O alvinegro centenário da zona Norte

A Associação Atlética Tucurense tem uma história que se confunde com o futebol amador de Mogi Mirim e região. Fundado em 17 de março de 1919 (coincidentemente, mesmo dia de nascimento de Paulo Bolinha), o time do Tucura teve como fundadores as famílias Vomero, Oliveira, Bucci, Bazani, Zorzetto, Andrade, Gonçalves, Antonio, Costa, Teixeira, dentre outras de nossa cidade.

Se compararmos outros times com o alvinegro, percebemos que seu centenário e sua tradição não são por acaso. Vejam, o espanhol Valencia, que já foi finalista da Liga dos Campeões, foi fundado exatamente um dia depois da Tucurense. Ainda na Europa, um dos times mais badalados da atualidade, o PSG, foi fundado em 1970, quando a Tucurense já contava com mais de meio século de história e três títulos na elite do amador mogimiriano. Aqui pelo Brasil, o Cruzeiro chegará ao centenário apenas em 2021 e o São Paulo em 2030.


A Tucurense esteve perto de ser o clube profissional da cidade. Em 1970, quando a Federação Paulista de Futebol (FPF) avaliava os estádios mogimirianos, o distrital “Angelo Rottoli”, no Tucura, foi cogitado para aprovação. Tucurense, Peixe e Mogi Mirim Esporte Clube (MMEC) eram clubes amadores na época e o Sapão foi eleito para assumir o posto profissional. Se o Sapo levou a melhor nesse embate, quando os times se enfrentaram em uma final de Amador, a vitória foi da Tucurense. Em 1965, a decisão da Primeira Divisão foi entre Veterana e MMEC e o título ficou com o clube do Tucura.

Mas antes disso, a Tucurense disputou campeonatos na cidade de Mogi Mirim e alguns jogos na região, nos anos de 1928, 1934, 1938 e 1946. Em 1948, vamos encontrar o Francisco Oliveira, popularmente conhecido por “Chico Batata”, dirigindo o time de futebol ainda no antigo campo, onde hoje se localiza o Jardim América, ao lado do supermercado Lavapés. Nos anos de 1950, o time do Tucura começa a ser respeitado pelas demais agremiações da cidade, conquistando em 1952 seu vice-campeonato.

A equipe a fazer sua primeira conquista era constituída por Tim Zaniboni, Turcão, Zé Rosca, que na década de 1990 foi nome de troféu, Manduca, Berto Coco e Paulão, Lula, Sabino, Nico, Tião Bazani e Pedrinho.

O campeonato de 1953 não chega ao seu final, pois o MMEC proíbe os jogos em seu campo, e o campeonato é encerrado, estando empatados na classificação Tucura, América e Olímpico todos com zero ponto. Por volta de 1955, o novo campo do Tucura passa ser o antigo campo do cemitério, onde hoje encontra-se o Centro Esportivo “Ocílio Rotoli” e o campeonato da cidade volta a ser disputado em 1956.

Vamos para os anos 60, quando as equipes amadoras começam a se organizar, após a desativação do time profissional do MMEC e realizam no ano de 1960 um bom campeonato. Porém, entre 1961 e 1963, o campeonato amador da cidade não se realiza.

CONQUISTAS
Com a vinda da família Fuzeto de São Paulo para Mogi Mirim, mais precisamente para o bairro do Tucura, no ano de 1963, e com um bom futebol do saudoso Maurício Fuzeto e do seu irmão Benício, os tucurenses se movimentam e se organizam.  Assume como presidente Affonso Zorzetto, conhecido carinhosamente por “Nico Beija-Flor”. Graças a essa nova organização e ao comando técnico de Edgar Ferreira, o time do Tucura conquista o campeonato de 1964 sendo chamada pelo jornal A COMARCA de o “Esquadrão do Samba”, em homenagem à sua torcida, que comparecia nos campos de futebol com a sua animada batucada.

Afonso Zorzetto, como presidente, ganha mais dois campeonatos: 1965 e 1966, conquistando o tricampeonato amador da cidade, juntamente com os irmãos Fuzeto. Mais um título em 1969, mas o campeonato foi paralisado devido a morte de seu organizador, o vereador Marcos Benedito Portiolli. A decisão veio somente em 1971.

Os anos 1970 vieram, e com ele a conquista do título em 1971 e do vice em 1972 – perdendo para o Milionários. Mas o bi veio em 1975 e 1976, vencendo o Mirante e o Floresta, respectivamente, sendo que a vitória sobre o Floresta foi decidida nos pênaltis. Nesses dois campeonatos, o saudoso Paulo Borges Monteiro, o Paulo Bolinha, sagrou-se campeão como zagueiro da Tucurense, jogando ao lado do cunhado Edson Pereira Goulart.

ALTOS E BAIXOS
Na década seguinte, passa a ser comandado pelo esportista Antônio José da Costa e seu filho Josué Costa, o “Zuza”, sobrinho de Paulo Bolinha. O trabalho passa a ser desenvolvido visando as categorias de base, ficando fora das primeiras colocações nos primeiros anos da década de 1980. Na verdade, o Tucura não conquistou nenhum título entre 1977 e 1988.  Em 1987, conseguiu ser vice-campeão, perdendo a final para a Cloroetil.

