Em crise, Santa Casa pede ajuda à população

Mesmo com o plano emergencial lançado em abril e um empréstimo de R$ 13 milhões obtido em julho para recuperar a entidade, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim ainda convive com sérios problemas financeiros. Para tentar amenizar o cenário, a irmandade está recorrendo à população, procurando sensibilizá-la da necessidade de ajudar a Santa Casa através de uma contribuição mensal na conta de água.

A contribuição em questão é prevista na Lei 3.470/2001. Em vigor desde maio de 2001, a legislação autoriza o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos) a receber, facultativamente, doações da comunidade destinadas à Santa Casa de Mogi Mirim, por meio da Campanha ‘Doe Uma Gota D’água’. “É para essa campanha que eu, humildemente, peço a colaboração do ilustre munícipe. A Santa Casa de Mogi Mirim precisa muito da colaboração do seu povo”, frisou o provedor Milton Bonatti.

Para aderir à campanha, o cidadão precisa apenas preencher o “Termo de Doação”, indicando o valor da contribuição, e entregar no Saae ou na Santa Casa. Bonatti informou que a medida é necessária, já que, apesar dos esforços que vem sendo realizados desde abril, quando assumiu a provedoria, a Santa Casa ainda enfrenta dificuldades, pois a recuperação tende a ser longa.

Para equacionar a dívida de R$ 37 milhões do hospital, números que Bonatti apurou quando se tornou provedor, a diretoria teve que enxugar a folha de pagamento. Cerca de 17% dos funcionários, de um total de 540, foram demitidos. As dispensas reduziram em 30% os gastos com a folha de pagamento. Porém, era preciso quitar débitos com fornecedores e de empréstimos bancários.

Para isso, a Santa Casa obteve um julho, junto a Caixa Econômica Federal, uma linha de crédito de cerca de R$ 13 milhões, com 10 anos para quitação, que seria destinada para a quitação de parte dos débitos, permitindo que a Santa Casa ganhasse novo fôlego para retomar as atividades. “O empréstimo aliviou por uns meses, serviu para pagar dívidas e pôr o hospital para funcionar, pois estava parando. Mas, já acabou. É muita dívida do passado”, comentou.

Dos R$ 13 milhões, cerca de R$ 5,8 milhões foram usados para liquidação de empréstimos bancários; R$ 2,4 milhões foram destinados ao pagamento de fornecedores; e R$ 2,3 milhões com gastos com pessoal, como salários, férias e rescisões. O restante foi usado com impostos, serviços médicos, verbas rescisórias e devoluções. Por conta do cenário atual, há rescisões que ainda estão em atraso.

“Muitas torneiras foram fechadas desde abril, foram anos de déficit sendo cobertos com dinheiro emprestado. É preciso inverter, fazer redução de custos e ainda, aumentar receitas. Só que a receita caiu”, lamentou o provedor. Uma das formas de melhorar a receita seria uma reaproximação da Santa Casa com a Unimed.

O objetivo era de que a cooperativa de médicos da Baixa Mogiana intensificasse suas ações no hospital, investindo na melhoria dos serviços e proporcionando melhores resultados para a Santa Casa, que vinha perdendo receita de atendimento de convênios e particulares. “Mas, a Unimed não voltou. Nem sei se volta”, lamentou.

Por essa razão, Bonatti foi enfático. “A população precisa ajudar. Só temos praticamente receita SUS. E todos sabemos que o SUS dá prejuízo. Os credores terão de ter paciência”, apontou.

Uma das esperanças do provedor é a lei 13.479 de 5 de setembro de 2017, que criou o Programa de Financiamento Preferencial às Instituições Filantrópicas e Sem Fins Lucrativos (Pró-Santas Casas) para atender instituições filantrópicas e sem fins lucrativos que participam de forma complementar do Sistema Único de Saúde. Na prática, as instituições poderão obter crédito a juro baixo e longo prazo para quitação.


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