Bem-Estar Animal é denunciado ao MP

Flávio Magalhães

Os vereadores André Mazon (PTB) e Sônia Módena (PP) denunciaram o Bem-Estar Animal (BEA) ao Ministério Público (MP). Eles alegam, em documentação, que todo o atendimento realizado pelo órgão municipal está suspenso devido a falta de medicamento e equipamentos veterinários, dando ênfase a uma lista de espera de quase dois mil animais para castração.

Os números são referentes até o mês de outubro passado, sendo obtido pelos vereadores através de informações fornecidas pela própria Prefeitura, através de ofícios. Mazon e Sônia apuraram ainda, junto ao departamento, que não houve compras de medicamentos e acessórios veterinários durante todo o ano passado porque não houve interessados nas licitações promovidas pela Prefeitura.

O promotor substituto Rodrigo Cambiaghi Lourenço deferiu a denúncia dos vereadores de que há omissão do município no controle de natalidade de cães e gatos, pela ausência completa do serviço de castração, ocasionando a imensa fila de espera. Os fatos trazidos na representação serão acrescentados ao inquérito já aberto pelo MP em 2016 contra a Prefeitura e o BEA.

OMISSÃO
Nesta semana, o BEA foi cobrado publicamente durante a sessão de Câmara da última segunda-feira, 16. Membros da ONG Vida, organização não governamental em prol da causa animal, cobraram ações efetivas do departamento municipal, alegando que a associação está ficando sobrecarregada porque a Prefeitura não cumpre sua parte.

“Se o BEA cumprisse metade do trabalho dele, nós teríamos metade do serviço a menos”, declarou o representante da ONG, Sheyla Steinmetz, lembrando que os animais abandonados são de responsabilidade do município. “Por que tem veterinária ganhando salário todo mês sem atender nenhum animal? A gente está se desdobrando e o BEA apenas limpando o canil”, criticou. “Nós temos os mesmos problemas da Prefeitura, falta de medicamente, de transporte, de espaço, mas nós fazemos”, completou.

Nessa oportunidade, foi relatado ainda como a Guarda Municipal agiu com truculência na casa de uma voluntária que oferece abrigo temporário para alguns cães resgatados pela ONG Vida. Mazon criticou a atitude. “Foi ilegal por parte da GCM, porque eles sequer tinham mandado”. O vereador lembrou ainda que as castrações feitas pela ONG Vida foram criticadas por funcionários do BEA. “Ou seja, além de não fazer sua parte, o BEA vai contra quem faz”.

BALANÇO
Segundo informações obtidas por A COMARCA junto a Prefeitura, o BEA acolheu 78 animais em 2017, entre cães e gatos. O saldo de adoção foi maior: 83. No total, o local possui capacidade de atendimento para 100 cães e 50 gatos. As adoções são realizadas na instituição, pois não são feitas feiras externas. O interessado pode comparecer no BEA, localizado na rua Joaquim Dias Guerreiro, 111, no Mirante e legalizar o acolhimento de cachorros e gatos.

O BEA afirmou ainda que, no ano passado, foram realizadas 193 castrações. “Contudo, elas não são feitas diariamente, ou seja, apenas quando são efetivados os mutirões”, afirmou a Prefeitura, sem especificar quais seriam esses mutirões. Todos os serviços oferecidos pelo BEA são realizados por uma equipe composta por seis funcionários.


Representantes da ONG Vida e protetores de animais protestaram na Câmara

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