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Vereador exigia parte de salário, acusa ex-assessor

Flávio Magalhães

Um ex-assessor do vereador Samuel Cavalcante (PR) confirmou, em conversa com a reportagem de A COMARCA, que era coagido a entregar parte de seu salário a pedido do parlamentar. Essa prática é conhecida popularmente como “rachadinha” e há o entendimento de que possa configurar crime de peculato.

O ex-assessor, que pediu para não ser identificado, alegou que era pressionado por Samuel para repassar parte de seu salário para quitar dívidas pessoais do vereador. “Eu tinha que passar o dinheiro para quem ele [Samuel] devia”, afirmou. O ex-assessor estimou que entregou cerca de R$ 2 mil por mês. O salário de um assessor parlamentar da Câmara Municipal de Mogi Mirim é de aproximadamente R$ 4,5 mil.

Questionado por A COMARCA, o ex-assessor disse ainda que a “rachadinha” era tratada particularmente com o vereador e que a entrega de parte do salário era em "dinheiro vivo". Por isso, não há registro em texto ou áudio em aplicativos de mensagens que possa servir de prova material, tampouco depósitos ou extratos bancários que possam rastrear as movimentações financeiras.

Além do esquema de “rachadinha”, o ex-assessor relatou que Samuel utilizava o cargo comissionado de assessor parlamentar como uma espécie de moeda de troca para acertar dívidas pessoais. “Ele [vereador] não podia me mandar embora, porque trabalhei na campanha pra ele, era nosso acordo. Mas ele não respeitou isso, me mandou embora pra pagar dívida pessoal dele”, declarou o ex-assessor.

OUTRO LADO
Através de nota oficial, o vereador Samuel Cavalcante demonstrou “profunda indignação” com o que chamou de “acusações infundadas, sem identidade e qualquer meio de provas”. Também minimizou acusações que possam partir de seus ex-assessores, afirmando que são “parciais” e realizadas como forma de retaliação pelo fato de terem sido exonerados.

Sobre a primeira acusação de “rachadinha” que sofreu de um ex-assessor, há cerca de uma semana, publicada por um site chamado MM Notícias, o vereador classificou o fato como “notícia falsa” e afirmou que o referido portal possui “cunho político-partidário”, cujo único objetivo seria o de “manchar a sua honra”.

“O vereador continuará a sua missão de luta pela cidade de Mogi Mirim e, sob o princípio da ética e da moral, se porventura não achar viável a continuidade do trabalho de seus assessores, não temerá em exonerá-los, com receio de sofrer retaliações imorais como esta que se insurge, pois sempre estará em constante busca da excelência em servir à população mogimiriana”, conclui a nota oficial.

REPERCUSSÃO
Na noite de segunda-feira, 11, a acusação de “rachadinha” contra Samuel já era notória pelas redes sociais. Por isso, alguns vereadores utilizaram a tribuna da Câmara Municipal para abordar o assunto. A primeira foi Maria Helena Scudeler de Barros (PSB). “Eu não faço rachadinha! Os senhores fazem? Essa acusação coloca a todos no mesmo balaio”, lamentou.

Outros vereadores, como Tiago Costa (MDB), afirmaram que vão colocar seus sigilos bancário e fiscal à disposição do Ministério Público, para eventuais investigações. “Não quero estar no mesmo balaio de quem faz ‘rachadinha’”, declarou o emedebista. Uma carta assinada por uma munícipe e endereçada a Maria Helena, Tiago e Moacir Genuário (MDB) pede providências sobre o caso.

Presidente em exercício da Câmara Municipal naquela ocasião, Geraldo Bertanha, o Gebê (SD), se posicionou a respeito. “Essa Mesa Diretora não se baseia por redes sociais, se baseia por fatos. Vamos aguardar os fatos”, ponderou. Gebê explicou ainda que o presidente Manoel Palomino (CIDADANIA), em viagem pessoal, já estava ciente do fato e que uma reunião será realizada para discutir o assunto. “Ninguém aqui é conivente com nada”, garantiu.

Silêncio: Samuel não utilizou a tribuna da Câmara, mas se posicionou em nota oficial (Foto: Flávio Magalhães/A COMARCA)


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