‘O mundo está esquecido de Deus’, diz Monsenhor Paiva

Flávio Magalhães

Repercutiu em Mogi Mirim durante a última semana uma ação de vandalismo contra uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes localizada na Santa Casa de Misericórdia. E essa não foi a primeira vez que imagens ou templos católicos sofreram com a ação de vândalos ou até mesmo de criminosos.

No alto de suas seis décadas de vida sacerdotal, Monsenhor Clodoaldo de Paiva já viu casos semelhantes por essas terras. Lembrou da vez em que a imagem do padroeiro de Mogi Mirim, São José, foi quebrada dentro da Igreja Matriz por um fanático religioso. “Mas isso foi há muitos anos”, ponderou.

Procurado por A COMARCA para comentar as recentes ocorrências que tiveram como vítimas a capela e, na semana passada, a imagem de Nossa Senhora de Lourdes localizadas na Santa Casa local, Monsenhor Paiva afirmou que tem uma “opinião suave” sobre esses acontecimentos. “Vejo como casos isolados. Pode ser um desequilibrado, um drogado ou um fanático religioso, ainda não sabemos”, pontuou.

Mesmo cogitando a hipótese de que o ato de vandalismo tenha sido praticado por motivações religiosas, o vigário emérito da Igreja de Santa Cruz prefere não fazer julgamentos. “O ato de um indivíduo não significa o erro de toda uma religião”, ponderou Paiva.

“Eu olho para esses casos com muito carinho, não me abalo. Nossa religião já passou por tantas perseguições que o que acontece hoje é fichinha”, disse, em referência aos séculos de apedrejamentos e mortes de adeptos do Cristianismo no Império Romano. “Naquele tempo faziam tochas de cristãos vivos!”, afirmou Monsenhor Paiva.

Por outro lado, o sacerdote admitiu que os tempos atuais são de menos religiosidade. Os números apontam na mesma direção. No começo deste ano, em Mogi Mirim, três igrejas foram arrombadas e furtadas no período de um mês. Duas delas, no mesmo dia.

A Igreja de São Benedito teve dois cofres destinados ao dízimo destruídos, sendo subtraídos consequentemente cerca de R$ 100. A invasão de deu numa madrugada de março, pela porta lateral do templo, localizada na Rua Maestro Azevedo, região central.

Situada no Parque das Laranjeiras, zona Leste, a Igreja de Santo Expedito também sofreu com ações criminosas. A sacristia foi invadida, bem como outros cômodos. Foram furtados diversos litros de óleo, dois chuveiros elétricos, uma sanduicheira e dois espremedores de frutas.

Alguns dias antes, a Paróquia Senhor Bom Jesus, no Mirante, teve os vidros dos fundos quebrados, registrando o furto de aproximadamente R$ 800. Os ladrões também danificaram o Sacrário, pequeno cofre onde são guardados objetos considerados sagrados.

Monsenhor Paiva resume não só essas ações, mas o que vem ocorrendo em Mogi Mirim e no Brasil afora atualmente em uma frase. “O mundo está esquecido de Deus”. Para o religioso, as famílias precisam se voltar à religião como antigamente. “A religiosidade caiu muito, infelizmente”, lamentou.



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