Max e sua missão humanitária na Turquia

Todos os dias, vemos no noticiário o sofrimento da população da Síria, que é obrigada a fugir de seu país de origem por conta dos destruimentos e conflitos causados pela Guerra Civil que já dura sete anos. Por isso, os cidadãos sírios acabam virando refugiados e tentam recomeçar a vida em países europeus. A Turquia é hoje, o maior país anfitrião de refugiados registrados, com mais de 3 milhões de sírios.

Como os países que recebem os sírios não tem estrutura suficiente para atendê-los ou mesmo se recusam a oferecer qualquer tipo de assistência, os refugiados ficam vagando pelas ruas. Como vivem? E quem ajuda? Basicamente, eles são cuidados por ONGs (Organização não-Governamental) missionárias, que oferecem roupas, alimentos, remédios e, principalmente, esperança.

Max Dacampo, 35, é um desses missionários. Morador em Mogi Mirim e membro da igreja Missão Paz e Vida, Max é ligado à Jocum (Jovens Com Uma Missão), uma ONG mundial, que presta serviço humanitário em países cuja população é perseguida. Ele é missionário da base da Jocum de Campinas e se prepara para voltar à Turquia, por onde já esteve por quase quatro meses no ano passado.

O embarque está agendado para o próximo dia 15 e, desta vez, Max ficará um ano à serviço dos refugiados sírios. Além de retornar à Esmirna, onde ficou em 2017, ele também passará por outras cidades, como Istambul. Segundo ele, a Jocum mantém apenas um missionário na Turquia e, por isso, haveria a necessidade de mais um para ajudar, principalmente, porque a ONG pretende abrir mais creches e uma casa de apoio às crianças.

“Hoje, temos uma creche para atender apenas 63 crianças refugiadas. Vamos abrir mais quatro creches e uma casa de apoio para prestar toda assistência necessária. Levamos comida, remédios e roupas, e até divertimento por meio do teatro e de malabares de circo. Instalamos barracas para dormir nos campos de refugiados e montamos fogões a lenha para fazer chá. Eles gostam muito de chá”, recordou Max.

Muitos dos produtos que disponibiliza aos refugiados são comprados por Max na própria Turquia. “Na nossa base em Campinas, temos grandes caixas com doações. Mas, é difícil mandar para lá. Então, a gente acaba recolhendo doações em dinheiro e comprando lá mesmo, até porque, é bem mais barato”, disse.

Assim como os refugiados, os missionários também vivem de doações e ajuda durante o período de permanência na Turquia. “Muitas das vezes, trocamos comida, pouso e banho por serviço. Lá, tem muita plantação de azeitonas. Pedimos aos donos que façamos a colheita em troca de alimento, banho e um lugar para dormir”, disse.

Mas é preciso ter certos cuidados na assistência aos refugiados. "Como são todos muçulmanos, não podemos nos identificar como um cristão. Por isso, até mesmo o termo ‘missionário’ é evitado, porque, lá, tem uma conotação religiosa. O missionário não é bem-vindo naquela região. Por isso, nos identificamos como ‘trabalhador voluntário’, ressaltou.


‘Eu li uma ordem e obedeci'

Nascido em Pouso Alegre/MG, Max Dacampo passou a infância em Mogi Mirim. Aos 14 anos, mudou com a família para São Carlos, onde seus pais ainda residem. Tempos depois, foi morar em Ribeirão Preto. Foi lá que ele diz ter lido uma ordem e obedeceu. “Para mim, a igreja era mais do que dar gloria e aleluia a Deus. Era seguir o que Jesus diz na Bíblia: ide pelo mundo e anunciai o evangelho. É sair das paredes da Igreja e oferecer sua vida ao próximo”.

Max trabalhava num restaurante de comida italiana renomado de Ribeirão Preto. Decidiu pedir demissão do emprego, vendeu os móveis de onde morava e assumiu sua missão. “Hoje, tudo o que tenho cabe em duas mochilas, como barraca, saco de dormir, vara de pesca, faca, lanterna, cantil, pederneira, roupas, e um par de botas e de tênis”, contou. Até o namoro ele terminou. Foi para Campinas, onde passou por uma formação. E de lá, partiu para sua primeira missão humanitária na Turquia.

Durante os quatro meses como missionário, Max viveu os mesmos perigos e riscos dos refugiados. Passou muito frio, já que foi para a Turquia no inverno europeu. Algumas situações lhe chamaram a atenção. Como o cemitério de coletes. “Cada refugiado que chega na Turquia, ele tira o colete que usou na travessia do Mar Mediterrâneo e deixa na margem. Aquilo se transformou num símbolo de que eles conseguiram deixar a Síria e chegaram em terra firme”, destacou.

Uma queda de uma montanha que lhe deixou com duas costelas quebradas e diversas lesões pelo corpo também marcou a vida de Max. Não pelo sofrimento, mas, pela cura.  “Uma missionária colocou a mão sobre minha costela e elas colaram. Fui para o hospital e não havia mais nenhuma fratura. Três dias depois, já estava carregando lenha com os refugiados. Foi um milagre”, atentou.

A fé e a esperança em recomeçar a vida também é uma marca dos refugiados que Max guarda com carinho. Mesmo numa situação desesperadora, onde tiveram que deixar tudo para trás – casa, trabalho e até família – os sírios, segundo o missionário, seguem à risca a lei de que devem orar cinco vezes ao dia e não perdem a esperança de que países da Europa irão acolhê-los e lhes oferecer condições de retomar a vida. “Mas, eles amam a Síria. E esperam que um dia, o ditador Bashar al-Assad deixe o poder para que possam voltar para casa e reconstruir suas vidas”.

Manter acesa essa chama da esperança é uma das missões de Max. “A gente tenta mostrar para eles que Jesus é essa esperança, que existe algo a mais nessa vida, que Deus ama a todos”. E ao desempenhar sua missão, Max garante ter se encontrado. “Esse é o espírito do evangelho. É eu sair daqui para amá-los, amar a vida deles, de dar a nossa vida por eles. Para que, através disso, eles venham a perguntar: porque? E que venham a amar ao próximo, como Deus os ama”, frisou.

Como qualquer outro missionário, Max precisa de ajuda para realizar sua missão. Para providenciar a documentação que o autorize a permanecer um ano na Turquia, ele terá uma despesa em torno de R$ 3,5 mil. E hoje, ele tem apenas R$ 500 para essa finalidade. Quem puder ajudar, pode entrar em contato com Max pelo telefone 16-9.8141.3381, ou depositar na conta poupança 00082794-2, agência 1612, operação 013, Caixa Econômica Federal, CPF: 3100253338-80.


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