‘Garçom do asfalto’ quer empreender

Fernando Gasparini
Especial para A Comarca

Não é de hoje que o cruzamento das avenidas 22 de Outubro e Brasil se transformou no ponto preferencial de vendedores de trufas, balas, entregadores de folhetos e artistas de rua. De tempos em tempos, surge uma novidade neste cenário, que reúne motoristas maus e bem-humorados, fumaça e um calor infernal, como tem ocorrido nos últimos dias. É o caso do ambulante Willian Cassimiro, de 32 anos. Há cerca de 30 dias, ele tem marcado presença no cruzamento, vestido de garçom e vendendo água mineral.

Entre uma parada e outra do semáforo, Cassimiro conversou com A COMARCA e contou objetivos (Foto: Flávio Magalhães/A COMARCA)

Na última semana, entre uma parada do semáforo e outra, ele conversou com A COMARCA. Morador na vizinha Mogi Guaçu, Cassimiro disse que sua incursão no trânsito para ganhar a vida é coisa recente. “Comecei vendendo doces em Mogi Guaçu, há cerca de quatro meses. Depois, decidi tentar a sorte em Mogi Mirim, apostando na venda de água mineral”, afirmou.

Questionado a respeito dos motivos que o levaram a trocar uma cidade pela outra, contou que o sinal fica fechado no cruzamento escolhido por um tempo maior (70 segundos) do que no alto da Avenida Bandeirantes, no Guaçu. “Alguns poucos segundos podem fazer a diferença entre você fechar uma venda, ou não”, explicou. Ele chega por volta do meio-dia, depois de se abastecer de gelo e garrafas de água, aqui mesmo no comércio local. E só embora depois de vender todas; pelo menos 60 garrafas de 500 ml que coloca para gelar.                                           

A rotina de trabalho, segundo Casimiro, vai de segunda a sábado. Ao ser indagado sobre os ganhos, ele desconversa. “Dá para compensar o esforço”, comentou. Ele conta ainda que já desenvolveu uma estratégia própria de abordagem, que combina uma dose de simpatia ao visual de sobriedade, conferido pela roupa de garçom. “O segredo é você não forçar a barra. Agir naturalmente”, ensina.

Em sua avaliação, outros ambulantes, que com ele defendem o “ganha-pão” ali no local, costumam transgredir a linha tênue que separa a oferta de algum produto com o assédio. “É natural que muitos motoristas estejam com pressa ou fiquem estressados. Então, você tem que agir com cautela, senão pode ouvir algo que não gostaria”, alertou.

EMPREENDEDORISMO
O mais surpreendente na história contada pelo “garçom do asfalto” foi o motivo que o levou a enfrentar uma rotina espartana no cruzamento mais movimentado da cidade. Casimiro disse que deixou um emprego, com cargo de líder de prevenção e perdas em um supermercado, porque queria empreender.

“Pesquisei na Internet casos de pessoas que cresceram na vida empreendendo. Este esquema de garçom encontrei em São Paulo. Encaro esta minha atividade como um trampolim para outras experiências, que podem surgir a partir de uma inspiração de momento. Meu sonho é abrir um negócio na área do e-commerce (vendas pela internet)”, revelou.

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