Santa Casa suspende homologações de demitidos

Flávio Magalhães

A suspensão das homologações de funcionários demitidos é o novo capítulo na crise financeira da Santa Casa de Misericórdia, que alega não ter dinheiro para honrar os compromissos trabalhistas após um “desacerto” com o sindicato da categoria. Com a ação do hospital, alguns ex-colaboradores foram à sede da instituição na manhã da última quarta-feira, 28, cobrar explicações.

A reportagem de A COMARCA também esteve no local. Na ocasião, havia um pequeno grupo de ex-funcionárias acompanhadas do vereador Geraldo Bertanha, o Gebê (SD). O parlamentar, juntamente com a imprensa, tentou falar com a responsável pelo setor financeiro da Santa Casa, mas foi informado que ela não estava no momento, mesmo ela sendo avistada entrando no prédio administrativo do hospital minutos antes.

Logo depois, funcionários do hospital afirmaram aos ex-colaboradores que receberiam o vereador e um representante sindical para uma reunião, mas sem a presença da imprensa. Gebê se recusou a participar da reunião sem um jornalista e deixou o local. Posteriormente, no mesmo dia, alguns ex-funcionários conseguiram se reunir com representantes da Santa Casa.

Na quinta-feira, 1, a reportagem de A COMARCA foi recebida pelo administrador hospitalar Clodoaldo Reginaldo dos Santos, pelo diretor clínico Daniel Duarte da Conceição Miranda e pelo provedor Milton Braz Bonatti. Eles atribuíram a atual crise da Santa Casa a erros administrativos do passado, cometidos pela falta de profissionalização do hospital.

A administração do hospital afirmou que, por enquanto, não há uma nova data para as homologações trabalhistas suspensas nesta semana e que as conversas com o sindicato serão retomadas. Os ex-funcionários reclamam que, sem a homologação, não podem movimentar o FGTS ou o seguro-desemprego. Além disso, afirmam que não estão recebendo as verbas rescisórias que foram parceladas.

A Santa Casa admitiu que as verbas rescisórias, atualmente, não estão em dia com os funcionários demitidos no ano passado. Além disso, está em negociação com os profissionais dispensados após o fechamento da Unidade de Atendimento Não Agendado (Uana) e abertura da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na zona Leste.

Ex-funcionários foram cobrar explicações na porta do hospital

NOME SUJO
Uma situação relatada por ex-funcionários à reportagem de A COMARCA diz respeito aos empréstimos consignados realizados junto à Caixa Econômica Federal. Eles relatam que tiveram as parcelas do empréstimo descontadas em sua folha de pagamento, mas que o hospital não repassou o dinheiro ao banco. Os ex-colaboradores que se encaixam nessa situação estão com o nome sujo na praça.

O vereador Gebê classificou essa manobra como apropriação indébita, um crime previsto no artigo 168 do Código Penal Brasileiro. A Santa Casa também admitiu o fato, mas como uma “estratégia administrativa” da antiga direção do hospital. Afirmou, porém, que em dezembro do ano passado, quando Clodoaldo dos Santos assumiu a coordenação administrativo-financeira da instituição, essa atitude foi suspensa. Informou ainda que a situação só não foi reparada até o momento porque o hospital não tem fluxo de caixa para isso.

CORTES
O hospital explicou que o número de demissões até janeiro deste ano foi de 118, desmentindo outros dados que davam conta de até 250 desligamentos. Ressaltou que houve cortes em praticamente todas as áreas do hospital. “Por muitos anos, a unidade hospitalar sustentou funcionários de maneira desnecessária, mantendo uma estrutura de emprego baseada em quesitos sociais, políticos e familiares”, frisou Santos.

A aposta é na profissionalização. Por isso, houve contratações para formar uma diretoria técnica, uma diretoria clínica, um controle financeiro, dentre outros departamentos. O administrador hospitalar ressalta que hoje as reclamações sobre os serviços prestados pela Santa Casa estão zeradas, o que demonstra uma melhoria no atendimento.

Santos informou que o município continua sendo o maior cliente e parceiro da Santa Casa. Atualmente, após a saída da Uana, são quatro convênios em vigor: adesão ao SUS (de até R$ 1.440.865,11/mês), cirurgias eletivas (de até R$ 35.000,00/mês), plantões médicos (de até R$ 752.370,00/mês) e exames de imagem (de até R$ 45.000,00/mês), totalizando até R$ 2.273.235,11 ao mês. O pagamento é de acordo com os serviços entregues.

POLÍTICA
Em nota encaminhada à redação, a Santa Casa afirmou que não permitirá o uso de seu nome para fins politiqueiros. “A arte da política não se coaduna com a miséria da politicagem, portanto, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim e a Administração Hospitalar repudiam o uso da sua imagem pública por político(s) que somente queira(m) disso e por artimanhas, almejar sob escusas o lançamento da própria imagem e autopromoção”.

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