Sem 13º salário, funcionários da Santa Casa podem entrar em greve

Os funcionários da Santa Casa de Mogi Mirim pode entrar em greve na próxima quinta-feira, 13. O motivo é o atraso no pagamento do 13º salário e a proposta da direção do hospital, recusada pelos trabalhadores, de quitar o benefício em fevereiro do próximo ano. A decisão dos funcionários tem o amparo do Sinsaúde, o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e Região.

Uma assembleia foi convocada no último dia 3. depois que a Santa Casa deixou de pagar a primeira parcela do 13º salário dos funcionários no dia 30 de novembro e avisou que não teria como honrar o benefício dentro dos prazos estipulados pela Lei. “A Santa Casa deixou de pagar o 13º do ano passado, que é objeto de ação judicial. E agora, o mesmo fato está ocorrendo, gerando um descontentamento nos trabalhadores”, justificou o diretor jurídico do Sinsaúde, Paulo Gonçalves.

O 13º salário pode ser pago à vista ou em duas parcelas. Via de regra, o pagamento parcelado é feito no dia 30 de novembro e até o dia 20 de dezembro. Gonçalves informou que o sindicato tem uma linha geral, apoiada por boa parte dos trabalhadores, de que quando o empregador não paga a primeira parcela no dia 30, há a possibilidade de a empresa fazer o pagamento integral até o dia 10 de dezembro, sem cobrança de juros e multa.

Gonçalves destacou ainda que o manifesto de greve foi comunicado ao Ministério Público do Trabalho, ao Conselho Municipal de Saúde, à Prefeitura e à Câmara Municipal. “Pode acontecer um fato político que resolva esse impasse. Estamos abertos a uma proposta para levar para apreciação dos funcionários em assembleia”, frisou.

Para o diretor, a manifestação de greve é o resultado de uma somatória de situações que vem causando descontentamento nos trabalhadores. “São atrasos nos pagamentos de férias, demissão sem acerto, enfim, é uma série de fatores que tem gerado esse cenário”, frisou.

“Peço encarecidamente que a população ajude os funcionários. Os trabalhadores da saúde são diferenciados, por lidar com vidas. Imagina um funcionário que espera o ano todo para receber o 13º, pagar suas contas e passar o fim do ano com a família, e não recebe? Como vai trabalhar lidando com vidas humanas? ”, atentou.

E acrescentou. “A Santa Casa não pode continuar assim, sem diálogo com o Sindicato penalizando seus funcionários. Uma entidade filantrópica que depende do SUS não deve ficar esperando dinheiro cair do céu, precisa se mexer para honrar seus compromissos; deve por exemplo, correr atrás de agentes políticos que possam intermediar junto aos governos, verbas que venham suprir este tipo de necessidade”, apontou o diretor.

Através da assessoria de comunicação, a diretoria da Santa Casa se manifestou apenas dizendo que está tentando honrar seus compromissos e que tem até segunda-feira para tentar evitar uma greve.

Em assembleia realizada nesta terça-feira, 11, os trabalhadores da Santa Casa decidiram adiar para a próxima quinta-feira, 13, a decisão sobre a greve. A decisão foi tomada para que os trabalhadores possam contar com o apoio da população e entidades do município.

Na quinta, às 14h, os trabalhadores realizarão uma passeata pelas ruas e avenidas do município, saindo da Santa Casa até a porta da Prefeitura. Após a marcha que pretende conscientizar a população sobre a situação dos trabalhadores da Santa Casa, haverá uma nova assembleia na porta do hospital, para dar início ou não à greve.

Ainda nesta terça-feira, a Santa Casa apresentou uma proposta de pagar o 13º desse ano e o do ano passado em quatro parcelas a partir de abril de 2019, proposta que foi prontamente rejeitada pelos trabalhadores.



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