Depois de um período de “seca”, em 1989, com a vitória sobre o Vila Dias na final, a Tucurense conquistou seu sétimo título, o primeiro sob o comando de Paulo Bolinha, um dos nomes mais emblemáticos da história da Tucurense. Neste ano, foi campeão como meia-atacante o saudoso Marfim.
Em 1989 o campeonato passa a ser organizado pela extinta ACFAMM – Associação de Clubes de Futebol Amador de Mogi Mirim, a qual teve como presidentes nomes como José Márcio Rótoli Mansur, o Zé Márcio, e Paulo Bolinha.



Inicia-se então a década de 90, com a perda do título para a Cloroetil dirigida por Zé Márcio. Com a morte do presidente Antônio José da Costa em 1991, assume o comando time o esportista Luiz Gonzaga Frossa, grande colaborador da Tucurense desde os anos de 1975, tornando-se vice-campeão em 1992. No ano seguinte, o time tem como presidente Paulo Bolinha, conquistando o campeonato de 1993.

Em 1996, sob o comando de Jairo Borges Monteiro, o Tucura não conquista nenhum título. Em 1997, a alvinegra da Zona Norte surpreende com uma equipe jovem e ganha o campeonato sob o comando de Teixeira, contra o Mirante, mas no ano seguinte volta a ficar sem título. Em 1999, Everton Bombarda assume o comando técnico da equipe. Finalmente chegamos ao ano de 2000, mas a Veterana passa em branco nos campeonatos de 2000, 2001 e 2002.

Em 2003, novamente sob a presidência de Paulo Bolinha, a Tucurense surpreende e ganha o campeonato com uma equipe jovem, revelando jogadores para o profissional. A vitória na final diante do Santa Cruz foi por 2 a 0, com gols de Sony e Daniel Santos. Em 2005, a equipe comandada por Denilson Santos, conhecido como “Preto”, fez uma ótima campanha, mas acabou ficando em 3º lugar, tendo Gerson Frezato, o “Alemão”, como técnico. Em 2010 e 2011, mais um bicampeonato, ganhando a final contra Mirante e Artbase, respectivamente. Em 2013, assume o comando o técnico Everaldo Pereira e, com ótima campanha, fica com a terceira colocação.

AUGE
O ápice acontece entre 2015 e 2018, com o tetracampeonato. Finais contra Kokobongo (2015), Milênio (2016), Jardim Europa (2017) e Vila Chaib (2018). O primeiro tetracampeão da história teve participação de Luis Antonio Pedroso, Leonardo Alves, Carlos Correia, Elcio Antonio, Oscar Gonçalves “Dinho”, Moises Santos, Ricardo Santos e Luiz Gonzaga Monteiro.  Agradecemos a Edgar Ferreira (o Déga), Thiago Toledo, José Rufino, Ademir Manera, Andreia Cristina e André Luiz, Fátima do Carmo e Paulo Borsoy.

Com Everton Bombarda como atual técnico e dirigente no comando, a Veterana foi campeã em 2010, 2011, 2015, 2016, 2017 e 2018. O primeiro tetracampeão consecutivo da história do Amador local, chegando assim à 16ª taça na elite, um recorde entre as cidades da região. Atualmente presidido por Deniz Vieira Antônio, o Alvinegro da zona Norte possui em suas galerias nomes que marcaram o amador local. A agremiação é a maior vencedora do campeonato, além de ser o clube mais antigo em atividade.

O goleiro Maurício e o zagueiro Tibúrcio aparecem entre os hexacampeões com a camisa da Tucurense. Com seis conquistas está o massagista Dinho. Ceará e Dênis possuem cinco títulos cada, enquanto nomes do presente, como Gui Mariano, Tandy e Iago, e do passado, como o goleiro Guga e Erinho, possuem quatro cada. Por falar em passado, figuras como o zagueiro Boca, os atacantes Benício e Maurício Fuzeto, os volantes José e Santo Coco, o goleiro Wilson Bonetti e o meia Eduardo Bazani são tricampeões. A lista de vencedores com a camisa da Veterana é longa. Assim como a de figuras importantes nos bastidores. Paulo Bolinha e o Dr. Luiz Gonzaga estão entre os principais expoentes, tanto que foram homenageados nas camisas da atual temporada.

Chegamos ao centenário. Foram muitas conquistas, muitas alegrias, e também muitas histórias. Agradecemos a todos os personagens, todos os participantes, todas as tradicionais famílias envolvidas e a todos que puderam contribuir de qualquer forma com essa história marcada por um passado glorioso, um presente competitivo e um futuro que ainda terá muitos capítulos a serem contados. (Autoria de Paulo Borges Monteiro, Everton Bombarda, Nelson Victal do Prado e Paula Renata Goulart Monteiro Borracini)

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