Greve deixa um rastro de prejuízo econômico

Flávio Magalhães

Não há greve sem consequências. E a paralisação dos caminhoneiros por quase duas semanas provocou prejuízos financeiros irreversíveis na Economia do país, que se refletem também nos municípios. Mogi Mirim, por exemplo, pode perder mais de R$ 1,2 milhão em arrecadação de impostos, segundo apurou A COMARCA.

A estimativa é baseada no quanto a Prefeitura arrecada com o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), já que as empresas da cidade foram afetadas com a greve e, com isso, tiveram um faturamento drasticamente menor que o habitual. Outros impostos são mais relativos e mais difíceis de prever. “Pelo menos R$ 1,2 milhão estamos prevendo de perda financeira, mas pode ser mais”, explicou o secretário de Finanças Roberto de Oliveira Júnior para A COMARCA.

A nível regional, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e o Sincomércio local divulgaram um estudo apontando que a greve dos caminhoneiros provocou perdas de vendas de até R$ 105,5 milhões por dia para o varejo nas 36 cidades da região de Mogi Mirim a Jundiaí. No cenário estadual, o prejuízo diário pode atingir R$ 1,8 bilhão e no nacional, R$ 5,4 bilhões.

Segundo a FecomercioSP, a crise prejudicou empresários e consumidores, que sofrem com a dificuldade de abastecimento para atender a demanda da população, a qual, assustada com as notícias, corre para os principais pontos de venda a fim de garantir o seu estoque. De acordo com o presidente do Sincomercio Mogi Mirim, José Antonio Scomparin, o prejuízo nas vendas dos bens não duráveis como alimentos, remédios e gasolina pode ser visto como um primeiro alarme. No entanto, se essa crise persistisse, o problema poderia se estender para as vendas de bens duráveis como veículos, eletrodomésticos e materiais de construção, gerando uma crise geral para o setor.

PECUÁRIA
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, disse na quarta-feira, 30, que o prejuízo no setor da pecuária com a paralisação dos caminhoneiros alcança mais de R$ 3 bilhões. Segundo ele, o número é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo Maggi, os prejuízos, “com certeza”, serão ainda maiores no setor. “Não tenho dúvida de que os prejuízos nesse setor serão na casa dos bilhões e bem para cima”, disse.

“Isso é um crescente porque já haviam sido abatidos ou descartados 64 milhões de aves, entre pintinhos de um dia e ovos que já estavam para eclodir e com a mortandade que está acontecendo nas granjas, já que falta alimentos [para os animais]”, disse o ministro, após participar de uma mesa no Fórum de Investimentos Brasil 2018, na capital paulista. “Eles [representantes de associações do setor] me relataram que os suínos e as aves estão sendo alimentados de forma aquém de suas necessidades”, falou.

A ABPA alerta que cerca de 100 mil toneladas de carne de aves e de suínos deixaram de ser exportadas na última semana, o que poderá causar impacto de US$ 350 milhões na balança comercial. O diretor executivo da ABPA, Ricardo Santin, declarou que a situação é absolutamente emergencial. "Onde você coloca um milhão de aves mortas? Pode contaminar o lençol freático, transmitir doenças”.



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