Os 50 anos do Bar do Nego

Num país onde seis em cada dez empresas fecham antes de completar 48 meses de funcionamento, festejar 50 anos é tarefa para poucos. Entre eles, o Bar do Nego, um dos estabelecimentos comerciais mais antigos de Mogi Mirim sob o comando do mesmo dono, o simpático Otacílio de Souza, o Nego.

Aos 79 anos, esse paulista de Urupês, Norte do Estado, chegou em Mogi Mirim em 1955, ainda adolescente. Por muito tempo trabalhou na Zona Rural com sua família. Com uma memória de fazer inveja aos mais jovens, Nego recorda que seu primeiro trabalho na cidade foi na empresa Sulamericana Papel e Cartão, em 1964, um ano após a fundação dessa fábrica.

Ele explica que, naquela época, o papel produzido era colocado em grandes espaços, sobre a grama, para secar ao sol. A função de Nego era recolher esse material e colocá-lo em uma pequena charrete puxada a cavalo. “Era um trabalho cansativo, mas eu gostava. Fiquei lá por 4 anos”, diz. Para complementar a renda e ajudar os pais, Joaquim de Souza e Maria Thomaz de Souza, o jovem de apenas 16 anos ainda trabalhava no restaurante de Orlando Guarnieri, o Baiano.

Esse pequeno estabelecimento, o Restaurante do Baiano, se transformaria rapidamente num dos mais famosos da cidade e na gênese de um grande negócio, o Buffet Santa Cruz, uma potência no ramo da alimentação, nos dias de hoje. Foi justamente o tino empresarial de Guarnieri que mudaria a vida de Nego.

O patrão via naquele jovem, com apenas 25 anos, um empreendedor nato. Com o incentivo de Guarnieri e com a venda de uma casa, Nego acabaria por adquirir um imóvel em outubro de 1968, onde até hoje funciona seu bar. O prédio fica nas confluências das ruas Rio de Janeiro e Saúde, no alto da Santa Cruz.

“Era uma casinha velha com portas de madeira na frente. Mas foi aqui que, com muito trabalho, fiz meu negócio prosperar”, diz. Na mesma casa, Nego morou com a esposa Lucilda Leonelo Souza, com quem está há 56 anos e com quem teve dois filhos, Agnaldo, o Gui, e Carlos Roberto, o Pardal, este já falecido.

Cinco décadas de muita história para contar


APENAS O CÁLICE
“Quando abri o bar, não havia quase nada aqui, nem mesmo o Fórum. Era um enorme pasto, onde as crianças jogavam futebol e onde circos e parques se instalavam quando vinham para Mogi Mirim”, lembra.

Como testemunha dessa época, apenas o “Cálice da Santa Cruz”, a caixa d’água que é símbolo do bairro. Nesses 50 anos, o dono do Bar do Nego observou muitas mudanças na cidade e no país, como o crescimento do bairro, o Golpe Militar de 1964, várias copas do mundo ali festejadas ou choradas, as disputas políticas municipais, o crescimento de seus filhos, a chegada dos netos, dentre outras emoções.

“Conquistei mais do que fregueses. Todos são grandes amigos e graças a Deus, não me lembro de ter feito um inimigo sequer em toda a minha vida”, orgulha-se. Também recorda, com carinho, dos ex-prefeitos Adib Chaib, Luiz Amoêdo de Campos Neto, Ricardo Brandão, Romeu Bordignon e Jamil Bacar, que também prestigiavam seu bar. “Para o prefeito Paulo Silva emprestei até energia elétrica para o comício”, diverte-se.

NOVA GERAÇÃO
Olhando para as paredes renovadas do bar, recentemente reformado, Nego emociona-se ao comentar que “isso aqui é minha vida. Foram muitos anos de dedicação e amor.” Nesses anos todos, Nego garante que jamais passou pela sua cabeça vender o estabelecimento, nem mesmo nas piores crises econômicas que atingiram o Brasil. E olha que não foram poucas!

Hoje o bar é administrado pelo filho Agnaldo, o Gui, e Nego torce para que um de seus quatro netos (Luís Gustavo, Lucas Roberto, Guilherme Henrique e Matheus Henrique) mantenha a tradição. Se isso se confirmar, será a terceira geração dos Souzas no comando do Bar do Nego. “Uma coisa fantástica, não é?”, observa.

Sempre tratando a todos com fidalguia e com um bom humor inabalável, Nego deixa um legado para toda sua família e para os fregueses que frequentam o local, ou seja, o Bar do Nego é uma instituição cinquentenária, patrimônio de todos mogimirianos que amam sentar em uma mesa com os amigos para apreciar uma boa conversa e uma cerveja sempre gelada!

O filho Gui vai substituir o pai no comando dos negócios


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