Tarifa de ônibus deve subir após integração de linhas

Flávio Magalhães

O prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) só vai autorizar o reajuste da tarifa do transporte público após a conclusão das obras do ponto de ônibus do Jardim Velho, que permitirá a integração de linhas, isto é, quando o passageiro utiliza dois ônibus pagando apenas uma passagem. A informação foi confirmada pelo chefe de Gabinete Guto Urbini na última quarta-feira, 6.

Urbini revelou a intenção do prefeito durante a audiência pública na Câmara Municipal convocada para explicar o reajuste da tarifa de ônibus, que contou com a participação de diversos secretários municipais e vereadores, mas de quase nenhum munícipe. “A Prefeitura não vai assinar o decreto de reajuste enquanto a integração não estiver pronta”, garantiu o chefe de Gabinete.]

A expectativa do secretário de Trânsito, Transporte e Serviços, José Paulo da Silva, é de que o Jardim Velho seja adequado em até 30 dias. “Será uma parada de ônibus, não um terminal”, esclareceu. Ali, os passageiros vindos dos bairros poderão pegar um segundo ônibus até o seu destino, sem pagar a mais por isso. “A obra não é grande e o prefeito pediu agilidade”, complementou o secretário.
Outro ponto que facilitará a integração para os passageiros será o da Rua Ulhôa Cintra, em frente ao Bar do Zito. Segundo José Paulo, a expectativa é de que nos próximos meses a Prefeitura adapte um novo ponto de integração no Espaço Cidadão, que atualmente passa por obras de revitalização.


REAJUSTE
Durante a audiência, coube ao sócio-administrador da Viação Fênix, Victor Hugo Chedid, detalhar os cálculos que devem levar a tarifa dos atuais R$ 3,50 para R$ 4,20. Lembrou dos investimentos feitos pela empresa com a aquisição de novos ônibus e que a última revisão no preço da passagem foi em 2015 e que cidades vizinhas já pagam valores iguais ou superiores a R$ 4,20.

Explicou que os maiores fatores que implicam no aumento e no reajuste tarifário são a queda no número de passageiros que utilizam transporte público, a manutenção da frota e da equipe, o aumento da quilometragem das linhas e a elevação de tributos. “E Mogi Mirim tem uma particularidade, tem uma das maiores gratuidades que já vi em cidades que operamos”, disse Chedid.

Hoje, em Mogi Mirim, podem andar gratuitamente de ônibus idosos acima dos 60 anos, pensionistas de qualquer idade, aposentados de qualquer idade, portadores de necessidades especiais e seus acompanhantes, além de estudantes que pagam apenas metade da tarifa. O resultado é uma tarifa 41% mais cara do que se não houvesse gratuidade. Chedid fez um apelo para que os vereadores revejam a legislação municipal futuramente, sob o risco do sistema de transporte público entrar em colapso financeiro.

O sócio-administrador da Fênix revelou ainda que em janeiro, quando foi pleiteado pela primeira vez o reajuste da tarifa, o valor pedido foi R$ 5,83. No entanto, a empresa tomou algumas medidas para reduzir a proposta. Uma delas foi a demissão de 43 cobradores e a reestruturação dos itinerários, que vai permitir à viação trabalhar com menos veículos (19 ao invés de 24) e menos quilometragem.

A queda do preço do óleo diesel também foi considerada e a empresa chegou ao valor de R$ 4,26. Em estudos paralelos, a Secretaria de Trânsito, Transportes e Serviços calculou os R$ 4,20 que devem ser autorizados pelo prefeito Carlos Nelson. Ainda assim, a maioria dos vereadores presentes se mostrou contrária ao reajuste. Esse posicionamento, contudo, não interfere no procedimento, uma vez que é de exclusividade do Poder Executivo autorizar ou não a mudança de preços na tarifa do transporte público.

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