Prefeitura interdita minas contaminadas

Flávio Magalhães

A Prefeitura interditou três minas de água na última segunda-feira, 11, após laudos solicitados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente apontarem contaminações na água. A medida afetou as minas localizadas nas ruas João Bonatti (região da Santa Cruz), Manaus (próximo ao Zerão) e Linha da Penha (zona Leste).

Segundo a Vigilância em Saúde de Mogi Mirim, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, a qualidade da água dessas minas está “bem abaixo” do padrão estabelecido para consumo humano. “A interdição é necessária, pois muitas pessoas consomem a água desses locais, sem saber que a ingestão diária pode ocasionar a transferência de bactérias para o organismo humano, resultando em graves problemas de saúde”, afirmou a coordenadora responsável, Joalice Franco.

Em todos os espaços interditados, a Prefeitura instalou placas informativas quanto a proibição do consumo da água. O relatório final apontou que as minas não atendem aos padrões físicos-químicos e microbiológicos por apresentarem presença de bactérias fora do limite permitido pelo Ministério da Saúde. As amostras para os exames foram colidas no dia 22 de maio.

A reportagem de A COMARCA obteve acesso aos exames. Em todas as três minas é constatada uma quantidade excessiva de ferro na água, principalmente na localizada na Linha da Penha, que apresentou um índice de 1,73 mg/L. O limite é 0,3 mg/L. Pesquisas recentes apontam que o ferro, em excesso, se torna mais perigoso que o colesterol para o coração, podendo dobrar as chances de um ataque cardíaco.

Outro fator comum nas três minas examinadas é o baixo pH. Os índices aceitáveis variam de 6 a 9,5. Contudo, os laudos apontam para menos de 5 em todos os casos. Uma água com pH baixo é considerada ácida. No entanto, não há comprovações de que o pH baixo seja prejudicial a saúde, conforme informam boletins do Controle Hídrico de São Paulo (Cohesp).

Além disso, nas minas das ruas João Bonatti e Linha da Penha, foi constatada a presença de coliformes totais e bactérias da família Escherichia Coli (E. Coli). A E. coli é uma bactéria que habita naturalmente no intestino de humanos e de alguns animais, mas que em grandes quantidades pode causar problemas como gastroenterite ou infecção urinária, dependendo se o excesso de bactérias surgiu no intestino ou no trato urinário e acontecendo, principalmente, quando se consome água ou alimentos contaminados.

Em alguns indivíduos, pode levar a complicações mais graves, como um súbito comprometimento renal, que pode causar uma lesão renal permanente. Mas, na maioria dos casos, a E. Coli causa somente uma leve gastroenterite que passa em menos de uma semana. Na mina da Rua Manaus não foi identificada a presença das bactérias E. Coli ou de coliformes totais, cujo aparecimento leva a crer que a água pode ter contato com matéria orgânica em decomposição.

Prefeitura instalou placas, que foram retiradas pela população


DESCRENÇA
Na repercussão nas redes sociais predominaram comentários de descrença sobre a veracidade dos laudos que atestaram a má qualidade da água das três minas. A reportagem de A COMARCA esteve numa delas, a da Rua João Bonatti, no final da tarde de quinta-feira, 14, e constatou que a movimentação em busca daquela água ainda é intensa.

A placa instalada pela Prefeitura dias antes informando a interdição da mina já não estava mais lá. A reportagem conversou com um senhor que busca água no local já há seis anos e afirmou que deixou de ter cólicas de rim após passar a beber daquela mina. Ele estava com três galões grandes e quatro menores. Em seguida, outros três veículos encostaram ali e seus respectivos motoristas desceram com mais galões.

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