Prefeitura inicia programa que pretende zerar cirurgias em atraso

Flávio Magalhães

A Prefeitura apresentou à imprensa na última quinta-feira, 16, o programa “Cirurgia em Dia”. Trata-se de uma força-tarefa da Secretaria de Saúde que consiste em realizar mais de 1,5 mil procedimentos cirúrgicos, para zerar a fila de cirurgias na cidade, na qual alguns pacientes já esperam há mais de dois anos, conforme A COMARCA vem noticiando recentemente.

Para colocar o programa em funcionamento, a Prefeitura adotou uma modalidade de licitação conhecida como chamamento público, isto é, estipulou quais serviços precisa e qual o preço pagará por eles – no caso, o dobro da tabela SUS, seguindo parâmetros do Ministério da Saúde. E agora aguarda que hospitais e médicos se credenciem, tanto pela Secretaria de Suprimentos e Qualidade, quanto pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde.

O primeiro a se habilitar foi o Hospital Bom Samaritano, em Artur Nogueira. Assim, as cirurgias tiveram início já na segunda-feira, 13. “Tivemos o cuidado de começar com os procedimentos mais simples, por uma questão de logística”, explicou a secretária de Saúde Rosa Iamarino. Na sexta-feira, 17, um segundo grupo de pacientes também foi levado ao hospital. A Prefeitura está oferecendo transporte gratuito para o deslocamento.

Antes da habilitação do hospital de Artur Nogueira, Rosa esteve no município vizinho para atestar a capacidade da instituição em atender o que pede a Prefeitura mogimiriana. A secretária relatou que o Bom Samaritano possui UTI móvel e presta serviço de Pronto Socorro ao governo daquela cidade. “Se houver qualquer intercorrência, o paciente será estabilizado e transferido para outra unidade da região de Campinas”, destacou.

A etapa de credenciamento ainda ficará em aberto pelos próximos 12 meses. “Esta habilitação segue exatamente o padrão determinado pelo Ministério da Saúde”, declarou a secretária de Saúde. Ela destacou que já existem hospitais interessados em atender os pacientes de Mogi Mirim. “A Beneficência Portuguesa de Campinas, o Hospital Municipal de Itapira e o 22 de Outubro demonstraram vontade em participar”, destacou.

Com a adesão de mais unidades hospitalares ou clínicas, a Prefeitura deverá dividir de forma igualitária as cirurgias que, atualmente, são direcionadas ao Bom Samaritano. “O atendimento à população já é uma realidade. Os pacientes já passaram pelos médicos especialistas, passaram pela regulação e seguem agora o parâmetro de maior ou menor brevidade, pois é uma fila que não fica parada, ela é dinâmica”, explicou a secretária. “A ideia é que se tenha vários hospitais credenciados”.

O prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) está destinando aproximadamente R$ 4 milhões para o programa, com o objetivo de garantir que todas as cirurgias em atraso sejam realizadas, de preferência até dezembro. “Este dinheiro está bloqueado na minha mão, está na conta da Prefeitura e será gasto exclusivamente com Saúde”, ressaltou o chefe do Executivo.

A secretária de Saúde, Rosa Iamarino (Foto: Silveira Jr/Prefeitura de Mogi Mirim)

SANTA CASA
A secretária de Saúde explicou que o problema das cirurgias eletivas em Mogi Mirim se agravou quando a Santa Casa de Misericórdia deixou de cumprir acordos, nesta gestão e na anterior, de Gustavo Stupp (PDT). Em 2016, o hospital foi contratado para fazer 500 cirurgias, mas não chegou a cumprir metade delas. Recentemente foi descoberto que outros 160 procedimentos pagos antecipadamente não foram cumpridos pelo hospital.

A gestão de Carlos Nelson informou que a Santa Casa foi notificada da abertura do chamamento público e poderá participar do credenciamento, desde que cumpra com a documentação exigida.

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