Milton Bonatti será provedor da Santa Casa até 2020

Flávio Magalhães

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim aprovou, em assembleia geral extraordinária na noite da última quarta-feira, 20, a composição da Mesa Diretora da entidade, que exercerá mandato entre 2018 e 2020. Vindo de um mandato tampão desde abril deste ano, o atual provedor Milton Bonatti continuará no cargo pelos próximos três anos.

A principal mudança na Mesa Diretora foi na função de tesoureiro. Vicente Sinisgalli abriu mão do cargo em setembro por motivos particulares e Rogério Élcio Manera assumiu o lugar. Além disso, Jonas Alves de Araújo Filho, o Joninhas, foi indicado como primeiro suplente.

“Agora será o meu mandato oficial”, comentou Bonatti em conversa com a reportagem de A COMARCA. O provedor revelou que se dedicará a buscar recursos para o hospital. “Minha função é trazer receita para a Santa Casa. É isso o que o provedor faz: provê”, complementou.

A grande expectativa de Milton Bonatti está na adesão ao Programa de Financiamento Específico para Santas Casas e Hospitais Sem Fins Lucrativos que atendem ao SUS (Pró-Santas Casas), criado recentemente pelo Governo Federal. Serão duas linhas de crédito operadas por bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal.

Para agilizar o trâmite, o provedor tem mantido contato com o deputado estadual Barros Munhoz (PSDB). “Com isso a perspectiva é acertar a Santa Casa”, garantiu. Atualmente, o hospital paga R$ 300 mil ao mês apenas de juros e ainda não pagou o 13º salário dos funcionários, o que deve ocorrer quando a adesão ao Pró-Santas Casas for concretizada.

“Nossos funcionários estão compreendendo a situação, estamos juntos com o sindicato da categoria”, ressaltou Bonatti, que ainda prevê uma centena de demissões até janeiro, sendo grande parte delas em virtude do fechamento da Unidade de Atendimento Não Agendado (Uana), em 31 de dezembro.

Por outro lado, a transferência do serviço de Pronto Atendimento para a UPA da zona Leste abrirá espaço para que a Santa Casa dobre as quase 200 vagas que mantém hoje no setor de hemodiálise, uma referência na região e um dos serviços que traz resultados financeiros positivos para o hospital.

“Fazendo uma gestão austera dá para recuperar”, avaliou o provedor, que contratou dois administradores hospitalares, formados na área, para gerir o hospital de forma profissional. Função essa que, aliás, deve ser vitalícia na Santa Casa. “Vamos mudar o estatuto para que nenhum aventureiro no futuro queira administrar por ele mesmo”, apontou Bonatti.

Com os cortes de funcionários e manutenção apenas dos serviços superavitários, e com o Pró-Santas Casas, principalmente, Milton Bonatti vê uma luz no fim do túnel do hospital. “O povo precisa da Santa Casa e a Santa Casa não vai fechar”, frisou.


CAMPANHA
Mesmo com o plano emergencial lançado em abril e um empréstimo de R$ 13 milhões obtido em julho para recuperar a entidade, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim ainda convive com sérios problemas financeiros. Para tentar amenizar o cenário, a irmandade está recorrendo à população, procurando sensibilizá-la da necessidade de ajudar a Santa Casa através de uma contribuição mensal na conta de água.

A contribuição em questão é prevista na Lei 3.470/2001. A legislação autoriza o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos) a receber, facultativamente, doações da comunidade destinadas à Santa Casa de Mogi Mirim, por meio da Campanha ‘Doe Uma Gota D’água’. Para aderir à campanha, o cidadão precisa apenas preencher o “Termo de Doação”, indicando o valor da contribuição, e entregar no Saae ou na Santa Casa.

Para quitar débitos com fornecedores e de empréstimos bancários, a Santa Casa obteve um julho, junto a Caixa Econômica Federal, uma linha de crédito de cerca de R$ 13 milhões, com 10 anos para quitação, que seria destinada para a quitação de parte dos débitos, permitindo novo fôlego para retomar as atividades.

Dos R$ 13 milhões, cerca de R$ 5,8 milhões foram usados para liquidação de empréstimos bancários; R$ 2,4 milhões foram destinados ao pagamento de fornecedores; e R$ 2,3 milhões com gastos com pessoal, como salários, férias e rescisões. O restante foi usado com impostos, serviços médicos, verbas rescisórias e devoluções. Por conta do cenário atual, há rescisões que ainda estão em atraso.

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