Etec preparada para o futuro

Flávio Magalhães

A Escola Técnica (Etec) “Pedro Ferreira Alves” está ajustando seu currículo para a implantação, a partir de 2019, dos novos cursos voltados para a Indústria 4.0 (a chamada Quarta Revolução Industrial, que começa a usar novos tipos de robôs). Será a primeira escola dentro do Centro Paula Souza (autarquia responsável por Etecs e Fatecs) e até do Brasil a oferecer um sistema de ensino voltado a essa tecnologia.

Enquanto isso, a Etec tem buscado parcerias para fortalecer sua estrutura. No ano passado, após uma visita de uma comitiva japonesa interessada no ensino sobre a Indústria 4.0, o diretor André Luiz dos Santos fez contato com os consulados asiáticos apresentando a escola mogimiriana. Obteve retorno dos próprios japoneses e teve a oportunidade de participar de uma reunião da Câmara de Comércio Brasil-China, com mais de 160 empresários.

Além disso, Santos foi um dos três selecionados pelo Centro Paula Souza dentre mais de 500 inscritos para um curso intensivo de um mês em terras japonesas, finalizado nesta semana. As aulas eram voltadas para o sistema de produção de peças automotivas, visando aperfeiçoar a linha produção brasileira, sendo uma parceria dos governos do Japão e do Brasil.

O contato frequente com os orientais está surtindo efeito. Duas multinacionais já se comprometeram a montar um laboratório de Indústria 4.0 dentro da Etec de Mogi Mirim, com o objetivo de formar mão de obra qualificada. Além disso, o próprio município pode obter dividendos com a parceria, já que outras duas empresas japonesas de autopeças garantiram que vão instalar unidades na cidade para aproveitar a mão de obra local.

“Hoje, o que está atraindo as empresas não é mais incentivo fiscal, mas sim a mão de obra qualificada”, explicou o diretor da Etec, exemplificando que há uma empresa da região avaliando seriamente investir mais de R$ 1 milhão para construir um laboratório descentralizado para a escola, pois não encontra empregados qualificados para contratar.

As conversas com indústrias locais também está fluindo. Há casos como o da Sabó, que ao adquirir novos equipamentos de agora em diante, doará um igual para a Etec, afim de que os estudantes estejam inteirados da tecnologia da empresa. Já a International Paper já fechou uma parceria com as escolas técnicas de Mogi Mirim e Mogi Guaçu para a contratação de jovens aprendizes.

Em breve, a Etec também espera inaugurar o seu próprio FabLab (laboratório de fabricação), um local onde os alunos podem desenvolver projetos para a comunidade externa fora do horário de aula. Novos equipamentos e computadores estão chegando por intermédio do vereador Cristiano Gaioto (PP) e do deputado Aldo Demarchi (DEM). Uma nova biblioteca será construída e o Centro Paula Souza garantiu R$ 500 mil para reformas na estrutura elétrica do prédio da escola.

Tanta expansão não cabe dentro dos muros da Etec. A direção já conversa com a Secretaria de Educação e com o prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) sobre a possibilidade de doação de parte do prédio da antiga Febem, ao lado da escola, que hoje alguns abriga setores da Prefeitura. Além disso, ao menos quatro salas descentralizadas da “Pedro Ferreira Alves” podem ser inauguradas nos municípios de Conchal, Engenheiro Coelho e Santo Antônio de Posse, para cursos de Administração e Recursos Humanos.

Veio da vizinha Posse, aliás, uma boa surpresa. Uma filial da empresa de tecnologia Laird que não chegou a abrir as portas na cidade doou todos os equipamentos para o laboratório de robótica da Etec, o que permitirá que os estudantes tenham experiências práticas na área. Outras novidades estão a caminho, afim de consolidar o caminho da escola mogimiriana rumo ao futuro.


O diretor André Luiz dos Santos no renovado laboratório de robótica

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