Ricardo Brandão critica proposta de hospital municipal

O ex-prefeito Ricardo Brandão (MDB) não esconde sua preocupação com a possibilidade de aprovação dos projetos de lei na Câmara Municipal que autorizam a Prefeitura de Mogi Mirim a emprestar R$ 17 milhões que, somados a outros R$ 10 milhões em caixa, serão utilizados na construção de um hospital municipal no Jardim Aeroclube, zona Oeste da cidade.

“Com R$ 27 milhões não se faz um hospital. Ele [atual prefeito] vai construir uma porta para o doente entrar sem ser atendido”, sentenciou Ricardo, em entrevista para A COMARCA na manhã de sexta-feira, 10. Ainda se recuperado de um quadro de dengue, o ex-prefeito criticou a postura de Carlos Nelson Bueno (PSDB) na falta de diálogo sobre o projeto do hospital. Faltou, na opinião dele, apresentação mais clara das intenções da Administração Municipal.

Ricardo, se apresentando como pré-candidato a prefeito, criticou as decisões tomadas até agora, lamentou o fechamento da UANA na Santa Casa, teme pelo futuro da instituição com a falta de apoio da Prefeitura e ainda criticou a falta de políticas para a segurança e para a geração de emprego. Leia alguns tópicos da entrevista:
 
HOSPITAL MUNICIPAL
Vou falar do hospital observando dois aspectos. Quero falar um pouco do lado técnico. Esse hospital municipal que o prefeito quer implantar, na minha avaliação, é uma obra inviável para o momento e que vai trazer grandes prejuízos no futuro para o Município. Não é fácil elaborar um projeto como esse, com engenharia, arquitetura. Requer gente especializada. É um projeto longo, custoso. Com R$ 27 milhões não se faz um hospital. Ele vai construir uma porta para o doente entrar sem ser atendido. Hospital é algo grande. O de Mogi Guaçu é aquele prédio enorme com apenas 40 leitos. Custa para a prefeitura mais de R$ 40 milhões por ano, com prejuízo de R$ 33 milhões. Quanto investimos com recursos próprio na Santa Casa de Mogi Mirim? Nem R$ 20 milhões. Tem mais: em Mogi Guaçu, a prefeitura mantém o hospital municipal e tem uma parceria muito boa com a Santa Casa. Aqui, o prefeito quer construir o seu hospital, porque é um desejo tão somente dele, sem ter ouvido a população, e ainda por cima dar as costas para a Santa Casa.

E é aí que eu entro no lado que envolve um pouco de gratidão. Mogi Mirim utiliza a Santa Casa por mais de 150 anos. Investimos em serviços, em prestação de serviço para a população. Houve momentos de parceria, de cogestão, até mesmo governos anteriores investiram pesado na Santa Casa, mas o prefeito atual eu não sei o que ele tem contra a Santa Casa, porque em 2012 já decretou intervenção e neste mandato atual já reduziu 20% dos repasses, sem falar nos atrasos de pagamento propositais. Ele não gosta da Santa Casa. E esse não é o melhor caminho, porque a proposta dele é emprestar dinheiro para construir um hospital que, nos primeiros anos, não atenderá a nossa demanda. Vou antecipar o que vai acontecer se esse projeto for aprovado, se esse empréstimo de R$ 17 milhões for autorizado pela Câmara: o próximo prefeito terá que gastar muito mais dinheiro para entregar a obra, para que o hospital funcione minimamente como se espera. E quem vai trabalhar nele? A Prefeitura terá que contratar, equipar, tudo isso é muito dinheiro. Em algum momento tivemos alguma discussão a respeito? O prefeito não dialogou, não apresentou projeto, não levou isso ao conhecimento do mogimiriano. A Câmara poderá entregar na mão dele um cheque em branco, porque não temos ideia o que será esse hospital municipal.

Tudo na minha avaliação é inviável. Não podemos deixar de olhar na estrutura montada que é a Santa Casa de Mogi Mirim. É uma irmandade centenária, e tenho muito carinho porque eu nasci nela, meus filhos nasceram nela, muitos mogimirianos nasceram nela. O prefeito, não. Por isso, não tem intenção alguma de preservar essa história.

DÍVIDA DA SANTA CASA
O problema da dívida da Santa Casa é unicamente da Santa Casa. A Prefeitura tem o seu papel de parceira. Deve contratar serviços pagando o que merece ser pago, e não o que a Prefeitura quer pagar. Isso é o que tem acontecido. A Santa Casa é um prestador de serviço e o serviço engloba uma série de coisas que hoje não se leva em conta. Não quero que o prefeito pague a dívida da Santa Casa que é impagável, o que a gente quer é que haja ações políticas. Ele como prefeito deve buscar deputados, governador, tentar congelar essa dívida e viabilizar a parte de estrutura do hospital, de atendimento do hospital. Bastar ter vontade.
É necessário que tenha planejamento, que repasse os recursos e não estrangule a Santa Casa. Já conhecemos quem é o prefeito. É uma pessoa raivosa e vingativa. Isso ele está fazendo desde o segundo mandato, quando fez a intervenção na Santa Casa. Não adianta ele não gostar do administrador, não adianta palpitar numa dívida que não é dele, tem que olhar com carinho para a Santa Casa, porque quem usa a Santa Casa é porque não tem convênio e não é atendido em Campinas.

