Mogi Mirim vive crise de desabastecimento de água

Desde o início do ano, o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos) tem encontrado dificuldades para assegurar o abastecimento de água para toda a população mogimiriana. Tanto que nesta semana, a autarquia admitiu que devido ao excesso de consumo de água nos últimos dias, em virtude das altas temperaturas, alguns bairros da cidade estão enfrentando desabastecimento. Ou seja, está faltando água nas casas dos moradores, já que quando o volume da captação não é suficiente para abastecer os reservatórios, o abastecimento fica comprometido.

“Não há motivo para a gente vir aqui e enganar a população. Hoje, na atual circunstância, o que a população está consumindo de água é mais que o Saae pode produzir. Nós chegamos numa situação em que os níveis de reserva caíram demais, e tem localidades que a gente não consegue suprir a demanda. Não conseguimos fornecer a quantidade de água que aquela população consome, isso tem se concentrado principalmente na região do Jardim Paulista e parte alta da zona Leste”, lamentou o presidente da autarquia, Rodrigo Sernaglia.

A autarquia tem feito manobras desde sábado, 12, a fim de garantir o abastecimento nos reservatórios, mas com temperaturas próximas dos 35 graus, o consumo de água tem superado as previsões. “Infelizmente, não temos nenhum milagre a fazer, temos que pedir à população que use água de maneira racional, que consiga economizar água, use para aquilo que realmente é necessário”, frisou.

Embora essa dificuldade venha desde o início do ano, a situação se agravou no final de semana. Por isso, desde sábado, o Saae tem acompanhando essas intercorrências e ainda não conseguiu recuperar o sistema. Por isso, Sernaglia fez uma projeção nada animadora. “Com as temperaturas altas que temos registrado e falta de chuva, a tendência é piorar. Há situações em que os reservatórios não tinham um pingo de água mesmo. Falta água para a população. Reforço a necessidade em usar água racionalmente”, frisou.

O que pode ser um alento é o fato de o Saae não descartar a possibilidade de que exista vazamentos nas tubulações. O presidente disse que a autarquia tem trabalhado para identificar eventuais vazamentos e, houver, corrigir esse problema. “O sistema de produção de água não se alterou, a população não cresceu e as atividades industriais também não tiveram grandes sobressaltos. Em tese, o sistema deveria conseguir manter o abastecimento para essa população. É por isso que não descarto a hipótese de um vazamento. Se a gente conseguia manter esse abastecimento até um mês e meio ou dois, por que não conseguimos fazer isso agora?”, ponderou.

Além do alto consumo, a falta de chuva também é fator preponderante. “Em dia que está chovendo, você não vê as pessoas lavando calçada, lavando carro. Isso ajuda a manter o sistema equilibrado, em níveis elevados de reservação. À medida que não tem chuva, as pessoas sentem calor e há aumento de consumo de uma maneira incrível. Você olha o sistema de telemetria e observa baixando os níveis de minuto a minuto. Do final da tarde ao início da noite, é o pior horário, é o período mais crítico”, observou.

Para amenizar e, quem sabe, acabar com o problema, obras estão sendo feitas pelo Saae para aumentar a oferta de água. Rodrigo Sernaglia informou que a autarquia tem um financiamento com a Caixa Econômica Federal, oriundo do PAC 2 (Programa de Aceleramento do Crescimento), para a construção da a terceira adutora de água bruta. “O trabalho está bem avançado já, cerca de 80% da linha já foi instalada”, informou.

Além disso, segundo o presidente, o Saae deve publicar em fevereiro, o edital de licitação para a duplicação da ETA (Estação de Tratamento de Água). “São obras que já estão em nosso orçamento, inclusive de 2019, que devem durar em torno de 12 meses. É possível que no início do próximo ano tenhamos o sistema funcionamento, que resolverá todos os problemas em tese. Vai nos dar condições de operar com folga, até com capacidade ociosa”, adiantou.

Sernaglia explicou que essa ‘ociosidade’ é necessária, face a alguns fatores que implicam nas operações. “Muita gente não sabe, mas, das 17h30 até as 20h30, a energia elétrica custa mais caro que o horário normal. Nossa ideia com a ETA trabalhando com capacidade dobrada, é que tenha folga para trabalhar nesse horário, para economizar energia. Hoje não conseguimos, porque o bombeamento funciona quase que 24 horas por dia, isso encarece nosso custo operacional”, argumentou.

“À medida que temos uma condição de ter folga, capacidade ociosa no sistema, nós podemos trabalhar menos nesses horários em que a energia é mais cara, para que a gente contenha nossos custos operacionais, e isso pode reverter em diminuição na fatura do contribuinte, ou num ano que não tenha reajuste para o contribuinte, Essa capacidade tem o seu porquê dentro do planejamento da autarquia”, reforçou.

Enquanto aguarda as obras, a Saae segue administrando dentro da capacidade possível, realizando manobras no sistema. “A gente manda menos água num canto para mandar mais para outro, para poder equalizar o sistema. A pessoa pode sentir que a água de sua casa está com menos de pressão, mas não vai faltar. Mas, não vamos vencer sempre. Por isso, a colaboração da população é fundamental. Não temos condições operacionais de produzir mais água hoje. Se consumir mais, vai faltar para alguém. Então, todos devem colaborar para que não falte água para ninguém”.

BOMBA

No início da noite de sexta-feira, 18, a Prefeitura informou, em nota, que o Saae detectou um problema na bomba da Estação de Captação, junto à barragem da represa, no bairro Paraíso da Cachoeira. O equipamento, devido a ação do tempo, não estava captando o volume de água ideal para abastecer todos os reservatórios. Técnicos da autarquia identificaram o problema e imediatamente foi determinada sua substituição.

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