Celso Semeghini é eleito presidente do Mogi Mirim, mas grupo sofre revés na Justiça

Diego Ortiz

O engenheiro Celso Semeghini, da chapa Amigos do Mogi – Reage Mogi, foi eleito presidente do Mogi Mirim para o biênio 2020/2021 em eleição realizada em frente aos portões do Estádio Vail Chaves, na noite de segunda-feira, 16. As eleições foram convocadas pela diretoria provisória registrada em cartório, que tem Semeghini como vice-presidente e como presidente João Bernardi, agora eleito vice.

No entanto, aproximadamente uma hora depois, foi publicada uma decisão monocrática do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, favorável a Luiz Oliveira, que determinou o bloqueio da averbação da ata de assembleia que destituiu o dirigente e, em consequência, elegeu a diretoria provisória. A ata havia sido registrada pelo cartório depois de uma determinação do juiz Emerson Gomes de Queiroz Coutinho, da 1ª Vara de Mogi Mirim, em sentença de 27 de novembro.

O bloqueio, válido até o julgamento do recurso de Luiz, pode obstruir o registro da ata da eleição de segunda-feira, pois a convocação da assembleia foi feita pela diretoria provisória, além de poder gerar até a reversão da determinação da desocupação do clube por Oliveira. A decisão publicada na noite de segunda-feira foi assinada pelo corregedor geral da Justiça e Relator, Geraldo Francisco Pinheiro Franco, que também foi eleito presidente do TJ para o biênio de 2020/2021.

Pinheiro Franco tomou a decisão em recurso da gestão de Luiz, representada pelo advogado André Santos, que entrou com um pedido de efeito suspensivo para anular liminarmente a decisão de trânsito em julgado expedida pelo juiz Emerson e a nulidade de todos os atos praticados pelo cartório após a sentença até o julgamento do mérito do recurso.

O corregedor geral julgou sem efeito o trânsito em julgado da decisão de Emerson por considerar não ter sido respeitado o direito de Luiz recorrer. O recurso de Luiz já foi impetrado na primeira instância, mas ainda não teve encaminhamento ao TJ. Por outro lado, Pinheiro Franco frisou que a decisão do TJ não implica no reconhecimento da ilegalidade da assembleia de destituição de Luiz. 

Integrantes da chapa eleita na noite de segunda-feira posam para foto com a bandeira do Mogi Mirim (Foto: Diego Ortiz/A COMARCA)

REELEIÇÃO
Com o bloqueio do registro da ata em cartório, volta à discussão a validade das eleições realizadas por Luiz em 30 de novembro, quando foi reeleito. As eleições haviam tido um aviso de cancelamento na imprensa por Bernardi considerando que, como a assembleia que destituiu Luiz ocorreu em setembro, com o registro da ata, a convocação do pleito em novembro perdeu validade, pois os atos do dirigente após sua destituição foram anulados.

Luiz não considerava o registro em cartório suficiente para entender ter sido destituído por ver aquela como uma medida administrativa e somente iria considerar Bernardi o novo presidente com outra medida judicial atestando a regularidade da diretoria eleita. Posteriormente, uma nova decisão judicial, também de Emerson Coutinho, determinou prazo de cinco dias a partir de sua intimação para saída voluntária de Luiz do Mogi, sob pena de a reintegração ocorrer de forma coercitiva, pois considerou que sua permanência mesmo com a averbação da ata da nova diretoria configurava esbulho.

DESOCUPAÇÃO
Com o bloqueio da averbação da ata, a determinação da desocupação de Luiz pode sofrer revés. Isso porque a averbação da ata, agora bloqueada, embasou o reconhecimento do esbulho pela Justiça. Na decisão, Emerson havia colocado que a averbação da ata da assembleia que destituiu Luiz tornou o ato válido até uma eventual decisão que casse seus efeitos.

Uma audiência de conciliação entre as partes na ação de reintegração de posse está designada por Emerson para 11 de março. Questionado por A COMARCA, o advogado André Santos disse estudar um recurso na ação de reintegração de posse, diante da nova decisão, embora entenda que Emerson já poderia reconsiderar o que havia decidido sem necessidade de ser acionado.

