Morre Dom Geraldo Verdier, aos 80 anos

Flávio Magalhães

Padre diocesano muito ativo na comunidade mogimiriana durante aos anos 1960 e 1970, Dom Geraldo Verdier faleceu nas primeiras horas de domingo, 22, após sofrer um AVC hemorrágico no último dia 17 e ficar internado vários dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em um hospital particular de Porto Velho, capital de Rondônia.

Dom Geraldo tinha 80 anos e recentemente foi diagnosticado com Alzheimer. Ele era bispo emérito de Guajará-Mirim (RO). Prestou relevantes obras sociais e espirituais, sendo considerado uma grande figura da Igreja Católica e referência dos fieis no município. Mas era querido também em Mogi Mirim, onde viveu por mais de uma década.

Ordenado padre em 1963 na França, onde nasceu, Geraldo Verdier veio ao Seminário Nossa Senhora de Fátima, em Mogi Mirim, antes de embarcar para o estado de Rondônia, em ação missionária. No entanto, diagnosticado com uma doença respiratória crônica, foi desaconselhado pelos médicos a ir para Guajará-Mirim, sob o risco de agravar seriamente suas condições de saúde.

Permaneceu, então, em Mogi Mirim, onde ainda muito jovem recebeu a incumbência de administrar o Seminário local. Foi assim por 10 anos. Logo se tornou amigo próximo de diversas famílias, como as do casal Maristela Mazon Albejante e Paulo Albejante. Só deixou a cidade ao perceber que, durante suas viagens de férias a Rondônia, sua saúde permanecia a mesma. Optou por se mudar definitivamente em 1975. Lá, atuou por vários anos no atendimento à população ribeirinha e indígena do Vale do Guaporé, Rio Mamoré e Pakaas Novos.

“Ele era uma pessoa muito culta, muito inteligente”, lembra Paulo. “E tinha grande preocupação com os pobres”, completa Maristela. “Conhecê-lo foi o maior presente de nossas vidas”, disse ainda. Geraldo Verdier foi figura determinante para que o casal participasse das missões católicas em Guajará-Mirim por 11 anos.

Outro casal que conheceu de perto o sacerdote foi Eida Herrera Benavent e Jean François Benavent. Ele francês, ela brasileira. Conheceram-se nas missões em Guarajá-Mirim. “Para mim, Dom Geraldo foi um irmão mais velho, alguém que se pode contar até embaixo d’água”, relatou Jean. “Fazia questão de visitar os doentes e os presidiários”, contou Eida, ressaltando a humildade e simplicidade do bispo.

Quando Frei Paulo Eduardo Melo terminou sua faculdade de Biologia, viveu uma experiência missionária com Dom Geraldo Verdier no barco-hospital da Igreja Católica em Guarajá-Mirim. “Ele me recebeu com muita paciência e me ensinou a amar”, destacou. “Era uma excelente pessoa”.

O sepultamento do bispo ocorreu na manhã de terça-feira, 24, após missa de corpo presente na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em Rondônia.

Dom Geraldo Verdier com o Papa Francisco

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top