Em 1918, gripe espanhola atingiu a cidade

Flávio Magalhães

Há pouco mais de 100 anos, uma epidemia de gripe espanhola (H1N1) atingiu o Brasil. Em Mogi Mirim, a chegada da doença mobilizou esforços das autoridades da época, conforme apontam os registros feitos pelo jornal A COMARCA no segundo semestre de 1918.

As primeiras referências sobre a Influenza apareceram no final de setembro. Na ocasião, A COMARCA publicou notícia de que membros de uma esquadra brasileira foram contaminados pela doença no norte da África, onde foram enviados para prestar auxílio médico. Eram os últimos meses da Primeira Guerra Mundial.

Em poucos dias, a doença se espalhou por Santos e São Paulo. Em 24 de outubro de 1918, A COMARCA noticiava que todas as escolas do estado foram fechadas. Em Mogi Mirim, clubes de futebol e o Tiro de Guerra tiveram que encerrar suas atividades. Até a venda de sorvetes e bebidas geladas foi proibida pelo prefeito Francisco Ferreira Alves.

O primeiro caso foi confirmado em um jovem chamado Ernani Bueno, vindo da capital, e morando na Rua José Bonifácio. Na mesma rua, outros dois casos foram confirmados. De início, se prontificaram a atender a população os médicos Atílio de Almeida, Ederaldo Queiros Telles e Durval Matta. No início de novembro, se juntou a eles o médico Arthur Cândido de Almeida.

Os médicos se revezavam no atendimento à população, uma vez que, cedo ou tarde, acabavam também infectados pela gripe espanhola. Na cadeia pública, todos os presos, carcereiros e policiais também foram atingidos pela Influenza. Tanto que o Tiro de Guerra precisou fazer o policiamento da cidade, temporariamente.

No dia 27 de novembro, A COMARCA informou que o presidente eleito da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves, havia contraído a doença. Esse fato impediu a posse, em 15 de novembro. Na ocasião, assumiu o vice, Delfim Moreira. Uma consequência local da gripe espanhola foi o atraso na implantação do Segundo Grupo Escolar de Mogi Mirim, a atual escola estadual Dr. Oscar Rodrigues Alves, adiada para 1919.

Em 16 de novembro, A COMARCA noticia os primeiros casos fatais da doença: seis mortes, incluindo de uma criança de dois meses. Foi quando vieram de Campinas, a pedido do prefeito mogimiriano, o médico Amphilophio de Mello, acompanhado do estudante de Medicina Antonio Ferreira de Almeira Júnior. No entanto, eles ficaram poucos dias em Mogi Mirim, uma vez que o pico de infecções da doença já havia passado e os novos casos diminuíram consideravelmente.

Em 3 de dezembro de 1918, A COMARCA publicou que a epidemia de gripe espanhola já era considerada extinta em Mogi Mirim, pois não havia novas infecções. Foram, ao todo, 780 casos registrados, com sete mortes decorrentes da doença. Sem considerar os casos dos distritos mogimirianos, como Posse, Conchal, Jaguary e Arthur Nogueira. Uma taxa de mortalidade inferior a 1%, o que demonstra que a epidemia em Mogi Mirim não foi tão grave como em outras partes do Brasil e do mundo.

No entanto, a doença é considerada como a mais letal da história, uma vez que matou de 50 a 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Teve três ondas de infecção ao redor do planeta, entre 1918 e 1920. Foi ainda a causa da morte do presidente eleito do Brasil, Rodrigues Alves, em 16 de janeiro de 1919.

Reprodução do jornal A COMARCA de 20 de outubro de 1918

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