Contestada, Prefeitura adia demolição do Centro de Saúde

Flávio Magalhães

A Prefeitura adiou a demolição do antigo Centro de Saúde, na Avenida Santo Antônio, antes prevista para o feriado de 9 de julho, segunda-feira. A informação foi dada pelo secretário de Governo Danilo Zinetti, que admitiu precipitação na divulgação da data em que o imóvel será derrubado. “Não queremos brigar com ninguém, vamos nos adequar às posições contrárias”, afirmou à imprensa.

No entanto, Zinetti reforçou a posição da Administração Municipal de derrubar o prédio. Explicou que a reforma era a primeira opção da Prefeitura, mas que essa ação dispenderia muitos recursos. “São quase mil metros de construção, seriam gastos R$ 2 milhões. Será que é vantagem?”, questionou, lembrando que a Prefeitura tem outras prioridades em investimentos, como na área da Saúde.

Além disso, o Governo precisa aguardar o parecer do Centro de Documentação Histórica (Cedoch), como determina a legislação vigente, já que o prédio está no chamado Centro Histórico de Mogi Mirim. Contudo, tal parecer é consultivo, não deliberativo, ou seja, não tem o poder de vetar uma decisão do Poder Executivo pela demolição.

A documentação necessária foi enviada ao Cedoch na terça, 3, já que a matrícula do imóvel ficou pronta na segunda-feira, 2. “Não vamos derrubar sem um parecer do Cedoch”, explicou Zinetti. “Mas estamos muito tranquilos, vamos aguardar e nos reunir novamente”, informou o secretário de Governo, muito embora já tenha descartado investir muitos recursos no local. “Seria um desperdício de dinheiro no momento”.

A vistoria no imóvel foi realizada no último dia 26, por técnicos da Prefeitura. O relatório, o qual A COMARCA obteve acesso, aponta que o prédio “apresenta todos os problemas decorrentes do tempo, agravado pela falta de uso e manutenção”. Destaca trincas, rachaduras e infiltrações no local, além do piso que cedeu em diversos pontos e do telhado comprometido.

Uma reforma, segundo o relatório, envolveria a troca de todo o piso interno e externo e compactação, reforço na estrutura do imóvel, tratamento de trincas e rachaduras, troca de todo o reboco interno e externo, troca de todos os caixilhos e portas, troca da estrutura danificada do telhado e cobertura, nova rede hidráulica e elétrica e pintura.

Sem manutenção, o terreno se tornou atrativo para o descarte de materiais, levando preocupação às autoridades sanitárias e epidemiológicas quanto a existência de possíveis criadouros do Aedes aegypti. Outro fator evidenciado pelo abandono – como a retirada dos portões – faz com que moradores em situação de rua pernoitem no local.

Essas ocorrências, aliás, fizeram com que as negociações fossem aceleradas pela Prefeitura junto ao Estado, a fim de passar a administrar o espaço público. O deputado Barros Munhoz (PSDB) intercedeu junto ao então governador Geraldo Alckmin (PSDB). O acordo prosperou e desde 8 de junho – data de assinatura da escritura de doação da área e do imóvel pelo prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) – o espaço é patrimônio do município.

A Prefeitura já revelou a intenção de criar uma área verde naquele local, permitindo viabilizar uma espécie de extensão natural do Centro Cultural “Professor Lauro Monteiro de Carvalho e Silva”, localizado ao lado do terreno. Além da arborização, a infraestrutura a ser construída permitiria que diversas atividades culturais e recreativas também possam ser realizadas no local.

Condições precárias do prédio inviabilizam uma reforma no momento


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