Sede do PT de Mogi Mirim é vandalizada

Flávio Magalhães

A sede do Partido dos Trabalhadores (PT) de Mogi Mirim e a residência do presidente do diretório municipal petista, Ernani Gragnanello, foram pichadas no último dia 26 com xingamentos dirigidos ao partido e ao ex-presidente Lula e com símbolos nazifascistas.

As inscrições “Lula vagabundo” e “noia” foram apagadas já no dia seguinte do muro da residência da família de Ernani. Na sede do partido, na Rua dos Expedicionários, permaneceram por alguns dias as pichações como “Fora PT”, “vagabundo” e a suástica, símbolo que remete ao nazifascismo, doutrina totalitária e extremista de Adolf Hitler e Benito Mussolini.

O ato de vandalismo ocorreu dois dias depois da confirmação da condenação do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre no caso do tríplex no Guarujá. Para lideranças petistas, não foi por acaso. “Nossa preocupação é que tenha ocorrido um aumento da violência política”, declarou para A COMARCA o ex-deputado estadual Renato Simões, membro do Diretório Nacional do PT que veio a Mogi Mirim acompanhar o caso.

Simões acredita que há um crescimento da intolerância política e um acirramento de ideias e discussões desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, resultando em ações contra alguns partidos e lideranças da Esquerda. “Acabamos de enterrar um dirigente nosso na Bahia, vítima de uma emboscada”, lembrou, citando casos de vandalismo em cidades como Jundiaí, Florianópolis e São Paulo.

Dois boletins de ocorrência foram registrados por Ernani na Polícia Civil local. Uma comitiva do PT também foi ao Ministério Público e se reuniu com o promotor Rogério Filócomo Júnior. Os petistas estão levando o caso ao conhecimento da Assembleia Legislativa e do Congresso Nacional, além de outras autoridades policiais.

Após o ataque, Ernani afirmou que manterá sua participação na política. “Confesso que, apesar de ter ficado abalado, estou encontrando oxigênio para continuar, independente de cargo público, a minha missão enquanto cidadão, militante e advogado das causas sociais”, frisou. “Sou um político que não aceita discriminações e que é contra tudo o que representa a assinatura deixada na pichação por aqueles que a realizaram: uma suástica, mal-acabada, diga-se a verdade”.

(Foto: Flávio Magalhães / A COMARCA)

Gleisi Hoffmann presta solidariedade a Ernani e cobra Alckmin para identificar vândalos

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, emitiu uma nota em apoio e solidariedade ao presidente municipal do partido, Ernani Gragnanello, após as pichações sofridas na sede do partido e na residência do petista, na semana passada. Ela classificou os atos como “ataques fascistas”.

“A grotesca pichação de símbolos nazistas e frases difamatórias contra Lula e o PT constituem crime a ser apurado pelas autoridades competentes do Estado de São Paulo”, afirmou a senadora. “Acionaremos nossas bancadas paulistas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa para que cobrem do Governador Geraldo Alckmin, de seu Secretário de Segurança Pública e do Procurador Geral de Justiça imediatas providências para a identificação dos autores desse atentado e sua responsabilização perante a Justiça”.

A presidente do PT avaliou que o país vive uma situação de “violência política e ódio social” desde o impeachment de Dilma Rousseff. “Não podemos tolerar que truculência e arbítrio substituam a política e o diálogo como instrumentos de construção do bem comum e da Justiça”, defendeu. “Ao PT de Mogi Mirim e ao companheiro Ernani e família, nosso desagravo e solidariedade. Justiça e respeito sejam assegurados a quem luta pela democracia, como vocês”, concluiu.

Além de crime contra o meio ambiente e contra o patrimônio, no qual foram enquadradas as pichações, fazer apologia do nazismo ou o uso da suástica para fins nazistas é crime, de acordo com a lei brasileira.

(Foto: Flávio Magalhães / A COMARCA)

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