Espera por cirurgia eletiva chega a dois anos

Flávio Magalhães

José Eduardo Zani, 68, sofre de Mal de Parkinson. Há cerca de dois anos, a doença se agravou de tal forma que passou a dificultar sua própria alimentação. Foi quando sua família tentou uma cirurgia eletiva (toda aquela que não é considera urgente) pela rede pública para colocação de uma sonda. Estão na fila até hoje.

“Não temos respostas nem de Prefeitura nem de Santa Casa”, reclama Mayella Zani, filha de José Eduardo. A família já levou o caso à Ouvidoria do município quatro vezes. “A sensação que dá é de que, como meu pai é um senhor de idade, vão protelar até ele morrer, pois assim não vão precisar fazer”, desabafa. “Quantas pessoas já morreram nessa fila? Não quero que meu pai entre nessa estatística”.

Nesta semana, porém, um alento. José Eduardo foi internado na quarta-feira, 30, na Santa Casa para a realização da cirurgia. Ele ainda aguarda alta médica. Mayella acredita que a pressão da família, que foi até a Câmara Municipal explicitar o assunto, foi determinante.

No entanto, outros 1.484 pacientes ainda estão em espera por uma cirurgia eletiva, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. Grande parte deles está na fila há aproximadamente dois anos, como José Eduardo. Alguns até há mais tempo, dependendo da disponibilidade de vagas.

Para A COMARCA, a Administração Municipal explicou que Mogi Mirim tem direito a duas vagas por mês na Santa Casa de Mogi Guaçu para cirurgias de Ortopedia de Alta Complexidade. Para cirurgias oftalmológicas são 15 vagas mensais no AME da vizinha cidade e outras 50 para catarata através do Consórcio Intermunicipal de Saúde.

Os casos de Neurocirurgia de Alta Complexidade são conforme demanda na Santa Casa de Mogi Mirim. Para Otorrino, os pacientes são referenciados pelo AME Mogi Guaçu para o AME Santa Bárbara D’Oeste e as cirurgias de Urologia são referenciadas pelo município ao Hospital Brigadeiro em São Paulo.

A maior parte das cirurgias eletivas, contudo, são feitas em Mogi Mirim. Através de um convênio com a Santa Casa local, são atendidas as especialidades: cirurgia geral, cirurgia buco-maxilo, cirurgias ginecológicas, cirurgias ortopédicas, cirurgias otorrino e cirurgias urológicas. Mas uma série de fatores contribuiu nos últimos anos para que a fila aumentasse consideravelmente.

Em 2013, a Santa Casa realizava aproximadamente 100 procedimentos por mês. A espera não era superior a seis meses, na quase totalidade dos casos. No entanto, esse número foi caindo. Em 2015, com a onda de cortes de gastos promovida pela gestão do ex-prefeito Gustavo Stupp (PDT), as cirurgias eletivas foram reduzidas a 30 por mês.

A crise financeira da Santa Casa também não ajudou. No primeiro quadrimestre de 2017, isto é, de janeiro a abril, apenas 41 cirurgias eletivas foram realizadas pelo hospital. Paralelamente, a Prefeitura descobriu um déficit de cirurgias. Isso porque foram realizados menos procedimentos do que o número que foi comprado e pago pelo Município.

São 212 cirurgias eletivas que devem ser quitadas por um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado no ano passado. Apenas parte delas foi cumprida pelo hospital. “Diante disso, foi solicitado à Santa Casa, em maio desse ano, a devolução do recurso referente às cirurgias pactuadas no termo de ajuste e não realizadas até o momento”, informou a Prefeitura, em nota.

Para atender a demanda, a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Suprimentos e Qualidade finalizaram o Termo de Referência para realização de chamamento público para o credenciamento de empresas interessadas em prestar o serviço ao município.


Faixa estendida na Câmara Municipal foi em forma de protesto contra longa fila de espera

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