Contra alta no diesel, caminhoneiros param o país e cidade sente efeitos

Flávio Magalhães

A paralisação dos caminhoneiros a nível nacional, iniciada nesta semana, chegou também à região de Mogi Mirim e a cidade já está sentido os efeitos da greve. Os primeiros estabelecimentos afetados foram os postos de gasolina, mas serviços essenciais como transporte público e coleta de lixo já sentem os efeitos do movimento grevista.

A greve da categoria foi deflagrada na segunda-feira, 21. No dia seguinte ela chegou a região. Um grupo de caminhoneiros se reuniu às margens da rodovia SP-340, na altura do posto Rio Guaçu e iniciou um movimento pacífico com o apoio da Polícia Militar Rodoviária. “Estamos convidando os demais motoristas a pararem também, porque é um absurdo o que está acontecendo”, declarou o caminhoneiro José Lito de Souza Júnior.

Para A COMARCA, Júnior relatou a rotina que a categoria passa diariamente nas rodovias. Explicou que muitos postos de gasolina de beira de estrada cobram a pernoite do caminhoneiro, que também são coagidos a abastecer. O banho é cronometrado e cobrado também. “Já aconteceu de cortarem a água e eu ainda estar ensaboado”, lembrou.

A principal reclamação, além do aumento do preço do óleo diesel, é o frete que não acompanha mais os gastos dos caminhoneiros. “Antes, gastava de 25% a 30% do frete com manutenção e outras coisas. Hoje, mais de 70% fica na estrada. Isso quando não tenho prejuízo”, reclamou. “Fico uma semana fora e às vezes não consigo botar R$ 300 em casa”, lamentou Júnior, que tem uma filha de cinco anos.

“Os nossos governantes deveriam ter vergonha de deixar o país como está”, exclamou Aparecido Felício, que tem mais de 40 anos de experiências nas estradas. “São ladrões, ladrões de gravata!”, repetia, pedindo intervenção militar no país. “Não somos vagabundos, não! Eles [políticos] pensam que nós somos vagabundos”, disparou. No pico do movimento de terça-feira, 22, cerca de 80 pessoas se aglomeraram por ali, formando uma fila de caminhões à beira da rodovia.

EFEITOS
Os primeiros sintomas de anormalidade foram sentidos na noite de quarta-feira, 23. Boa parte da população já temia uma crise de desabastecimento e lotou os postos de gasolina da cidade. Muitos deles, como o Progresso, no fim da Rua do Mirante, registraram grande movimentação até a hora de fechar.

A crise se agravou na manhã seguinte. Praticamente todos os postos da cidade tinham longas filas para abastecer. Esperar uma hora ou mais para encher o tanque era cena comum. Alguns, além de colocar combustível no carro, colocavam também em galões, para fazer estoque.

Durante toda a quinta-feira, 24, a fila para abastecer no Santa Helena, localizado na Avenida 22 de Outubro, superava os 250 metros de extensão. Em determinados momentos no dia, a fila do posto ao lado da churrascaria Gauchão do Tchê registrava uma fila de aproximadamente 500 metros, até a entrada do bairro Parque Jardim Murayama. Outra, também extensa, se formava pelo acostamento da SP-340. Alguns postos já sofriam com a falta de combustível.

Na sexta-feira, 25, a seca nas bombas virou regra. Poucos eram os postos com combustível disponível. Durante dia, longas filas se formaram no Futurama, em plena rua Padre Roque. Seus dois concorrentes mais próximos, logo abaixo, estão fechados desde quinta-feira.

AGRAVAMENTO
Ainda na tarde de sexta, os manifestantes que se reúnem no posto Guaçu Brasil bloquearam a SP-340 com a queima de alguns pneus. A Polícia Rodoviária precisou intervir para acalmar os ânimos e desobstruir a via. Bloqueios parciais foram registrados também na altura de Jaguariúna, próximo a universidade UniFaj.



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