Amadorismo derruba o Mogi para a 4ª divisão

A Federação Paulista de Futebol suspendeu a partida entre Mogi Mirim x EC São Bernardo, que estava prevista para o último domingo, 11, às 10h, válida pela 16ª rodada da Série A3 do Campeonato Paulista. Isso porque o Sapo não solicitou alteração de local do jogo, como aconteceu das vezes anteriores, visto que o estádio Vail Chaves segue interditado.

Com o jogo suspenso e o Mogi tendo dado causa a essa situação, o clube foi declarado perdedor do confronto de domingo por WO. E sem pontuar, o Sapo está rebaixado automaticamente para o Campeonato Paulista da 2ª Divisão de 2019. Hoje, o Mogi soma sete pontos, 10 a menos que o Olímpia, 14º colocado e primeiro time fora da zona de rebaixamento. Depois da rodada do final de semana, restam apenas três para o término desta fase. Ou seja, serão apenas nove pontos em disputa.

O Vail Chaves está interditado pela FPF desde 31 de outubro do ano passado, devido a não renovação de laudos, como o de segurança. Quando os novos gestores assumiram o futebol profissional do Mogi, no final de dezembro, não houve tempo hábil para liberar o estádio. Por isso, Márcio Granada e Alessandro Botijão recorreram à Prefeitura de Itapira para que o estádio Coronel Francisco Vieira fosse cedido para uso do clube no A3 do estadual.

A princípio, o Sapo enfrentou Portuguesa Santista, Capivariano, Atibaia e São Carlos no estádio itapirense. Nesse período, Granada afirmou que trabalhava na tentativa de liberar o Vail Chaves. Mesmo assim, em novo acordo, o Mogi recebeu Manthiqueira, Barretos, Matonense e União Barbarense no Chico Vieira. Para a partida contra o EC São Bernardo, prevista para este domingo, havia a expectativa de um novo acordo com a Prefeitura de Itapira, já que o Vail Chaves seguia interditado.

Como as conversas não evoluíram nesse sentido, e a diretoria do Mogi não indicou nenhum outro local, dentro do prazo estabelecido pelo estatuto do torcedor – até 72 horas antes da partida – o jogo de domingo foi mantido para o estádio mogimiriano. No entanto, como o Vail Chaves está interditado, a partida foi suspensa. ‘Estádio Vail Chaves Interditado e não houve solicitação do Clube para a alteração de local’, é o que informa a FPF em seu site, para justificar a suspensão do confronto.

O regulamento geral de competições da FPF prevê a imposição da perda da partida pelo placar de 3 a 0 ao clube que der causa à sua não realização. Isso acontecendo, o Mogi Mirim deixa de pontuar, sacramentando de maneira vergonhosa, o seu rebaixamento. É o quinto descenso da ‘Era Luiz Henrique de Oliveira’.

Desde 2015, quando o presidente assumiu o clube, o Mogi caiu no estadual, da A1 para a A2, da A2 para a A3 e, agora, da A3 para a 2ª Divisão. No brasileiro, o clube acumula descensos na Série B de 2015 e na Série C do ano passado. O Mogi ainda disputa, neste ano, a Série D do Campeonato Brasileiro. A estreia será contra o Prudentópolis/PR, entre os dias 21 ou 22 de abril.

Porém, para participar, o clube precisa regularizar sua situação junto à CBF (Confederação Brasileira de Futebol). O Mogi está suspenso, por não ter honrado compromissos financeiros em 2017, como pagamento de taxas de arbitragem e multas.

Essa é a realidade de um dos mais tradicionais clubes do interior de São Paulo. Um clube que já viveu tempos de glórias, disputando grandes jogos contra as principais equipes de São Paulo, especialmente em 1992, com a equipe que ficou conhecida como Carrossel Caipira e contava com nomes como Rivaldo e Válber.

Além do Campeonato Paulista, o Carrossel Caipira disputou o Torneio João Havelange de 1993, que reunia equipes do Rio de Janeiro e São Paulo, e encantou o Brasil com grandes jogos, batendo o Corinthians na semifinal e perdendo a decisão para o Vasco, nos pênaltis, após uma vitória e uma derrota por 4 a 0.

O Mogi Mirim nunca mais teve o mesmo brilho, mas seguiu como uma das principais forças do interior de São Paulo, com presença constante nas Séries B e C do Campeonato Brasileiro e na elite do Paulista. No entanto, nos últimos anos vem sofrendo com a má administração e a falta de investimento.

(Foto: Marcelo Gotti/MMEC)


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