Cineasta inglesa coloca abandono escolar em pauta

Flávio Magalhães

Uma multidão de aproximadamente 800 estudantes e mais de 20 professores se agrupou na quadra poliesportiva da Escola Técnica (Etec) “Pedro Ferreira Alves” na manhã de segunda-feira, 16, para discutir a evasão escolar. A motivação para o debate foi a visita da cineasta inglesa May Taherzadeh a Mogi Mirim.


May chegou ao Brasil no último domingo, 15, para participar de uma série de eventos que debatem a evasão escolar no ensino médio. Mogi Mirim estava no roteiro. O fio condutor das atividades foi justamente seu trabalho mais recente.  Apresentado pela Unicef, usado por programas da ONU e premiado em 12 festivais de cinema mundiais, o curta-metragem “Mercy’s Blessing” (Uma Escolha) retrata a educação de crianças no Malawi (África).

Evasão escolar é quando o aluno abandona a escola e não dá prosseguimento aos estudos. Diversos são os fatores podem fazer com que alguém deixe de estudar. A necessidade de trabalhar, falta de interesse pela escola, dificuldades de aprendizado, doenças crônicas, problemas com transporte escolar, falta de incentivo dos pais são alguns deles.

O assunto também foi abordado na instituição ICA, no período da tarde, reunindo alguns alunos e professores de outros estabelecimentos de ensino, como as escolas “Valério Strang”, “Rodrigues Alves”, “Monsenhor Nora”, “Ernani Calbucci”, “Coronel Venâncio”, Etec e o Centro de Educação e Integração Social (Cebe) “Benjamin Quintino da Silva”. A COMARCA acompanhou o evento.

Aos presentes, May explicou que no Malawi menos de 25% das meninas concluem o ensino fundamental, enquanto sequer 5% terminam o ensino médio. “É uma questão complexa, essas garotas não sabem que têm direito de estudar”, frisou. O filme suscitou uma série de debates nas comunidades daquele país e, com o apoio da Unicef, em diversos lugares do mundo.

May falou à representantes da comunidade escolar no ICA
Para A COMARCA, May disse que história real que inspirou o curta-metragem foi de um rapaz do Malawi que voltou a estudar aos 30 anos de idade. Questionado pela cineasta por qual motivo, ele respondeu que a família não tinha condições de manter os filhos estudando ao mesmo tempo. “Então, ele se sacrificou para que o irmão continuasse na escola”, explicou.

O filme já foi exibido em mais de 40 países ao redor do mundo e é usado como ferramenta de discussão de direitos humanos, justiça social, cidadania e igualdade de gênero. O filme dialoga diretamente com os alunos e promove debates e reflexões. “Usem suas vozes para criar a mudança. Pode começar pequeno, mas tenham certeza que isso vai se espalhar”, disse a cineasta aos jovens.

VISITA
May vem ao Brasil desta vez a convite do Congresso ClassUP- Escolas Exponenciais, onde falou a gestores escolares sobre o poder do storytelling. “Eu acredito que a narração de histórias, em suas diversas formas (como filme, música, drama) pode ser mais do que apenas entretenimento. Ela pode nos inspirar, aumentar nossa consciência, desafiar nossos pressupostos e concentrar nossas energias”, avalia a cineasta.

No Brasil, a evasão escolar registrada no ensino médio é de aproximadamente 11%, segundo dados do Censo Escolar. De acordo com o levantamento, 12,9% e 12,7% dos alunos matriculados na 1ª e 2ª série do ensino médio, respectivamente, abandonaram a escola entre os anos de 2014 e 2015. O 9º ano do ensino fundamental tem a terceira maior taxa de evasão, de 7,7%, seguido pela 3ª série do ensino médio, com 6,8%.

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