Com preço em alta, consumo de carne nas ceias pede moderação e novos sabores

Ana Paula Meneghetti

O preço da carne já atingiu o maior nível dos últimos 30 anos. Especialistas de mercado acreditam que essa alta ainda deve permanecer em 2020. De acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em menos de três meses, o custo do contrafilé subiu 50% para os supermercados; o do coxão mole, 46%. Por isso, o aumento foi repassado aos consumidores. Entre outros fatores internos e externos, o principal motivo para essa elevação envolve a China. Em setembro do ano passado, a criação de porcos do país foi dizimada pelo vírus da peste suína africana.

A adição de vegetais garante equilíbrio às ceias de fim de ano
(Foto: Reprodução/Pinterest)
Os problemas acabaram demandando mais carne do Brasil, o que resultou no desabastecimento do mercado interno. A carne suína é a proteína mais consumida pelos chineses. Por outro lado, nenhum produtor mundial da proteína teria capacidade para alimentar mais de um bilhão de habitantes do país. A saída foi migrar as compras para carne de boi. Nesse ramo, os maiores produtores são Estados Unidos, Brasil e Austrália.

Em outubro, as vendas de carne bovina para os asiáticos subiram 62% sobre setembro, em um total de mais de 65 mil toneladas. Nesse embalo, o preço do boi gordo no Brasil bateu recordes em novembro, segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

Inevitavelmente, esse cenário acaba interferindo direto na mesa do brasileiro. Inclusive, o setor gastronômico já se prepara para novas opções de pratos a fim de evitar o repasse de alta aos consumidores. Com a proximidade das festividades de final de ano, a dica da nutricionista Mariana Almada é tentar se satisfazer com porções mais adequadas, já que, muitas vezes, observa-se excesso. “Talvez não seja necessário substituir as carnes. O consumo de carnes do brasileiro é elevado. Nas ceias de Natal e Ano Novo, podemos constatar isso; normalmente, uma variedade e quantidade grandes”, afirmou Mariana.

Para uma alimentação mais saudável, nessa época, a nutricionista ainda sugere a adição de vegetais, ou até frutas, à grelha, no caso dos churrascos, por exemplo. “Ficam deliciosos, como milho, batata-doce, banana, entre outros. Além da adequação do consumo de carnes, estaríamos equilibrando a refeição com novos nutrientes e experimentando novos sabores”, explicou a especialista.

Já para aqueles que optaram abrir mão das carnes, algumas opções de alimentos são as saladas de grãos, cuscuz marroquino de legumes, tabule de quinoa, risotos (palmito, Funghi Secchi, alho porró, etc.), purê de castanha portuguesa com nozes, crepe com purê de maçã. “Existem várias receitas. É só tentar inovar”, orientou Mariana.

Consumidor deve ter mais gastos com ceia de Natal

O consumidor terá mais gastos, neste ano, nos preparativos da ceia de Natal, de acordo com levantamento realizado pela Federação do Comércio do estado de São Paulo (FecomercioSP). A pesquisa foi feita com base nos dados de novembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), que apontou aumento estimado de 2,67% nos produtos natalinos no último ano. As informações foram divulgadas em reportagem da Agência Brasil, no último dia 6.

Levando em conta essa estimativa, na comparação com dezembro do ano passado, a batata-inglesa puxou a alta (31,7%), seguida por cebola (50,58%), carne de porco (13,18%), aves e ovos (9,8%). Por outro lado, a carne de cordeiro aumentou apenas 1,23% e o preço dos pescados caiu 0,7%.

As frutas também devem sair mais caras neste ano na comparação com o ano passado, como o abacaxi, que acumula alta de 13,95% nos últimos doze meses, a manga (alta de 9,88%), a uva (alta de 6,8%) e o morango (alta de 14,45%). A cerveja teve aumento de 3,26% em relação ao ano anterior. As outras bebidas alcoólicas tiveram alta de 0,97% no período.

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