Estiagem prolongada causa prejuízo no campo

Desde 18 de fevereiro, não acontece uma chuva satisfatória em Mogi Mirim. Naquele dia, caiu 13,97 milímetros de água, um volume acima do dobro, em comparação com a média diária histórica, que é de quase 5 mm por dia.  Com a estiagem prolongada, causando uma condição meteorológica de seca, o segmento agropecuário é que o mais sofre, causando apreensão entre os agricultores e produtores rurais.

A falta de chuva ameaça algumas culturas, que são prejudicadas por não terem condições de desenvolvimento adequado.  Milho, soja e feijão estão entre as culturas ameaçadas com a escassez de chuva. “Nesse cenário, estão não apenas as culturas anuais, mas também as culturas de outono e inverno”, disse Roberto Machado, diretor da regional da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) de Mogi Mirim.

A estiagem tem mantido as temperaturas altas para essa época do ano. Isso também atrapalha, por exemplo, o ciclo das frutas, principalmente aquelas que precisam do frio para se desenvolver. Machado salientou, no entanto, que dependendo do clima, algumas espécies podem até se beneficiarem o tempo seco, já que maturação do fruto acontece de maneira mais uniforme. Isso acontece com o café e algumas variedades de laranja.

No entanto, Machado alerta para o perigo de iniciar um plantio sem o mínimo de chuva. “O prejuízo vem o ano que vem, porque planta não se desenvolve. O produtor vai sentir na próxima safra”, atentou. Porém, o que mais chama a atenção do diretor da Cati é a queda na vazão dos cursos d´água. “Ainda tem agua nas represas fluindo regularmente, mas, se não voltar a chover logo, vai criar uma situação dramática”, apontou.

Segundo ele, muitos agricultores optaram por abrir poços para usar na irrigação das lavouras. Mas, tanto os poços, quanto os riachos, já começam a secar. “De uns cinco anos para cá, já vimos que até nascente pode secar. Assim, se poços e riachos secarem, haverá uma desestruturação do sistema agrícola.

Machado argumentou que ainda é cedo para calcular o prejuízo. Isso somente será medido quando o produtor chegar ao final da safra e saber exatamente o que colheu por hectare. “A não ser que ele tenha plantado e perdido tudo”, observou. Mas, nem tudo está perdido, segundo o diretor. É possível amenizar a crise hídrica, conservando o solo e redesenhando o sistema de produção.

“Na conservação do solo, é precisar melhorar as condições de absorção da água da chuva e evitar escoamento. Também é possível trocar o período de irrigação, ao invés de ser durante o dia, que seja a noite. São técnicas que ajudam a eliminar o risco de desperdício da água”, atentou.

A solução, no entanto, ainda é a volta da chuva. O problema é o período do ano, propício para a redução nas precipitações. “É claro que pode chover, mas, nessa época, dificilmente vai chover 150 ou 200 mm de água para repor os lençóis freáticos. Chuva assim só na retomada do período de chuvas, entre setembro e outubro. Mas, a mudança climática deixou esse cenário irregular, chovendo menos no verão e mais no inverno. Vamos torcer para que essa instabilidade aconteça. Isso pode ajudar”, comentou.

VOLUME
Se o prejuízo com a escassez de chuva é real no campo, nos números, o cenário parecer ser ainda mais grave. Nos últimos três meses, o volume de chuva foi infinitamente menor que os registros no mesmo período de 2016 e 2017. Em fevereiro, por exemplo, choveu 39 mm, ante os 132,8 mm de 2016 e os 117,9 mm do ano passado. Comparando com a média histórica para o mês, que é de 181 mm, a diferença é ainda bem maior.

O mesmo acontece com março. Neste ano, foram 40,3 mm de chuva. Em 2016, foram 155 mm e, em 2017, 199,2 mm. A média histórica é de 154 mm. Para o mês de abril, 2018 registrou apenas 5 mm de chuva, contra 6,4 mm em 2016 e 130,9 em 20017.  A média histórica é de 77,4 mm. Vale informar que os índices de média histórica são do Horto Florestal de Mogi Mirim.


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