Será o fim do Mogi Mirim Esporte Clube?

Aconteceu na tarde de terça-feira, 29, o Conselho Arbitral do Campeonato Paulista Sub-23 da Segunda Divisão, a popular Bezinha, previsto para começar no dia 7 de abril. E como era o mais provável, o Mogi Mirim Esporte Clube não participou do encontro que aconteceu em São Paulo, na sede da Federação Paulista de Futebol. A ausência dá margem para que o clube fique de fora da competição. Seria a primeira vez que o Sapo deixaria de disputar um estadual depois de 43 anos. A última vez foi em 1976.

Para que pudesse ter participado do Conselho Arbitral, o clube tinha que atender as diretrizes para a participação dos clubes não apenas no encontro de terça-feira, mas, na competição. E uma das exigências da entidade máxima do futebol paulista é de que os estádios a serem utilizados pelas equipes estejam em condições de uso, atendendo as normas de segurança e higiene.

Porém, para comprovar essa condição, os clubes deveriam ter apresentado ao Departamento de Segurança e Prevenção da Violência da FPF, na segunda-feira, 28, os laudos técnicos aprovados de Condições Sanitárias e de Higiene, Prevenção e Combate de Incêndio e Pânico, de Segurança, Vistoria de Engenharia, Acessibilidade e Conforto e Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros - AVCB, emitidos pelos órgãos e autoridades competentes.

Sem essa formalidade, os clubes sequer poderiam participar do Arbitral e, de acordo com a resolução, os clubes que não participassem deste encontro, estariam automaticamente impedidos de participar da Bezinha deste ano. Como era previsto, o Mogi não teve tempo hábil para regularizar a situação do estádio Vail Chaves, que está interditado desde 31 de outubro de 2017, justamente quando venceu o AVCB e não foi renovado. E assim como este laudo, os demais também estão todos vencidos.

Sem comprovar as condições do Vail Chaves, o Mogi não pode participar do Arbitral. E se a resolução da FPF não for revista, o clube está fora da Bezinha, o que deixaria o Sapão fora de competições oficiais. A reportagem de A COMARCA procurou novamente o gestor geral do Mogi, Carlos Farias, para que ele pudesse falar sobre o futuro do clube. “Assim que tiver as informações precisas te dou retorno”, foi a mensagem que ele encaminhou.

Sem uma posição oficial do Mogi, coube ao ex-diretor de futebol do Sapo, Henrique Stort, tentar encontrar explicações para o momento nebuloso vivido pelo clube. Na quarta-feira, 30, ele concedeu entrevista à Rádio Brasil AM690 de Santa Bárbara d'Oeste. Stort foi procurado pela rádio, na qual explicou a ausência do time do Conselho Arbitral. No total, foram 18 minutos de entrevista.

Segundo Stort, o Mogi é o reflexo das más gestões de Rivaldo e Luz Henrique de Oliveira na presidência do clube, na qual está deteriorado, com a dilapidação de seu patrimônio. “Por essa razão, ficou de fora”, apontou. Para o ex-jogador e dirigente do Mogi, a única solução é destituir o presidente do cargo.

“Esse foi o imbróglio, não conseguimos tirar o Luiz Henrique do cargo juridicamente. No cartório, o Luiz Henrique ainda está no cargo. Existem vários processos, mas, o Mogi foi deixado de lado pela Justiça. Estamos à mercê da Justiça, que ela olhe com bons olhos para o Mogi. Se a Justiça tivesse agido lá atrás, o clube não estava nessa situação. O caminho é tirar o Luiz Henrique, tentamos um acordo na Justiça, mas, sem êxito”, comentou.

Mesmo diante do atual cenário, Stort ainda acredita num recomeço. “Eu ainda aposto, sou otimista, que o Mogi Mirim voltará a disputar o campeonato, mas, vai ter que começar do nada”, frisou.

Pelo menos no site da FPF, o nome de Luiz Henrique de Oliveira não aparece como o presidente do clube. Quem responde pelo Mogi Mirim para a entidade estadual, mas como presidente em exercício, é Rosane Lúcia de Araújo, eleita vice-presidente na chapa de LHO, na assembleia de novembro de 2017 que manteve o mandatário no cargo por mais um mandato. Rosane, inclusive, chegou a emitir cheques para pagamento de taxas de arbitragem em jogos do Mogi pelo Campeonato Brasileiro.

A COMARCA procurou a assessoria de comunicação da FPF para saber dos motivos da ausência do nome de Luiz Henrique no site, mas, não obteve resposta.

Extraoficialmente, A COMARCA apurou que a exclusão do nome do presidente teria sido determinada pela CBF, em razão dos danos que Luiz Henrique causou no Mogi. A assessoria de imprensa da CBF também foi procurada para confirmar essa versão, porém, não se manifestou a respeito deste questionamento.



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