Santa Casa estava 'devastada', diz interventora

Flávio Magalhães

“A impressão que a gente tem é o de um lugar devastado, como se tivesse passado um tsunami”. O relato da interventora Rosa Iamarino dá conta da situação de precariedade estrutural encontrada pela Prefeitura ao assumir a gestão dos serviços públicos de Saúde na Santa Casa de Misericórdia.

Logo nos primeiros dias, a Prefeitura se viu obrigada a realizar os consertos nos aparelhos de ar condicionado da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e do centro cirúrgico, além de reparos no elevador. Na área clínica foram restabelecidos os exames laboratoriais no período noturno. Anteriormente os pedidos eram autorizados somente durante o dia.

“As pessoas já estavam consertando algumas coisas do próprio bolso, para poder trabalhar”, afirmou Rosa. “Nós tivemos de comprar insumos de maneira geral, do papel higiênico ao material cirúrgico”, completou. Desde que assumiu a gestão dos serviços públicos de Saúde, a Prefeitura vem conversando com médicos, funcionários e fornecedores, a fim de regularizar a situação encontrada no hospital.

A interventora lembrou ainda que os funcionários estavam trabalhando sem receber, mas que a folha de pagamento referente a março, vencida no último dia 5, já sob intervenção da Prefeitura, foi paga integralmente. Foram cerca de R$ 700 mil e mais R$ 200 mil referentes aos encargos trabalhistas como INSS e FGTS. Os médicos devem ser pagos nos próximos dias.

O prefeito Carlos Nelson Bueno também comentou dos problemas para gerenciar a Santa Casa. “Vocês não têm noção do tamanho do imbróglio que é assumir a Saúde dessa forma. Eu estou doente”, desabafou. “O buraco é mais embaixo. Eu estou absolutamente perplexo pelas dificuldades que temos pela frente”, ressaltou.

Carlos Nelson afirmou que o desafio da Prefeitura agora é “duplamente importante”, ao precisar “consertar um hospital endividado que não nos pertence” e abastecer esse hospital com os pacientes vindos das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Há seis anos fiz a intervenção. Agora a Justiça determinou a intervenção novamente. Quanto tempo se perdeu? Quanto recurso se desviou?”, questionou.

Atendimento público está sob intervenção da Prefeitura desde o início do mês

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