Frei Cristiano deixa Paróquia de São Benedito após 8 anos

Flávio Magalhães

Entre um compromisso e outro na manhã da última quinta-feira, 20, nas dependências da Igreja de São Benedito, na região central de Mogi Mirim, o frei Cristiano Oshiro deu uma pausa nas atividades da paróquia para atender a reportagem de A COMARCA. Havia acabado de concluir a semanal exposição do Santíssimo Sacramento e alguns fieis já o aguardavam para a confissão.

O ritmo habitual da paróquia não deixa transparecer o clima de despedida. No final de janeiro, frei Cristiano embarca para Poconé (MT), a 100 quilômetros da capital Cuiabá. Será um reencontro, já que o sacerdote trabalhou por oito anos naquele município antes de ser designado para Mogi Mirim. A decisão foi tomada pelo Capítulo Provincial, a reunião realizada a cada quatro anos pela Terceira Ordem Regular de São Francisco (TOR), avaliando a necessidade de evangelização em cada uma das missões franciscanas da organização.

No seu recente aniversário, comemorado em 11 de novembro, a comunidade católica de São Benedito já sabia da notícia. Na homenagem realizada no salão de festas da Igreja de Nossa Senhora de Monte Serrat, centena de fieis fizeram questão de cumprimenta-lo. Alguns aos prantos, em razão do vínculo afetivo após oito anos de trabalho e evangelização em Mogi Mirim. Nesses momentos, frei Cristiano relembra sua missão de vida. “Sou missionário, vou embora em nome do Senhor”, afirmou. “Se eu não vivo para servir, não sirvo para viver”, emendou o sacerdote atualmente responsável por 6 igrejas e mais de 20 pastorais e movimentos.

O vínculo com a comunidade não foi criado por acaso. “O sacerdote tem que animar-se e animar aos outros, tem que se espelhar em Jesus”, definiu. Para isso, precisou vencer a timidez característica dos orientais e acolher o povo, em nome da missão. Mas o esforço valeu a pena. “Hoje só tenho a agradecer, fui instrumento de Deus”, destacou. Fez questão ainda de ressaltar o papel de pessoas da comunidade que trabalham voluntariamente para a igreja, os chamados leigos. “Se pudesse, beijava os pés de cada um em agradecimento”, resume.

A recíproca parece verdadeira. O empresário Geraldo Bueno, que integra o Conselho Administrativo Paroquial da Igreja de São Benedito, enfatizou o trabalho de frei Cristiano enquanto pároco. “Ele motivou e abriu espaço para que os leigos participassem dos trabalhos, reativou as festas envolvendo as comunidades, sempre preocupado para que tudo fosse bem organizado. Foi um pastor zeloso com seu rebanho e com as coisas de Deus”, disse para A COMARCA. “Além de saudades, vai deixar um legado. Sempre será lembrado pelas suas obras de missão e evangelização”, completou.

A advogada Eloísa Bianchi, coordenadora do conselho pastoral e membro da equipe de festa, classifica frei Cristiano como um “pai espiritual, daqueles que corrige, orienta e não abandona”. “Pelo seu exemplo, dedicação, paciência, persistência, buscou e resgatou várias ovelhas que andavam dispersas e longe da Igreja, foi ao encontro delas. Regatou movimentos, sempre esteve atendo as pastorais de forma individual, afim de zelar pela comunidade como um todo”, relatou ainda. “A gratidão será um sentimento que levarei para sempre comigo, todas as vezes que tocarmos no nome dele. Ele resgatou a família São Benedito”, complementou.

O próprio frei Cristiano preferiu não comentar durante a entrevista para A COMARCA sobre suas ações ao longo de oito anos como pároco de São Benedito. Preferiu pedir orações aos novos sacerdotes que assumirão a paróquia a partir de 2019. No entanto, garantiu que, se tivesse que começar tudo outra vez, começaria, sem sombra de dúvidas. “Deus provê, Deus proverá. Sua misericórdia não faltará”, encerrou.



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