Na visão de André, o fato de recorrer não representa necessariamente que o dirigente seja considerado intimado para, assim, começar a contar o prazo de cinco dias para sua saída. Isso porque André alega que poderia entrar no processo não como defensor de Luiz, mas do Mogi ou do representante da diretoria à frente do clube, uma vez que o dirigente está em férias.

Procurado por A COMARCA, um dos advogados da diretoria provisória eleita, Ernani Gragnanello, disse que o grupo irá aguardar o desfecho sobre a decisão relacionada à assembleia de destituição de Luiz e eleição de Bernardi antes de registrar a ata do pleito que elegeu Semeghini. “Vamos continuar caminhando em direção aos procedimentos éticos”, frisou Ernani.


Eleições contaram com participação de 31 associados

Realizadas na noite de segunda-feira, em frente aos portões do Estádio Vail Chaves, as eleições para a presidência do Mogi Mirim para o biênio de 2020/2021 contaram com a participação de 31 associados e tiveram torcedores como espectadores. Duas mesas foram levadas pela diretoria provisória e colocadas em frente aos portões.

Eleita por aclamação, a chapa Amigos do Mogi – Reage Mogi, que apresenta Celso Semeghini como presidente e João Bernardi como vice-presidente, tem o Conselho Deliberativo formado por Ernani Gragnanello, Fábio Adorno, Geraldo Guarnieri Neto, Henrique Stort, Jair de Pieri, Luiz Guarnieri e Rogério Manera. O Conselho Fiscal tem como membros titulares Aloisio Bernardes Cortez, Nilson Albano Pulz e Pedro de Paulo Brandão e os suplentes Ivan Bonatti, Pauloroberto Silva e Tiago Durante.

A assembleia foi aberta às 19h19 por Semeghini, vice-presidente da diretoria provisória. Como não havia mais de 50% dos associados presentes, foi prorrogada até 19h30 para realização das eleições com qualquer número de sócios. Às 19h33, houve o reinício sob o comando de Bernardi, com a segunda chamada, e, em seguida, a eleição por aclamação.

Eleição por aclamação de Celso Semeghini em assembleia geral foi festejada com aplausos (Foto: Diego Ortiz/A COMARCA)
Eleito presidente, o engenheiro elétrico Celso Semeghini contou um pouco de sua história e da ligação de sua família com o clube. Lembrou que era mascote do time e é filho de Clayton Semeghini, secretário do Mogi Mirim na gestão de Nagib Chaib. Celso lembrou atuar e ser acionista da Marangoni, já tendo sido diretor geral das unidades de Mogi Mirim, Colômbia e Croácia.

No Sapo, foi diretor patrimonial na gestão Barros. “Tenho experiência de Mogi Mirim Esporte Clube, acompanhei a extensão do nosso estádio desde a fundação. A gente conhece profundamente isso aqui. Não sou um aventureiro que pegaram na esquina e colocaram na presidência”, salientou, contando a intenção de promover uma auditoria financeira, administrativa e física no clube. Outro projeto é recadastrar associados e cadastrar novos sócios, além de pedir ajudar de todos que possam colaborar.

Após as eleições, os participantes rezaram um pai-nosso em círculo e o advogado Benedito Antonio da Silveira Bueno, o Dito Aprígio, entoou parte de um antigo cântico do Sapo. “Vermelho e branco, sinal de guerra, Mogi Mirim estremece a terra”, cantou. “O Sapão voltou, o Sapão voltou”, cantaram, em seguida, torcedores. Para poder votar nas eleições de segunda-feira, foi levado em consideração quem são os associados com base em decisão da juíza Maria Raquel Neves, que definiu que quem foi sócio só deixaria de ser por motivo grave e decisão em assembleia.

Antes e depois das eleições, o filho de Luiz Oliveira, Diego Oliveira, conselheiro deliberativo da gestão do pai, que acompanhou o pleito do lado de dentro do portão e chegou a captar imagens com seu celular, discutiu com integrantes da diretoria e Conselho Deliberativo eleitos como Henrique Stort e Rogério Manera e com o ex-jogador do Mogi Mirim, Nino. A entrada do grupo de associados para realização das eleições na área interna do estádio não foi permitida.

Nenhum comentário:

Leave a Reply

Scroll to top