Prefeitura não descarta demolição do antigo Centro de Saúde

Flávio Magalhães

A Prefeitura ainda avalia quais providências devem ser tomadas em relação ao antigo prédio do Centro de Saúde, localizado na Avenida Santo Antonio, ao lado do Centro Cultural “Lauro Monteiro de Carvalho e Silva”. A decisão deve ser tomada após reuniões com o Ministério Público e a Justiça local.

O parecer do Centro de Documentação Histórica (Cedoch) emitido em agosto do ano passado desaconselhando a demolição do prédio, como queria a Prefeitura, não colocou um ponto final no imbróglio. Isso porque um abaixo-assinado vem sendo organizado pelos moradores daquela região para que o Poder Público tome providências quanto ao imóvel.

Nesta semana, A COMARCA recebeu relatos de que o antigo Centro de Saúde vem servindo de abrigo para usuários de drogas e de que materiais como telhas estão sendo furtados do local, que já não possui portões. Por enquanto, segundo informou a Administração Municipal, atitudes serão adotadas apenas depois que uma decisão final sobre o prédio.

Após o parecer do Cedoch, o secretário de Governo Danilo Zinetti está reunindo mais informações sobre as condições do imóvel. Um segundo documento, elaborado pela Defesa Civil, já foi entregue à Prefeitura opinando pela demolição do prédio, que estaria condenado. Agora Zinetti aguarda uma avaliação do CREA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) antes de se reunir com representantes da Justiça e do MP.

Para A COMARCA, o prefeito Carlos Nelson Bueno (PSDB) afirmou que tem opinião contrária à do Cedoch. “O prédio não tem qualidade artística ou arquitetônica, tanto que foi abandonado. Não por nós, pelos que vieram antes de nós”, ressaltou. “Foi um laudo infeliz”, resumiu. A intenção do chefe do Executivo é aumentar a área útil do Centro Cultural com a demolição do antigo Centro de Saúde.

Futuro do prédio abandonado em plena região central ainda é incerto

RELEMBRE
A conclusão do parecer emitido pelo Cedoch sobre o pedido de demolição do imóvel localizado na Avenida Santo Antonio é de que o prédio possui valor histórico e não deve ser derrubado. O documento apontou que o imóvel do Centro de Saúde possui “significativo valor histórico” não apenas para Mogi Mirim, mas também para o Estado de São Paulo, visto que é fruto da “Escola Paulista de Arquitetura Moderna”, conhecida pela adoção do concreto armado aparente e pela valorização da estrutura.

Na época, o prefeito Carlos Nelson deu sinais de que iria respeitar a sugestão do Cedoch, ou seja, não ordenar a demolição do prédio da Avenida Santo Antonio. “Não sou o dono da cidade, mas vai ficar aquele elefante branco”, disse para A COMARCA, em referência ao Centro de Saúde. O parecer possui caráter meramente opinativo, embora seja embasado e endossado por arquitetos, historiadores e professores. A obrigação de consulta prévia ao órgão foi instituída em 2015, durante a revisão do Plano Diretor, numa tentativa de se preservar o já escasso patrimônio histórico-cultural de Mogi Mirim.

Na ocasião da inauguração do Centro de Saúde, em 1961, A COMARCA não poupou criticas ao imóvel. “Prédio insignificante, com falhas gritantes”, cravou o jornalista Arthur Azevedo, na época. Isso porque a construção se mostrava acanhada, aquém da sua importância. O parecer emitido pelo Cedoch indica que as críticas de A COMARCA tinham fundamento, já que a antiga Unidade Polivalente de Saúde recebeu ampliações após a sua inauguração, um indício de que o imóvel original não suportava a demanda de serviços.

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top