Fé, emoção e conquista nos Sertões

Flávio Magalhães

Considerado o maior rally do Brasil, com sete etapas e mais de três mil quilômetros de percurso, o Rally dos Sertões teve como palco em sua 25ª edição um percurso entre as cidades de Goiânia (GO) e Bonito (MS). E o mogimiriano Rodrigo Faiad voltou de lá neste ano com grandes histórias para contar.

Pessoas de diversos lugares do Brasil participam anualmente do Rally dos Sertões. Neste ano, foram 248 veículos inscritos entre motos, quadriciclos, UTVs (Veículo Utilitário de Multitarefas, em tradução livre) e carros. E o trajeto exige bastante dos competidores. “No primeiro dia foram 650 quilômetros de prova, ficamos 12 horas competindo desde a largada do deslocamento até o final”, conta Faiad. Essa distância percorrida é equivalente a uma viagem entre Mogi Mirim e Joinville (SC).

No primeiro dia, UTV percorreu cerca de 650 quilômetros em 12 horas

Além disso, o mogimiriano tinha uma desvantagem. “Iniciamos a competição com o UTV mais fraco da prova, um carro com 85 cavalos de potência, e em nossa categoria os outros competidores estavam com UTVs acima de 110 cavalos e alguns turbinados”, contou. Por isso mesmo, cada etapa concluída era comemorada. “Era uma alegria terminar o trecho do dia sem quebra, sem acidente e sem penalizações durante o trecho cronometrado”, completou.

Faiad e seu navegador, Antonio Carlos Facchina, o Toncá, passaram ilesos também nos segundo e terceiro dias de prova, na etapa maratona, em que não há ajuda mecânica. Chegaram a ficar em terceiro lugar na categoria, que tinha nove UTVs. “Nos demais dias fomos administrando a vantagem de tempo e poupando o carro para que pudéssemos chegar em Bonito (MS) entre os cinco primeiros”, relembrou o mogimiriano.

No entanto, a maior emoção estava reservada para o último dia de prova. “Ao sair de um abastecimento, faltando 138 quilômetros para o final da prova, vi o volante ficou duro e jogava o UTV para o lado. Paramos logo há uns 200 metros para frente e ali perdemos mais de 20 minutos”, disse. Apesar da terem verificado diversos itens, Faiad e Toncá não encontraram nada. “Aí eu falei: vamos levar este carro até a chegada, nem que tiver que ir arrastando”.

Após uma hora nessas condições, o volante ficou livre novamente e o veículo voltou a responder rapidamente. “Não estávamos entendendo nada, mas aproveitamos e fomos seguindo”, destacou Faiad. Contudo, passando por um riacho, o UTV falhou novamente. “Aí o desespero voltou”, ressaltou o motorista. “Fé, tivemos muita fé e o UTV saiu dos 20 km/h e voltou a andar perto do 60 km/h. Se acelerasse, ele afogava e se tirasse o pé ele voltava a quase parar”, relatou.

Toncá e Faiad comemoram desempenho da equipe no Rally dos Sertões

Foi assim até o final e durante longos quilômetros. “Chegamos em Bonito (MS) e era só festa, passamos pela rampa satisfeitos e com o dever cumprido”, declarou Faiad. Só então foi descoberto o problema pelo qual o UTV passou. A bandeja dianteira inferior do veículo havia quebrado. Quando o carro voltou a responder por alguns momentos era porque, inexplicavelmente, as ferragens haviam se encaixado novamente.

O saldo foi positivo. A equipe ficou em quinto lugar na categoria e em 22º na classificação geral, com 38 competidores. “O mais importante são os agradecimentos a todas as pessoas que de certa forma contribuíram para este Rally dos Sertões, tanto os fornecedores de serviços como amigos e família”, complementou Faiad. “Em especial gostaria de agradecer minha esposa e filhos que me apoiam muito e estão sempre ao meu lado. Ao navegador Toncá e a toda equipe de apoio: Rafael Marangoni, Ricardo, Val e ao mecânico Tuco, pois sem este grande mecânico o carro não estaria pronto, capacitado para a segunda maior prova do planeta”, ressaltou.

Para 2018, o mogimiriano ainda não tem planos para o Rally dos Sertões. “Tenho alguns projetos pessoais e profissionais que devem ser executados e não consigo fazer tudo com verba própria, mas quem sabe não vem um patrocínio?”, disse. “Se não for como piloto, posso ir como navegar e ou como chefe de equipe, as duas opções já tenho experiência no Sertões e não será difícil, pois temos uma estrutura completa”, complementou.

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