Luiz Henrique de Oliveira diz que oposição roubou Santa Casa e tem ‘mensaleiros’

Diego Ortiz

O dirigente Luiz Oliveira disparou contra o grupo eleito para um mandato provisório em assembleia geral cuja ata foi registrada em cartório no dia 29 de novembro. Segundo Luiz, que ainda se considera presidente, o grupo reúne pessoas que roubaram a Santa Casa e mensaleiros e petroleiros, em alusão aos escândalos de corrupção do mensalão e petrolão do governo brasileiro durante a gestão petista.

“A informação que tenho é que desse grupo que pleiteia registrar essa ata tem todas as matizes de pessoas. Tem pessoas que acabaram com a Santa Casa, estão respondendo criminalmente. Um grupo que tá aqui querendo entrar no Mogi é o mesmo que está sendo processado por roubarem a Santa Casa. É público e notório, tem uma ação penal do Ministério Público que fala sobre isso. Eu recebi essa informação do nosso departamento jurídico, recebi a capivara”, disparou, antes de exaltar os membros de sua gestão.

“A minha capivara, do meu grupo que está aqui, quase 30 pessoas, ninguém deve nada à Justiça. Onde estamos? Na Coreia do Norte, né? Como querem afastar uma diretoria com quase 30 pessoas, todos ficha limpa? E outra coisa, agora eu sei da onde vem o dinheiro, da onde tá vindo o dinheiro pra financiar isso aqui desde 2015. Sabe da onde vem o dinheiro? Isso é bom colocar, vem do roubo da Santa Casa. Porque as pessoas que estão querendo entrar aqui roubaram a Santa Casa. E não sou eu que estou falando, isso é uma acusação do Ministério Público. Interessante, né? E ninguém fala nada”, acusou.

“No Mogi, não tem como fazer o que foi feito na Santa Casa, não tem como fazer mensalão, corrupção. O clube está acabado, aqui só tem que pôr dinheiro", disparou Luiz, em declarações contra o grupo de João Bernardi (Foto: Arquivo)

Questionado se a referência a 2015 está ligada à ala do ex-vice-presidente Victor Simões, que era seu aliado e se tornou opositor e chegou a assumir a presidência por três dias depois de Luiz ter sido afastado, respondeu se referir ao grupo da diretoria registrada em cartório no dia 29. “Falo agora, esse último que está tentando entrar no Mogi, tem lá petroleiro, mensaleiro. Ou não tem? Tem petista, mesmo, mensaleiro, petroleiro”, afirmou.

Luiz não citou nomes das pessoas que colocou terem roubado a Santa Casa, mas em relação à menção a mensaleiros e petroleiros, falou de Ernani Graganello, do PT de Mogi Mirim. “Esse Ernani é o petista, eu acho, né? Enfim, aqui no Mogi não tem como fazer mensalão, não tem nada aqui, nem petrolão, aqui está em sistema de insolvência, entendeu? No Mogi não tem como fazer o que foi feito na Santa Casa, não tem como fazer mensalão, corrupção. O clube está acabado, aqui só tem que pôr dinheiro”, atacou.

Procurados por A COMARCA para abordar as declarações de Luiz, integrantes do grupo da diretoria eleita preferiram não se pronunciar e aguardar a publicação da matéria para as medidas cabíveis. Ernani, citado por Luiz, respondeu que tem se pautado pela defesa do patrimônio do Mogi. “A minha vida tem lado e não tem relação com maus feitos. E muito menos tenho por hábito desqualificar adversários políticos com palavras de baixo calão. Sou um militante do bem estar social e da paz”, respondeu.

Ação da Santa Casa citada por Luiz Henrique foi impetrada em março 

A ação a que se refere o dirigente Luiz Oliveira foi impetrada pelo Ministério Público em março contra o prefeito Carlos Nelson Bueno e o provedor da Santa Casa, Milton Bonatti. Outros dois funcionários da Prefeitura e oito membros da Mesa Diretora do hospital foram incluídos no processo. Um dos membros da Mesa é Rogério Manera, integrante da chapa eleita registrada em cartório tendo João Bernardi como presidente do Mogi Mirim. 

O MP pediu a condenação dos 12 denunciados para arcarem com um prejuízo de R$ 543 mil, valor que a Santa Casa admitiu ter utilizado para fins não estabelecidos no contrato com a Prefeitura. Na visão do MP, houve improbidade dos dirigentes do hospital e omissão na fiscalização do Governo. Bonatti e membros da Mesa Diretoria autorizaram a movimentação de verbas públicas em contas de terceiros. As movimentações alcançaram R$ 13 milhões. O hospital havia justificado o uso de contas particulares para evitar a penhora das verbas. 

Como não foi citado por Luiz, Manera decidiu não se pronunciar ao ser procurado por A COMARCA, mas informou que a Santa Casa tomará as medidas judiciais cabíveis em relação às declarações de Oliveira. Em decisão publicada em novembro, a juíza Maria Raquel Neves considerou não haver provas claras de improbidade apesar da notória utilização de contas particulares para manejo de verbas públicas.

A juíza decidiu ser necessária a regular instrução processual para concluir se houve dano ou prejuízo a ser reparado e a delimitação do respectivo montante. Também a comprovação dos fatos e da existência de má-fé, dolo e culpa serão objeto de decisão de mérito após a regular instrução da ação em andamento.

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