Integração começa a operar sob reclamações

O tão aguardado sistema de integração do transporte público de Mogi Mirim começou a operar na quinta-feira, 12. Mas, ao contrário de atender as necessidades do usuário, deixou muita gente insatisfeita com os novos horários e itinerários adotados pela Viação Fênix. Muitos reclamaram da longa espera no ponto. Outros disseram que tiveram que pagar por duas passagens, mesmo passando por duas catracas dentro de uma hora.

A integração, segundo a Fênix, permite que os passageiros peguem dois ônibus dentro do limite de uma hora (ou uma hora e meia no caso de algumas linhas mais distantes do Centro), pagando apenas uma tarifa. Essa integração pode ser feita em qualquer ponto, e não obrigatoriamente na Rua Coronel João Leite, reativado pela Prefeitura. Esse ponto servirá para concentrar algumas linhas, facilitando a logística de integração.

Quem precisou do transporte público nesses dois dias de integração – quinta e sexta-feira – teve muitos empecilhos. João da Silva Gomes não pensou duas vezes. “Está uma porcaria”, frisou. Morador na Vila Dias, ele precisou vir ao centro ontem. Disse que ficou mais uma hora no ponto esperando pelo ônibus no bairro onde mora. “Esperei tanto que resolvei vir a pé. Agora, vou voltar de ônibus. Vamos ver quanto tempo vou esperar”, disse, enquanto aguardava no ponto do Jardim Velho.

A mesma reclamação foi feita por Cristina Aparecida de Campos. Também moradora na Vila Dias, ela disse que ficou mais de duas horas no ponto até o ônibus que a levou para o centro passou. Além da longa espera, Cristina criticou a falta de um terminal rodoviária estruturado. “Aqui (Jardim Velho) tem muita gente que precisa de ônibus, senhoras de idade, e não tem sequer um banheiro”, apontou.

Outra moradora da Vila Dias, Maria do Carmo Costa chegou atrasada no serviço. Ela pegou o ônibus no bairro às 6h55 e chegou no Jardim Velho umas 7h05. Esperou até 7h30 para pegar outro ônibus que a levou para a Santa Cruz. “Entrei 8h no serviço. Cheguei atrasada. Antes tinha ônibus direto da Vila Dias para a Santa Cruz. Está muito bagunçado ainda”, comentou.

Com a integração, foram estabelecidos novos horários para os ônibus. Essa mudança não agradou a Raimunda Noli. Ela mora no distrito de Martim Francisco e trabalha num condomínio próximo à avenida 22 de Outubro. Antes do sistema, Raimunda pegava o ônibus por volta das 5h15 e chegava no centro pouco depois das 6h. Com o dia claro, ia para o trabalho caminhando.

Com a mudança, o ônibus agora passa antes das 5h. “Passou no ponto perto de casa às 4h50 com apenas três passageiros. Chegamos no Jardim Velho às 5h15. Ainda está escuro e eu tenho que ir caminhando sozinha, porque nessa hora, não tem ninguém pela rua. É muito inseguro”, reclamou.

No entanto, a maior indignação partiu de Julia Colucci, que reside no Jardim Planalto. Ela sempre pegou um ônibus que ligava o bairro onde mora diretamente ao Parque do Estado, onde trabalha. Com a integração, ela precisa pegar dois ônibus. Até aí nada demais, se não fosse o fato de que teve que pagar por duas passagens.

“Tive que descer no Jardim Velho para pegar outro para o Parque do Estado. Quando entrei nesse segundo ônibus, o motorista disse que não tinha integração. Fui obrigada a pagar outra passagem”, reclamou. O mesmo aconteceu na volta. Isso, na quinta-feira. Ontem, para não correr o risco de ter que pagar quatro vezes novamente, conseguiu duas caronas.

Na ida para o trabalho, uma carona a deixou na Rodoviária. Lá, pegou o transporte intermunicipal que liga Mogi Mirim a Mogi Guaçu. Desceu no meio do trajeto, próximo ao Parque do Estado. Na volta, ganhou outra carona até o centro. E do Jardim Velho, pegou o ônibus que a levou para casa. “É um absurdo ter integração numa cidade do tamanho de Mogi Mirim, que nem terminal de ônibus tem”, reclamou.

O gerente operacional do grupo Fênix, Sandro Rogério de Souza, explicou na semana passada, quando do anuncio do início da operação da integração, que nos primeiros dias será possível observar o funcionamento do sistema e fazer ajustes, se necessário. “Estaremos com nova grade horária, para evitar acúmulo de linhas e manter um intervalo regular entre os ônibus”, destacou.

Para que o usuário conheça a estrutura do novo sistema, a Fênix distribuiu um encarte com os novos horários e itinerário. São 14 linhas, sempre ligando o centro a um determinado bairro referência, nas quatro regiões da cidade. Para cada linha, são informados os horários de saída, tanto do centro, quanto do bairro referência, dos dias úteis e feriados e finais de semana, bem como o itinerário da ida e da volta.


Tarifa do transporte público passa a R$ 4,20

Com a integração em funcionamento, o Governo Municipal autorizou o reajuste da tarifa de ônibus, de R$ 3,50 para R$ 4,20. Decreto nesse sentido, de autoria do prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB), foi publicado na edição de quarta-feira, 11, do Jornal Oficial do Município, no qual estabelece que o novo valor começa a ser aplicado a partir de segunda-feira, 16.

O decreto prevê ainda que os estudantes que fizerem a compra antecipada de passe especial nos postos de venda autorizados, pagarão a tarifa de R$ 2,10 (dois reais e dez centavos), correspondente a 50% da passagem integral. O valor foi confirmado há mais de um mês em audiência pública sobre o assunto, mas apenas autorizado pelo prefeito Carlos Nelson com a condição de que a integração estivesse em vigor.

Nessa mesma audiência, coube ao sócio-administrador da Viação Fênix, Victor Hugo Chedid, detalhar os cálculos que levarão a tarifa dos atuais R$ 3,50 para R$ 4,20. Lembrou dos investimentos feitos pela empresa com a aquisição de novos ônibus e que a última revisão no preço da passagem foi em 2015 e que cidades vizinhas já pagam valores iguais ou superiores a R$ 4,20.

Explicou que os maiores fatores que implicam no aumento e no reajuste tarifário são a queda no número de passageiros que utilizam transporte público, a manutenção da frota e da equipe, o aumento da quilometragem das linhas e a elevação de tributos. “E Mogi Mirim tem uma particularidade, tem uma das maiores gratuidades que já vi em cidades que operamos”, disse Chedid.

Hoje, em Mogi Mirim, podem andar gratuitamente de ônibus idosos acima dos 60 anos, pensionistas de qualquer idade, aposentados de qualquer idade, portadores de necessidades especiais e seus acompanhantes, além de estudantes que pagam apenas metade da tarifa. O resultado é uma tarifa 41% mais cara do que se não houvesse gratuidade.

O sócio-administrador da Fênix revelou ainda que em janeiro, quando foi pleiteado pela primeira vez o reajuste da tarifa, o valor pedido foi R$ 5,83. No entanto, a empresa tomou algumas medidas para reduzir a proposta. Uma delas foi a demissão de 43 cobradores e a reestruturação dos itinerários, que vai permitir à viação trabalhar com menos veículos (19 ao invés de 24) e menos quilometragem.

A queda do preço do óleo diesel também foi considerada e a empresa chegou ao valor de R$ 4,26. Em estudos paralelos, a Secretaria de Trânsito, Transportes e Serviços calculou os R$ 4,20.

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