Mogimiriana é campeã de conferência nos EUA

Diego Ortiz

Há aproximadamente dois anos e meio nos Estados Unidos, a ponta-direita mogimiriana Joana Carla Villanova, de 23 anos, sagrou-se campeã invicta da Heart of America Athletic Conference de 2019, uma conferência regional universitária do futebol norte-americano, defendendo a Central Methodist University (CMU). Foram 22 vitórias em 22 jogos. Em maio, Joana irá defender o Red River, do Texas, na Liga de Verão. 

“Desde que cheguei, meus times estão sendo campeões. Ser campeã aqui é uma sensação incrível. O futebol feminino aqui é mais respeitado do que no nosso país, a sensação é única”, ressaltou Joana, em entrevista à reportagem de A COMARCA.

Na decisão do ano passado, a CMU derrotou a Benedictine, seu maior rival no certame, por 2 a 1, de virada, com um gol nos momentos finais da prorrogação. “Todos diziam que iríamos perder, que o outro time era mais preparado que o nosso”, recorda.

Na campanha, Joana se lembra com carinho de um jogo em especial. “Estávamos sofrendo e entrei. Fiz o gol. Precisávamos ganhar para continuar em primeiro na tabela”, salienta a mogimiriana, que já chegou a ser punida por seu talento. “Fui expulsa por driblar”.

A conquista do título garantiu a classificação da CMU para um torneio valendo vaga para uma competição nacional com vencedores de conferências regionais. A equipe de Joana venceu o torneio e disputou o certame nacional em Alabama, em dezembro, quando foi eliminado nos pênaltis.

Nos dois anos anteriores, em 2017 e 2018, Joana já havia sido campeã de conferências universitárias, pela Cloud County Community College, de Kansas. Em 2018, também teve uma passagem pelo Fusion FC na Women's Premier Soccer League (WPSL), uma liga nacional feminina.

Joana, de 23 anos, está desde 2017 nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)


Em família, Joana cresceu vendo jogos da Aparecidinha


Os primeiros chutes na bola de Joana foram dados em família, aos 10 anos, no bairro rural da Aparecidinha. Joana é filha do dirigente do tradicional clube do Campeonato Rural, João Carlos Villanova, e irmã de João Piqué, atleta e líder da equipe. Desde criança, ia aos jogos da Aparecidinha e, até hoje, assiste quando está no Brasil. Vendo que a garota tinha talento, a família levou Joana para treinar, aos 12 anos, na escolinha do São Paulo em Mogi Mirim. “Sempre jogava com meu irmão e minha família em casa e meus pais acabaram me levando pra lá pra jogar com outras meninas”, recorda.

Pouco a pouco, foi crescendo na carreira. No Brasil, jogou futsal pela Faculdade de Jaguariúna (FAJ) e disputou o Campeonato Paulista pelo Independente, de Limeira. A oportunidade nos Estados Unidos surgiu em 2017, após ver um anúncio no Facebook sobre uma agência de intercâmbio esportivo e de estudos, de Campinas, que estava enviando atletas ao futebol norte-americano. Joana jogou para ser gravado um vídeo e acabou selecionada por um treinador.

Depois de um período nos Estados Unidos, conheceu a treinadora guaçuana Mary Person, que já trabalhava no país. “Um dos fatores pra eu ter vindo pra esse time (CMU) foi por causa dela. Ela foi alguém que me ajudou muito aqui e me ajuda sempre”, salientou.

Joana se adaptou à rotina norte-americana, mas teve dificuldades com a língua. “Eu me acostumei rápido com a maneira deles. Não sabia falar nada quando vim pra cá, não sei como consegui chegar até a minha cidade sem falar nada em Inglês”, observou.

Fã de Formiga e Cristiane, a mogimiriana admite sentir uma cobrança diferente por ser brasileira: “Somos vistas como 'se você é do Brasil, é obrigada a saber jogar futebol'. A cobrança é sempre maior em cima de nós pelo fato que temos referências de brasileiras”.

O principal objetivo de Joana no exterior é se graduar, mas não descarta a carreira esportiva. Ela cursa Bussiness Administration. “Basicamente, Negócios. Meu sonho está sendo se graduar aqui, mas futebol sempre será paixão e, se surgir uma oportunidade, por que não”, questiona a garota, que pretende fazer mestrado em Negócios Internacionais.

Técnica de Joana, do Guaçu, coleciona conquistas


A técnica de Joana Villanova na conquista da Heart of America Athletic Conference pela Central Methodist University (CMU) é, por coincidência, de Mogi Guaçu e carrega uma experiência de 10 anos no exterior e uma coleção de conquistas como jogadora e técnica. Trata-se de Mariana Neves, a Mary Person, de 35 anos. Além de ter sido campeã, Mary viu a comissão técnica que lidera ser premiada como a melhor da região central dos Estados Unidos.

Como a maioria das jogadoras, começou atuando com meninos  na rua. Aos 11 anos, a mãe a colocou em uma escolinha do Guaçuano. Era a única menina entre os garotos. Depois, foi para um time de futsal feminino de Mogi Guaçu, adulto. 

Jogando futsal, defendeu o Grêmio Recreativo Ipiranga, de Americana, o Biofarma/Pinhal, de Espírito Santo do Pinhal, o Laranjeiras do Sul, do Paraná, e Equipe Sealp e Estrelinha, ambos do Mato Grosso do Sul. Foi fazendo seu nome até que, em 2009, um treinador norte-americano viu um vídeo da atleta e fez o convite para jogar em uma liga universitária e estudar com uma bolsa. Depois, jogou no time profissional do Califórnia Storms, ao lado de Sissi, ex-seleção brasileira. Na França, defendeu o Mulhouse e jogou o Campeonato Francês e a Copa da França.

Centroavante e meio-campista, sempre teve interesse em ser treinadora. Enquanto jogadora do Indiana, era técnica das categorias de base do time. Na França, treinou os times sub-13 e sub-15 do Mulhouse. No mesmo país,  foi assistente-técnica de um time sub-19 masculino.

Um ponto especial foi no comando de seleções de base do Haiti, com o título da Copa Caribenha sub-20 e o vice-campeonato no sub-17. “Depois, conseguimos classificar a seleção do Haiti para Copa do Mundo Sub-20, a primeira vez na história que uma seleção das Ilhas Caribenhas foi para uma Copa no futebol feminino”, ressaltou.

Formada em Educação Física e Gerenciamento Esportivo nos Estados Unidos, Mary conta hoje com a própria agência de intercâmbio, recrutando atletas para jogar e estudar nos Estados Unidos e Canadá, ajudando as garotas a trilhar o caminho que tão bem conhece.

Com experiência como jogadora profissional, Mary Person coleciona conquistas como treinadora

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