Leonello tem esperanças de resgatar sanfona

Diego Ortiz

Desde a descoberta do furto de sua sanfona, a vida de Alcindo Leonello, o Leonello Sanfoneiro, de 73 anos, se acinzentou. O furto de sua companheira, da marca Scandalli, 120 baixos, de cor preta, foi percebido no último sábado, 31, no momento em que se preparava para tocar em uma festa, em uma chácara no bairro rural Sobradinho. Agora, os pensamentos de Leonello estão voltados para o resgate de seu instrumento. “Pra mim, é a minha vida”, resume, ao falar da dificuldade em seguir a rotina diária.

Sanfoneiro há cinco décadas, Leonello tinha a sanfona há 10 anos, quando decidiu abandonar seu antigo instrumento pelo novo, após ter se encantado com a relíquia. “Ela tem 60 anos de fabricação, veio da Itália. No Brasil, só tem quatro dessa. Comprei de um amigo meu, era de um senhor que faleceu e a mulher vendeu”, recorda, explicando a origem de sua companheira.

A possibilidade de ter o instrumento furtado parecia já estar sendo pressentida por Leonello, que reside no Bairro dos Borges, na zona rural de Mogi Mirim. Em função desse temor, após um roubo em sua residência, deixava a sanfona guardada dentro de um estojo no porta-malas de seu carro. Foi justamente ali que Leonello buscou o instrumento para tocar no sábado e o clima de festa se tornou fúnebre após a descoberta de que o estojo estava vazio.

Depois de décadas participando de bailões e diversos shows pelo Brasil em apresentações com duplas como Mogiano & Mogianinho, além de ter gravado um CD, Leonello havia se aposentado da atuação musical e, recentemente, tocava apenas eventualmente, como hobby, em festas. Assim, vinha usando pouco a estimada sanfona, que já havia utilizado em shows pelo país com a dupla Zilo e Zalo.

As esperanças de resgatá-la estão vivas e ganharam uma força especial depois de o furto ter sido divulgado em uma reportagem da Rede Record. Porém, Leonello não demonstra se animar ao ser questionado se gostaria de ganhar uma nova sanfona. O amor pela antiga é insubstituível: “Não sei... Eu gostaria dela. Tenho esperanças”.

Revelando estar nervoso, além de cauteloso para qualquer acusação, Leonello admite ter uma suspeita de quem pode ter levado a sanfona, pelo último dia em que a tocou, em sua casa. “Os caras vieram aqui, tocaram sanfona, tomaram cerveja e foram embora. Pensei que eram pessoas boas, tenho minha suspeita, mas não posso acusar ninguém”, reflete.

O que mais Leonello quer não é qualquer punição para o responsável por sua tristeza, mas sim a chance de tocar a companheira italiana novamente. E para isso, dá até a dica de onde podem deixar a sanfona. “Se eles forem devolver, tem três lugares: a Venda da Linguiça, Venda dos Amigos e Venda da Piteiras”, aponta. 


Leonello Sanfoneiro tocando a sua estimada sanfona italiana (Foto: Reprodução/Facebook)

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top