Sem efetivo, Polícia Civil investiga apenas 20% dos BOs

Flávio Magalhães

Dados obtidos com exclusividade por A COMARCA apontam que quase 7 mil boletins de ocorrência foram registrados em Mogi Mirim no último ano. Destes, apenas 1,5 mil resultaram em inquéritos policiais, algo próximo de 20% do total. Entre os outros cinco mil que não são investigados, estão os arquivados e aqueles que dependem de representação da vítima, mas são uma minoria.

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Devido ao limitado quadro de funcionários da Polícia Civil, geralmente os casos mais graves como homicídio, estupro e assaltos feitos por quadrilhas armadas recebem prioridade na investigação. Os demais entram em uma longa fila que apenas cresce à medida em que uma nova onda de criminalidade atinge o município.

Cidades vizinhas tiveram prioridade para receber viaturas novas de grande porte

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), Raquel Kobashi Gallinati, criticou o que chamou de “desmonte” da Polícia Civil por parte do governador Geraldo Alckmin (PSDB). “O descaso, na realidade, é com o povo paulista”, afirmou, lembrando que 40% dos municípios do Estado não possuem delegado.

O defasômetro, ferramenta do Sindpesp que calcula o número de cargos vagos em todo o Estado, chegou a 12 mil na última quinta-feira, 01, quando foram computados os dados de janeiro deste ano. A carência por investigadores, por exemplo, chega a 2,7 mil cargos. “O governador tem que cumprir sua obrigação de investir em segurança pública, o estado mais rico do país não tem estrutura para a Polícia Civil”, cobrou Raquel.

A presidente do sindicato explica que a Polícia Civil é aquela responsável por solucionar os crimes e desmantelar as quadrilhas. ”A partir do momento em que se enfraquece quem tem a previsão constitucional de combater a criminalidade em seu cerne, se fortalece o crime organizado”, frisou Raquel. “Então, a quem interessa esse desmonte da Polícia Civil?”, questionou.

Para a reportagem de A COMARCA, a delegada enumerou os problemas que a categoria enfrenta em todo o Estado, como precária estrutura física, falta de viaturas e armamentos de péssima qualidade. “O policial civil é realmente um herói”, resumiu.
Mogi Mirim, a propósito, ficou de fora do último lote de novas viaturas de grande porte adquiridas pela Secretaria de Segurança Pública. Itapira e Mogi Guaçu receberam veículos, enquanto à delegacia local foi enviado um carro usado, de 2011, que pertencia a Polícia Civil guaçuana.

Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati


OUTRO LADO
A Secretaria de Segurança Pública, em nota, afirmou que existem convênios com as prefeituras de todo o Estado, onde servidores ocupam cargos administrativos auxiliando o trabalho policial dentro das delegacias, como é o caso de Mogi Mirim. Além disso, as unidades de Mogi Mirim contam com o apoio das equipes da DIG de Mogi Guaçu.

Afirmou ainda que a remoção dos presos de todos os municípios pertencentes à região da Seccional de Mogi Guaçu, fica a cargo da Delegacia Seccional do município e da Delegacia de Polícia de Itapira - onde está situada a Unidade de Detenção, Triagem e Encaminhamento -, razão pela qual as viaturas de grande porte foram disponibilizadas prioritariamente para as Unidades de Polícia Judiciária dos dois municípios. A decisão visa facilitar o traslado de remoção de presos às unidades da Secretaria de Administração Penitenciária.

Também ressalta que “desde 2011, foram contratados 378 policiais civis e 212 viaturas, com um investimento total de R$ 13,9 milhões, para o Deinter 2, região ao qual a cidade de Mogi Mirim faz parte. No ano passado, o trabalho das polícias resultou na queda de 13.1% dos furtos, além da prisão em flagrante de 318 pessoas e na recuperação de 177 veículos. No final de 2017 foram nomeados 1.240 novos policiais civis para todo o Estado e autorizada a abertura de 2.750 vagas para diversas carreiras da instituição”.

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