento profissional

Por Flávio Magalhães

A morte de um rapaz de 32 anos no último mês de agosto enquanto praticava exercícios físicos em uma academia de Mogi Mirim causou espanto não só entre seus familiares e amigos. Os que souberam do acontecido também ficaram surpresos, principalmente pelo fato do jovem ser aparentemente saudável, praticante de exercícios há alguns anos.

Embora nesse caso, em específico, a prática do crossfit (programa intenso de treinamento e condicionamento físico) tenha sido descartada como fator determinante para a morte do rapaz, fatos como esse trazem à tona entre a população os riscos da prática de exercícios sem orientação profissional. Infartos e mortes súbitas em academias foram registrados neste ano em cidades da região, como Limeira e Piracicaba.

“Toda vez que se for iniciar a prática de exercícios físicos, é necessária uma avaliação cardiológica, para traçar o perfil do paciente”, alerta o cardiologista Fábio da Cunha Balbão, especialista em Cardiologia no Esporte. Esse perfil é baseado em características genéticas, hábitos de vida (como o fumo), peso e idade. “A partir disso é definido o tipo de avaliação. Às vezes um eletrocardiograma é suficiente, mas em outros casos é preciso um exame mais detalhado”, explicou para a reportagem de A COMARCA.

Balbão lembra que exames são necessários para não exigir demais do coração

Balbão fala com propriedade, já que possui experiência de 15 anos no ramo. Trabalhando atualmente no hospital Sancta Maggiore, na capital paulista, e atendendo em seu escritório particular em Mogi Mirim, acumula passagens no Beneficência Portuguesa e no Sírio Libanês. Integrou, nesse período, a equipe que tratou o ex-vice-presidente da República José de Alencar, morto em 2011. Por isso é categórico ao afirmar que exercícios físicos sem orientação podem “melhorar uma coisa, mas prejudicar outras”.

O cardiologista lembra que cada pessoa tem sua peculiaridade. “Não existe receita de bolo”, definiu. Avaliando-se a pressão arterial e testando esforço físico de cada paciente, é possível traçar com maior precisão quais exercícios são recomendáveis e em que frequência, justamente para não exigir demais do coração. “Além disso, um profissional da Educação Física deve ser consultado, esse é o segredo da boa e eficaz atividade física”, destacou.

A professora e personal trainer Eloína Lemos, da Cia Athetica de Campinas, afirma que a falta de orientação pode ocasionar problemas posturais, dores articulares, tendinites, lombalgias e outros riscos. “No caso de uma pessoa sedentária ou um iniciante em práticas esportivas que ultrapassa os limites, o risco de acontecer um infarto ou morte súbita é considerado”, ressalta a mogimiriana, formada em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).

Eloína alerta que sedentários que passam dos limites podem sofrer infarto ou morte súbita

Cabe ao profissional de Educação Física, segundo Eloína, avaliar e prescrever um treino individualizado de acordo com o nível de condicionamento de cada um, considerando suas limitações e restrições e, com o passar do tempo e evolução, fazer as alterações necessárias para o desenvolvimento. No caso do crossfit, o cuidado é redobrado. “O indivíduo precisa estar previamente fortalecido, pois são exercícios com movimentos explosivos, além do cuidado com a parte cardiovascular”, explicou.

Mas não são por esses motivos que a prática de exercícios deve ser desencorajada. Pelo contrário. “Através de exercícios, o indivíduo melhorar sua função cardiovascular e respiratória, fortalece os ossos e músculos, diminui o risco de desenvolver doenças do coração, pressão alta, osteoporose, diabetes e obesidade, ajuda a diminuir e controlar o peso, alivia o estresse e a ansiedade, fortalece o sistema imunológico, traz bem-estar e tantos outros benefícios”, lista a professora de Educação Física.

Balbão reforça: “quanto mais atividade física, maior a longevidade”. E Eloína aconselha: “Não deixe de iniciar o quanto antes a prática de exercícios físicos regularmente, sempre com orientação!”.

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