Zona Norte é gargalo do abastecimento de água

Flávio Magalhães

Com a queda de energia provocada após o temporal da noite de domingo passado, 3, faltou água em alguns bairros de Mogi Mirim, especialmente na zona Norte da cidade. Desde o final de 2018, esse problema tem sido mais comum do que o habitual para os moradores daquela região. Diante disso, a reportagem de A COMARCA conversou com o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (Saae), Rodrigo Sernaglia, que explicou como funciona o sistema de abastecimento no município.

De início, Sernaglia admitiu que a quantidade de água produzida pela Saae atualmente não é suficiente para o consumo da população de Mogi Mirim. No entanto, os reservatórios espalhados pela cidade acabam equilibrando essa deficiência. “É quando se perde esse nível de reservação que não se consegue mais abastecer todos os pontos da cidade”, explicou. Esse nível de reservação é perdido quando a Estação de Tratamento de Água (ETA) para de funcionar.

O presidente do Saae mostrou para a reportagem de A COMARCA o sistema de telemetria, tecnologia que mede o nível de todos os reservatórios da cidade, apontando o gargalo do sistema de abastecimento: o sistema do Jardim Paulista. O reservatório de dois milhões de litros recebe água da estação da Praça Catarino Marangoni e distribui para grande parte da zona Norte e alguns bairros da zona Oeste de Mogi Mirim, como Nova Santa Cruz e Parque da Imprensa, além de condomínios fechados, como o Jardim Embaixador.

Quando a ETA para de funcionar, por falta de energia ou por problemas na captação de água bruta, o consumo afeta os níveis dos reservatórios, que praticamente se esgotam. Devido a grande área de cobertura, que compreende todos os bairros entre as avenidas Brasil e 22 de Outubro, o sistema Jardim Paulista é o primeiro a sentir os efeitos da falta de água. E, por suas características, também é o mais lento para recompor a condição de normalidade do abastecimento.

Isso ocorre por uma série de fatores. O primeiro deles é que, quando a ETA volta a funcionar após um período de inatividade, a vazão de água enviada para a estação da Praça Catarino Marangoni é baixa, devido ao pouco volume. Além disso, para evitar a entrada de ar no sistema, a estação da Praça Catarino Marangoni só abastece o reservatório do Jardim Paulista quando os níveis de reservação estão em 30% ou mais. “Enquanto não chega nesse nível, ela não envia água para essa região”, frisou Sernaglia.

Já o reservatório do Jardim Paulista é dividido em dois: um módulo superior e outro subterrâneo, com capacidade para um milhão de litros em cada um. A parte inferior, além de abastecer alguns bairros, precisa enviar água para a parte de cima, que abastece outras regiões. Todo esse processo também contribui para a lentidão na recomposição plena do sistema.

SOLUÇÃO
Até o próximo verão, o Saae espera estar em condições de reduzir consideravelmente as interrupções no fornecimento de água para a população. Para isso, está em andamento a construção da terceira adutora de captação de água bruta. Maior do que as outras duas em funcionamento hoje, a nova adutora será capaz de dobrar o volume de água captado no Rio Mogi Guaçu. Serão mais de seis quilômetros de tubulação, da barragem de Mogi Guaçu até a ETA, numa obra financiada junto a Caixa Econômica Federal, oriundo do PAC 2 (Programa de Aceleramento do Crescimento).

“Mas de nada adianta dobrar a água captada se não tivermos capacidade de tratar tudo isso, então também estamos nos preparando nesse sentido”, destacou o presidente do Saae, se referindo ao edital de licitação para a duplicação da ETA, outra obra que será realizada neste ano, já prevista no orçamento de 2019. Assim, não será mais necessária a produção de água tratada durante 24 horas por dia, como vem acontecendo recentemente.

“Das 17h30 até as 20h30, a energia elétrica custa mais caro, encarecendo nosso custo operacional. Com a ETA trabalhando com capacidade dobrada, provavelmente teremos folga para trabalhar nesse horário, para economizar energia”, argumentou. Ao reduzir custos, a autarquia pode se beneficiar ao conseguir bancar outras obras de infraestrutura ou até mesmo, em casos específicos, conceder reajustes um pouco menores do que o planejado.

Reservatório do Jardim Paulista é o primeiro a sentir os efeitos da falta d'água


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