Saúde investiga morte por dengue em Mogi Mirim

Ana Paula Meneghetti

A Vigilância em Saúde (VS) investiga uma morte possivelmente causada por dengue, que vitimou um homem de 93 anos, morador do bairro Santa Luzia, na zona Norte. Amostras de sangue foram encaminhadas, na terça-feira, 28, para o Instituto Adolf Lutz, laboratório de referência no Estado de São Paulo, responsável por exames específicos para diagnóstico da doença. A informação foi divulgada pela Secretaria de Saúde, em coletiva de imprensa, na tarde de segunda-feira, 27.

O homem se encaixa no grupo de risco da dengue, formado por crianças com idade inferior a cinco anos ou pessoas acima de 60 anos. Segundo a VS, o idoso apresentou os sintomas da doença e chegou a passar por atendimento em um hospital particular e também na rede pública de saúde. O óbito investigado, registrado no último sábado, 25, vem justamente da zona Norte, região que concentra o maior número de casos positivos da doença neste início de 2020.

O balanço semanal, divulgado pela Vigilância nesta quinta-feira, 30, apontou um aumento da doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. De 108, no dia 23, e 117, na última segunda, 27, os casos positivos chegam agora a 185. As notificações também cresceram, chegando a 825. Já são 100 casos confirmados em mulheres e 85 em homens. Seguindo o registrado em janeiro, a zona Norte concentra o maior números de casos positivos, com 132. As zonas Leste e Oeste aparecem em segundo, com 18, seguidas pelo Centro, com dez, a zona rural, com quatro e a zona Sul com três confirmações.

A faixa etária de 16 a 59 anos lidera o grupo entre todos os 185 casos, com 130. Logo depois, surgem as pessoas acima de 60 anos (31), 6 a 15 anos (19) e 0 a 5 anos (5). O balanço mostra a evolução da dengue, semana a semana, ao longo de janeiro. Nos primeiros sete dias do mês, a cidade registrou nove casos, na segunda semana, 39, na terceira, 46, na quarta, 79, e nesta semana, que contabiliza casos até hoje (1º de fevereiro), 12.

Em nota, a Prefeitura explicou que tal evolução coloca o município ainda mais em estado de alerta para uma epidemia da dengue, realidade baseada a partir de um mapeamento feito em toda a região pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), Grupo de Vigilância em Saúde Regional e Vigilância em Saúde municipal.

Salas de hidratação
Diante do aumento de casos e dos estudos epidemiológicos, que evidenciam um cenário de epidemia em Mogi Mirim, a Secretaria de Saúde anunciou a criação de duas salas de hidratação, na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Paulista, na zona Norte, região que concentra o maior número de casos, e no Centro de Fisioterapia Doutor Florentino José Miranda, ao lado do Centro de Especialidades Médicas (CEM), na Avenida Adib Chaib.

O secretário de Saúde, Ederaldo Moreno, anunciou ações
(Foto: Flávio Magalhães/A COMARCA)
Os dois locais se somam a uma outra sala de hidratação, montada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na zona Leste, onde o atendimento teve início na última semana. As salas de hidratação servem para aplicação de soro endovenoso e observação constante dos pacientes pelas equipes da Secretaria de Saúde. A expectativa é de que as salas do Jardim Paulista e do Centro de Fisioterapia, em processo de estruturação, comecem a operar neste mês.

No caso de piora do quadro clínico, será solicitada a internação do paciente. Para isso, uma ambulância de simples remoção já está à disposição das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para o transporte de pessoas com suspeita da doença até a UPA. “Estamos nos preparando para atender essa evidência de dengue. Não podemos tratar com desleixo”, declarou o secretário de Saúde, Ederaldo Moreno.

A doença
A última epidemia vista na cidade aconteceu em 2015, quando foram registrados mais de 11 mil casos. A dengue é uma doença febril grave causada por um arbovírus. Arbovírus são vírus transmitidos por picadas de insetos, especialmente os mosquitos. Existem quatro tipos de vírus de dengue (sorotipos 1, 2, 3 e 4). Cada pessoa pode ter os quatro sorotipos da doença, mas a infecção por um sorotipo gera imunidade permanente para ela.

O transmissor (vetor) da dengue é o mosquito Aedes aegypti, que precisa de água parada para se proliferar. O período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos de cada região, mas é importante manter a higiene e evitar água parada todos os dias, porque os ovos do mosquito podem sobreviver por um ano até encontrar as melhores condições para se desenvolver.

Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis, porém as pessoas mais velhas têm maior risco de desenvolver dengue grave e outras complicações que podem levar à morte. O risco de gravidade e morte aumenta quando a pessoa tem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão, mesmo tratada.

Em 2015, segundo a coordenadora da VS, Joalice Penna Rocha Franco, o vírus em circulação no município era o Den-3. Neste ano, por meio de estudos e análises, sabe-se que a população está suscetível ao tipo 2. Além dos mutirões e do trabalho de orientação realizado pelo Poder Público, Joalice voltou a pedir a colaboração da população na eliminação dos criadouros.

“Estamos fazendo todos os esforços possíveis para que essa epidemia não aconteça, mas vivenciamos um momento muito delicado. A população precisa entender a necessidade de controlar os vetores da doença, eliminar criadouros e colaborar com nosso trabalho. Esse cenário já era esperado”, alertou.


Transmissor da dengue é o mosquito Aedes aegypti, que se prolifera em água parada (Foto: Divulgação)

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