Ex-ministro debate a reforma da Previdência no Fórum Social

O ex-ministro da Previdência Social nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Carlos Eduardo Gabas, esteve ontem em Mogi Mirim, participando do Fórum Social de Mogi Mirim e Região. Na pauta, um debate sobre as mudanças que o governo federal pretende implementar na Previdência Social. Ao lado de outros convidados, abordou o tema “Mexeu com o aposentado mexeu com todos”.

A presença de Gabas em Mogi Mirim faz parte de um processo iniciado pelo ex-presidente Lula no ano passado que visa debater a reforma da Previdência em todo o país. “Estou rodando o país há 10 meses, debatendo a reforma em audiências públicos, fóruns, encontros, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais”, disse Gabas em entrevista para A COMARCA. O ex-ministro visitou as dependências do jornal antes de ir para o Sindicato dos Professores (Apeoesp), onde acontece o Fórum Social.

Gabas tem uma experiência de mais de 30 anos em Previdência Social. Ele é servidor de carreira do segmento, tendo ingresso no serviço público em 1985. Foi dirigente sindical até 2002. No ano seguinte, foi nomeado para a Superintendência do INSS no primeiro mandado do governo Lula. Ele 2005, assumiu a Secretaria Executiva do Ministério da Previdência Social. Uma espécie de vice-ministro.

Em junho de 2008, exerceu o cargo de ministro interino da pasta por uma semana. Até que em março de 2010, assumiu definitivamente o mnistério, ficando até 1º de janeiro de 2011. Retornou para a secretária executiva. Voltou a ser ministro da Previdência no governo Dilma de janeiro a outubro de 2015, quando foi nomeado ministro da Aviação Civil. Ficou até o impeachment da presidente.

Com o envio da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 287/2016, que trata da reforma da Previdência no Brasil, enviada pelo presidente Michel Temer ao Congresso Nacional, Gabas atendeu ao chamado de Lula. Sua missão era explicar e debater a Previdência pelo país. Ele defende a reforma, mas, não a proposta do governo federal.

“Não existe essa situação de quebradeira da Previdência como o governo afirma. Até 2015, a Previdência tinha superávit. Para 2017, não mudou a conjuntura estrutural. O problema é conjuntural, por conta do aumento do desemprego”, apontou.

Nesse sentido, defende uma revisão na fonte de financiamento. “Temos que migrar a base. Hoje, é sobre a folha de pagamento. O ideal seria sobre o faturamento e lucros”, atentou. “Entendo que o modelo solidário de repartir é adequado, já que protege quem mais precisa. Mas, como garantir essa solidariedade”, observou.

Por essa razão, os debates que tem provocado em todo o país precisa ser ampliado. “O assunto precisa ser debatido com a sociedade. É preciso encontrar uma maneira para que a Previdência tenha um equiíbrio”, ressaltou o ex-ministro. “Temos que pressionar os parlamentares a buscar novas alternativas. A maioria da sociedade é contra a proposta do governo”, concluiu.

Ex-ministro Gabas ao lado do jornalista Flávio Magalhães

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