Mogi Mirim Esporte Clube: o que ficou para trás será para sempre!



Recordar é viver! Assim diz a música que há tempos alegra nossos Carnavais. Lembranças nos ajudam a retomar nossas raízes, encontrar os sentidos perenes da vida, reconstruir nossa história e a história do nosso povo. O passado é essencial para compreender melhor o presente e lançar luzes e alimentar os sonhos para o futuro.

Com apreço incontestável, mergulho um pouco agora em aspectos do sistema tático do futebol num passado recente e nas raízes do Mogi Mirim Esporte Clube.

Aos 16 anos, eu jogava no time de base da Ponte Preta. Era lateral-esquerdo. O técnico Cilinho me escalava nos treinos da equipe profissional. Era o tempo de pontas abertos, rápidos e habilidosos, que muito trabalho davam para o sistema defensivo. Lá, marcando o veloz ponta Alan, tive um dos meus aprendizados como lateral. Este sistema tático era bonito, emocionante, possibilitando dribles, gols e jogadas de tirar o fôlego!

Depois de jogar pela Ponte Preta, vim para o nosso Mogi Mirim Esporte Clube, tendo a felicidade e a honra de ter meu irmão Hugo do outro lado da defesa e grandes nomes mogimirianos a compor o nosso time. A realidade dos pontas abertos era presente e pudemos viver esta glória de emoções em nossa própria pele!

Os pontas abertos se reduziram, as jogadas magistrais e os dribles diminuíram, e muito do brilho e da beleza do esporte foram se perdendo. Estes atletas foram sendo substituídos pelos alas ou atacantes que recuam para os lados a fim de marcar os oponentes. Muitos que viveram outra época lamentam a falta de pontas no futebol moderno.

Pude experimentar dentro e fora do campo a realidade dos jogadores habilidosos e as mudanças táticas que ocorreram. Como sempre dependemos também das condições externas para desenvolver nossas habilidades e nosso ser, pude igualmente acompanhar a coragem, o comprometimento e a lisura dos presidentes do Mogi Mirim Esporte Clube. Seu amor ao esporte, ao clube e à cidade sempre vinha em primeiro lugar, o que os levou à construção de grandes profissionais e às conquista e engrandecimento do patrimônio e da agremiação. Compromissos eram firmados e cumpridos à risca e sempre com dignidade. Diretorias eram transferidas a outras com espírito democrático, apoio e abraços. Os presidentes do passado sempre tinham uma farmácia ética e moral onde encontravam remédios para todos os problemas! Os diretores eram da cidade. Eram a cidade! Estas, nossas raízes!
Tenho enorme orgulho e gratidão por ter vivido tudo isso e estar hoje com outros mogimirianos na Diretoria eleita pelos antigos sócios. Meu tio, João Batista Perez Marques, o Nico Perez, foi um dos primeiros presidentes da agremiação.  João Bernardi, atualmente vice, já foi presidente. Celso Semeghini, o presidente atual, também representa a tradição do clube: seu pai, Claiton Semeghini, fazia parte da diretoria comandada pelo Dr. José de Abreu Prado na época da inauguração do estádio Vail Chaves.

Hoje, as imagens do estádio mostradas por João Gasparini através de vídeo publicado na Internet falam mais do que qualquer palavra o que é o contrário de tudo aquilo que aqui colocamos. Mas aí vêem as palavras do poeta: “Se cortarem suas folhas, brote de novo – você ainda tem raízes!”
A foto do elenco do Mogi Mirim Esporte Clube com a maioria dos jogadores mogimirianos em 1969, junto às debutantes daquele ano, ilustra bem o que são raízes:



As coisas que amamos continuam presentes mesmo que possam estar escondidas no fundo de nossa alma.

“Por muito tempo achei que ausência é falta./E lastimava, ignorante, a falta./Hoje não a lastimo./Não há falta na ausência./A ausência é um estar em mim./E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,/que rio e danço e invento exclamações alegres,/porque a ausência, essa ausência assimilada,/ninguém a rouba mais de mim.”
(Carlos Drummond de Andrade)

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