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Sem bola, finalistas da Copa Rural vivem dias angustiantes

Diego Ortiz

Preservar a própria vida e a dos familiares se tornou o foco da vida de milhares de seres humanos no mundo, com um pensamento quase o dia todo direcionado aos cuidados e temor relativos aos riscos de contaminação pelo novo coronavírus. Essa realidade inesperada é vivenciada de forma angustiante por personagens de Aparecidinha e Piteiras, finalistas da categoria principal da Copa Rural Manoel Francisco da Silva “Manezinho”, que encaram a guerra contra o Covid-19 sem poder ao menos se distrair com o futebol seja em campo ou assistindo às partidas pela televisão, com a suspensão do esporte em todo o mundo. Uma realidade melancólica para quem respira o futebol no dia a dia. “Ficar parado dentro de casa e ainda no final de semana, não poder jogar bola ou ir atrás de futebol é ruim pra caramba. Você fica praticamente uma pessoa inativa, esperando uma coisa que é incerta. O pior de tudo é a incerteza”, lamenta o técnico da Aparecidinha, Arlei Diogo, que trabalha a esperança. “Estou em casa angustiado, tem que ter força para continuar acreditando que tudo vai passar logo. Mas a gente sabe que é complicado e tem uma sequela muito grande. É torcer que não venha a acontecer nada pra gente, amigos e pessoas ligadas à gente”, torce.

Avesso ao WhatsApp, o técnico da Piteiras, Sérgio Persego, tem as conversas limitadas com o time. No sábado, recebeu alguns dirigentes para conversar. “A preocupação é grande, não tem nem jeito de conversar muita gente junto porque tão pedindo pra evitar. Contato com jogadores, amigos, não tem, tá tudo parado”, observa.

Para amenizar a tensão, Persego trabalha na produção de legumes. “Continuo trabalhando no sítio. Melhor coisa é trabalhar, você liga a televisão não tem esporte, nunca vi uma situação dessa, estranha, péssima, tá louco, a gente que vive no futebol, fica difícil. Não tem nada, só notícia de coronavírus, pelo amor de Deus”, lamenta.

Notícias em demasia perturbam Diogo. “Eu tô fugindo de jornais, informações muito diretas, porque se ficar na televisão ouvindo todo minuto, a gente acaba passando mal. Tenho assistido bastante filme”, conta.

Capitão da Aparecidinha, Diguinho, demonstra serenidade. “Primeira vez que ficamos sem contato com o futebol tanto dentro como fora de campo. É uma sensação diferente, mas nada que não podemos suportar. O objetivo maior nesse momento é nossa saúde! O que vale é essa doença não afetar muitas pessoas, que todos se cuidem e cuidem dos seus familiares e que Deus cuide de todos nós”, refletiu.

O meia Iago mescla saudades e consciência. “Estou com bastante saudade e de assistir também. Nunca passei por um momento igual a esse. Estamos nos precavendo para não afetar a nós mesmo e nossos familiares”, colocou.

VALORIZAÇÃO
No entendimento de Arlei, Persego, Iago e Diguinho, a saudade do Rural, depois do tempo paralisado, deve fazer jogadores, dirigentes e torcedores, darem mais valor ao espírito esportivo e às amizades, servindo para a redução de brigas. “Acho que as pessoas vão valorizar muito mais, principalmente a amizade. Porque todo mundo vai passar por uma fase difícil. E o tempo vai mostrar que o melhor caminho é sempre estar de bem com as pessoas. O esporte é saudável, onde as pessoas têm que ir não pra fazer guerra. A gente tem que mostrar que é lazer”, reflete Arlei.

Diguinho também vê esse fator como um possível aspecto favorável. “Temos que acreditar nesses saldos positivos. Que a compreensão e o esporte limpo prevaleçam quando voltar. Todos precisam entender que depois que acaba um jogo, todos somos iguais e não leva a nada a violência. Um precisa do outro indiretamente”, analisa.

Iago segue a mesma linha. “Essa situação veio pra termos mais harmonia e demonstrar que devemos respeitar o próximo independente de camisa ou de cor ou raça, pois somos um só perante a Deus”, ressalta.

Times se preocupam com atletas voltarem em forma


Paralelo aos cuidados de prevenção contra o coronavírus, os times admitem a preocupação com os jogadores se manterem em forma diante dos riscos de ganharem peso pela falta de atividade esportiva e com a possibilidade de a ansiedade gerar um consumo excessivo de alimentos.

“Tem jogadores que a gente sabe que se não manter o peso, engorda rápido. E nessa época, vai ser pior ainda. Nessa paralisação, o cara tá na ansiedade, se for uma pessoa ansiosa, vai relaxar mais ainda se não tiver cuidado, vai acabar comendo mais, vai ficar mais estressado”, observa o técnico da Aparecidinha, Arlei Diogo, que admite sempre cobrar seus jogadores para que mantenham a forma física e evitem se machucar. Desta vez, a dica é ligada também ao aspecto psicológico. “Falo pra eles manter a calma, esperar que tudo passe e se distrair com outros assuntos, com outras coisas e que não fiquem só pensando no futebol. Vamos pensar primeiramente na melhoria de todo mundo para que todo mundo esteja bem, a prioridade nesse momento é o bem-estar de cada um”.

O técnico da Piteiras, Sérgio Persego, também se preocupa com a questão física. “A gente conversa porque tem uma final pra jogar, não tá fazendo amistoso, nada, pelo menos um pouco tem que se cuidar. A gente liga, com bastante jogador a gente fala. Não vou falar 100%, mas muitos estão fazendo exercícios, correndo, dentro de casa mesmo, o cara faz exercício para manter um pouco”, explicou.

O meio-campista Diguinho, que também é preparador físico, disse não conversar com os atletas sobre o tema, pois o Rural não se trata de uma atividade profissional. “A crítica de se cuidar deve sair de dentro de cada um e não uma cobrança externa até porque ficaria invasivo da minha parte. Mas todos têm conhecimento que, se não se cuidar, chegará abaixo para jogar a final”, refletiu.

Uma das principais armas da Piteiras, Iago admite a necessidade de não deixar a ansiedade prevalecer. “Temos que prezar pelo nosso preparo físico, pois dependemos dele para jogar. Independente de qualquer ansiedade, ter consciência que quando voltar os campeonatos, temos que estar preparados, mas pensar sempre em se alimentar com cuidado para a saúde sempre estar em primeiro lugar”, recomenda.

“Estou em casa angustiado. Eu tô fugindo de jornais, se ficar na televisão ouvindo todo minuto, a gente acaba passando mal. Tenho assistido bastante filme”, conta Arlei Diogo, da Aparecidinha (Foto: Arquivo/A COMARCA)

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