Após acusações, Santa Casa fala em 'perseguição' e 'ameaças'

Em nota assinada pelo provedor Milton Bonatti, a Santa Casa se manifestou a respeito da denúncia feita pela Prefeitura, de que teria movimentado dinheiro público na conta de particulares. No texto, Bonatti diz que "não é novidade para ninguém que a Santa Casa possui inúmeras ações executivas contra ela, muitas com pedido de penhora online". E que o “dinheiro, de verba pública, ‘dormindo’ na conta bancária da Santa Casa, fatalmente seria penhorado, como o foi em vários casos, ocasionando a perda de eficiência na operação hospitalar (atendimento à população)”.

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Por isso, admitiu que a Santa Casa movimentou o dinheiro que recebe - não só dinheiro público - na conta de um terceiro, ou seja, uma única pessoa e não de "particulares" como cita o informe publicado pela Prefeitura, ao qual, segundo ele, "a Mesa Diretora agradece de coração em reconhecimento ao sacrifício".
O provedor explicou que "movimentar" significa "tão só que o dinheiro chegava na conta bancária da Santa Casa e saía para a conta dessa caridosa pessoa, para não ser alvo de penhora indevida, pois trata-se de verba impenhorável, independentemente dos interesses postos".

Ainda segundo ele, no dia seguinte ou nos dias posteriores, em função da Santa Casa precisar todo dia do dinheiro para pagar suas contas, o numerário voltava conforme os pagamentos iam sendo realizados pelo financeiro. Bonatti fez questão de frisar que "todos os pagamentos ocorreram na conta bancária da Santa Casa e as contas foram prestadas à Prefeitura e aos demais órgãos competentes". Por essa razão, tem a certeza de que a Justiça decidirá esse impasse com a "imparcialidade necessária".

“Se há ou não impedimento para se fazer repasses à Santa Casa, a Justiça determinará. E é a ela que a Irmandade da Santa Casa estará recorrendo a partir de hoje (sexta-feira), porque conversar mais do que já foi conversado, não dá mais. Não nos submeteremos a qualquer imposição extorsiva de cunho eminentemente político”, garantiu.

Ainda respondendo às informações veiculadas pela Prefeitura, o provedor disse que a dívida apontada de R$ 58 milhões é, na realidade, em valores presentes, de quase R$ 36 milhões. “Somando os juros futuros sobre os empréstimos - R$ 16.659.983,18 - juros que serão pagos ao longo dos próximos oito anos com a grande possibilidade de haver negociação nos próximos meses para redução desses juros, a dívida chega a R$ 52.657.881,89”, informou.

Esses números foram extraídos do balanço do exercício de 2018 da Irmandade, segundo Bonatti, e que até o próximo dia 31 de março, a Irmandade realizará a sua Assembleia Geral Ordinária anual para apresentação detalhada desses números e posterior publicação.

Ele também rebateu a informação de que a Santa Casa não vem prestando os serviços destinados a ela. “Não é verdade. Se assim fosse, quem dela precisa estaria, com certeza, reclamando. Os índices de satisfação com o atendimento ultrapassam 90%. Isto é medido diariamente dentro do hospital e apresentado periodicamente aos órgãos que nos fiscalizam, principalmente a Secretaria de Saúde do município”, apontou.

E não escondeu que a Santa Casa sofre descontos constantes por parte da Prefeitura, por "perseguição política atual e reiteração passada para apossamento forçado do hospital para promoção de imagem de intenções vis e de ingerência institucional, como ocorreu em 2012". Segundo o provedor, a Vigilância Sanitária e a Auditoria da Secretaria de Saúde fiscalizam diariamente a Santa Casa e, "mesmo com essa perseguição", nega que a Administração Municipal é constantemente ameaçada pela direção da Santa Casa.

“As ameaças, como de conhecimento geral, partem unicamente da cúpula governamental. O informe da Prefeitura prova o contrário, ou seja, quem vem sofrendo ameaças constantes da Secretaria de Saúde e da Vigilância Sanitária é a Santa Casa”, afirmou.

Ainda na nota, Bonatti destaca que a Santa Casa é uma instituição com 152 anos de existência, filantrópica e privada. E que ela pertence a uma Irmandade. “É patrimônio dela. E se a Prefeitura entende que o hospital é público, que é da população mogimiriana que paga pelos serviços que ali são realizados – e são realizados - a dívida também o é. Ora, a Prefeitura quer assumir a Santa Casa e a Irmandade ficar com a dívida? ”, atentou.

E acrescentou. “Que bom saber que a Prefeitura não vai intervir formalmente na Santa Casa. Se houver realmente interesse em assumir o hospital, que então se pague valor justo a fim de que a Irmandade possa honrar as dívidas assumidas em seu CNPJ. Que ninguém se promova com ilusões populares de um povo que sofre por ineficiência do gestor público”.

O provedor lembrou a intervenção municipal de 2012 - feita na gestão de Carlos Nelson Bueno - para convocar o povo a escolher um lado. “Ou da Prefeitura, que quer a promoção de seus agentes políticos em proveito próprio de reeleição, ou da Santa Casa, que há 152 anos ininterruptos promove o bem-estar e a saúde, sem ver a quem ajuda, e sendo o único hospital que atende efetivamente os que mais precisam, mesmo sofrendo déficit financeiro arquitetado desde 2017 com a produção dos decretos municipais”.

E por fim, assegurou que o atendimento está normalizado e o hospital, que não é público, está em pleno funcionamento, para qualquer cidadão que dele necessite. “A saúde da população que precisa da Santa Casa veio sempre em primeiro lugar. Não há espaço para interesses secundários. Não se cria desculpa para se promover a saúde pública”, finalizou.

Provedor Milton Bonatti relembrou intervenção de 2012 e convocou a população a 'escolher um lado'

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