Sob reclamações, Prefeitura inicia atendimento a moradores de rua

Apesar da manifestação contrária dos moradores da via, a Secretaria de Assistência Social iniciou no último dia 20 o atendimento às pessoas em situação de rua num prédio locado na ladeira São Benedito. No local, a pasta realizará acompanhamento social, oferecerá alimentação adequada, refeitório e terá disponibilidade de lavanderia, banheiros, quartos e kit de higiene. Há, ainda, a previsão de oferecimento de oficinas, como a de grafite, inseridas no programa “Ação Solidária”.

A mudança do serviço que vinha sendo feito no Centro de Referência em Assistência Social (Creas), localizado na esquina entre a Igreja de São Benedito e a Santa Casa de Misericórdia, para o imóvel na ladeira São Benedito foi anunciada pela secretária de Assistência Social Leila Feracioli Iazzetta num encontro que teve com representantes da Câmara Municipal de Mogi Mirim no início do mês, para explicar a realidade das pessoas em situação de rua.

O Creas precisou reduzir o serviço para apenas dois dias na semana, porque os beneficiados começaram a se reunir na Praça Duque de Caxias, causando desconforto aos moradores do entorno. Para acabar com essa polêmica, a Secretaria de Assistência Social alugou a antiga sede da Guarda Mirim, na ladeira São Benedito, para voltar a oferecer café da manhã e banho aos moradores de rua diariamente.

O anuncio desagradou os moradores da ladeira São Benedito, que se disseram apavorados com a iminente possibilidade. “Sabemos que muitos moram por escolha própria, mas, entre eles, tem traficantes, drogados e alcoólatras. Aqui (ladeira) não é ambiente para isso. Há muitas clínicas e residências”, disse Maria Cecília Faria, uma das moradoras da região.

A casa de Maria Cecília é vizinha ao prédio locado pela Prefeitura. E mesmo ele estando fechado já há algum tempo, sua empregada precisa limpar a entrada do imóvel quase que diariamente, porque muitos moradores de rua usam o local e o deixam sujo de restos de comida e até de necessidades fisiológicas.

Pela proximidade, Maria Cecília teme que algum morador de rua possa invadir sua casa. Afinal, o telhado imóvel locado faz divisa com o muro de sua residência. O mesmo acontece com a moradia da mãe dela. Dona Cecília Segatti da Silva, 89, também mora ao lado da antiga Guarda Mirim. E o telhado de lá está a menos de um metro de distância do muro de dona Cecília.

Nessa queda de braço, sobressaiu o poder municipal, que desenvolverá a iniciativa, inicialmente, por um período de 30 dias, com o oferecimento de pernoite. “O serviço é regulamentado e atende os munícipes que possuem cadastros no serviço social. Em nossa relação, constam aproximadamente 70 pessoas vivendo nessa situação diariamente, mas cerca de 20 deles confirmaram o nome e apresentaram interesse na utilização desses serviços a eles oferecidos”, explicou a secretária Leila Iazzetta.

Leila atentou ao fato do Poder Público não ter respaldo na legislação para que o público alvo participe dos serviços disponíveis. “Há a oferta dos trabalhos, mas não há o poder de coerção para que saiam das ruas ou áreas públicas, a fim de serem beneficiados por esse programa. Para eles, é opcional”, adiantou.

Com o intuito de facilitar a interação social entre os envolvidos no sentimento de acolhimento, todos os serviços oferecidos pelo Creas passaram a ser oferecidos em um único local, abrangendo desde os atendimentos individualizados até os tratamentos coletivos, passando pelo café da manhã e utilização de área para banhos e lavagem de roupas.

“A lei determina a região central como o espaço apropriado para a realização desses trabalhos. Vamos incorrer em ilegalidade se oferecermos uma estrutura em qualquer outra região da cidade”, enfatizou. O programa ‘Ação Solidária’ é elaborada pela Secretaria de Assistência Social em parceria com as pastas de Governo, de Segurança Pública, de Educação e de Saúde.



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