COMO AVALIA A SAÚDE?
A saúde de Mogi Mirim está um caos. O fechamento da UANA provou ser um péssimo negócio. A UPA da Zona Leste, onde está, não é bom pra ninguém. Fica longe da Santa Casa. Imagine a distância se o hospital do atual prefeito for construído. O paciente da UPA terá que atravessar a cidade até o hospital em caso de maior gravidade. A decisão do prefeito de fechar a UANA veio no afogadilho, que atrapalhou toda a estrutura de atendimento em Mogi Mirim. As coisas na saúde, com relação UPA, Santa Casa e hospital só não melhoram agora porque o prefeito não quer.

Não sou contra a construção do hospital municipal, quem sabe no futuro seja a solução, através de uma parceria com empresário que queira investir na saúde. No momento, não é a saída. A Santa Casa é o nosso hospital. O prefeito fala que a região será beneficiada com o hospital. Ele deveria se preocupar com o mogimiriano, primeiramente. Nós estamos mal das pernas na saúde e a culpa é dele.

Se cabe aqui uma sugestão, se a vontade do prefeito for feita, os vereadores deveriam atrelar recursos para a Santa Casa na aprovação do investimento para a construção de um hospital.

CÂMARA
Daqui um ano e cinco meses, Mogi Mirim terá um novo prefeito. Os vereadores que votarem pela aprovação do hospital municipal vão ter responsabilidade futura. Acho que deveriam repensar e pensar na cogestão com a Santa Casa. O resultado é mais imediato e é o que a população precisa.

ELEIÇÕES
Se tem um lado bom nessa história, na eleição de 2016, embora não tenha vencido, foi importante para muitas pessoas me conhecerem. Fui prefeito entre 1977 a 1982, fiz inúmeras obras em Mogi Mirim, criei projetos, criei a Guarda Municipal e a Brigada de Incêndio. Tentei colocar para a população a necessidade de praticar a mudança, mudança de gestão. Penso que Mogi Mirim precisa ter um prefeito mais aberto, mais democrático, mais junto da população, que escute a população, que busque a solução através do diálogo, diferente do que ocorre agora. O prefeito atual não abriu discussão alguma sobre o hospital municipal.

Queria dizer que jamais abandonei a decisão de ser candidato em 2020. Agora em janeiro, dei uma entrevista dizendo que minha intenção é ser candidato em 2020. Estaria agindo como pré-candidato, porque ainda tenho a esperança de passar para a população um plano de governo que vem ao encontro aos anseios da comunidade. Fora a vontade de voltar a desenvolver Mogi Mirim.

CARÊNCIAS
Recentemente foi inaugurada a Havan. Tem o lado positivo, da geração de emprego, mas estas redes vêm como rolo compressor. O que precisa ser feito? Fortalecer o empresário, o microempresário, o autônomo, aquele que tem comércio. Não só trazer empresas, mas olhar para o nosso empresário. Mogi Mirim está largada nesse aspecto.

Não podemos nos iludir. Achávamos que o data-center do Itaú iria transformar a cidade. E o que mudou desde a sua inauguração? É importante? Claro que é. Mas, às vezes, é melhor dar mais valor a quem é de nossa terra. Muitos empresários daqui carecem de atenção, de projetos, de oportunidades.

SEGURANÇA
É um item essencial na agenda de qualquer prefeito. Converso com muitas pessoas, do medo que tem de sair à noite na rua, de serem abordados, sequestrados, ou quando estão em casa, do bandido entrar em casa. O que o poder público faz para melhorar a segurança da cidade? Nada. Não tem projeto, não tem pedido por policiais, não se vê projeto para monitoramento da cidade, é por isso que à luz do dia somos assaltados ou nos vemos diante dessas manchetes das páginas policiais.

DESENVOLVIMENTO
O cenário atual com a crise é desanimador. O emprego não é gerado pela indústria. Pelo contrário, só vemos postos de trabalho sendo fechados. O comércio também não emprega como antes. Mogi Mirim não vê um alento. Uma forma de aquecer a geração de emprego seria com a construção civil, mas o atual prefeito não autoriza a construção de loteamentos. Alguns sabemos que são problemáticos, mas outros poderiam ser liberados porque gerariam empregos e em renda para o município. O loteador ou o proprietário da terra passa a pagar imposto para a Prefeitura. É muito melhor do que usar área para plantar mandioca.


Ricardo Brandão: Com R$ 27 milhões não se faz um hospital. Vai construir uma porta para o doente entrar sem ser atendido

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