‘O comércio foi a parte sacrificada’, diz novo presidente da Acimm

Flávio Magalhães

Em meio à pandemia do novo coronavírus e à quarentena imposta também às empresas, a Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim (Acimm) tem um novo presidente. José Luiz Ferreira, o Zé da Pentagon, eleito vice em 2018, ascendeu ao cargo após a renúncia do agora ex-presidente Luiz Antônio Guarnieri, que recentemente anunciou sua pré-candidatura a prefeito da cidade.

“O comércio é a parte que está sendo sacrificada, em nome de um bem maior”, avaliou Ferreira, em conversa com jornalistas na última terça-feira, dia 7. “Não fomos consultados sobre como colaborar de uma maneira mais saudável. Não teve diálogo, foi algo impositivo”, pontuou, sobre a quarentena imposta há cerca de 20 dias em Mogi Mirim e em todo o estado. “Mas temos obedecido essa decisão”, salientou.

Diante desse cenário, o presidente da Acimm traçou um panorama pós-quarentena. “Cerca de 30% do comércio não vai reabrir. E dos que reabrirem, mais 10% podem não aguentar os primeiros meses”, estimou. Em números, isso significa que das quase 2,2 mil empresas de Mogi Mirim, mais de 600 vão fechar as portas de vez durante a crise da Covid-19. Lembrando que o setor é responsável por cerca de seis mil empregos.

Para Ferreira, os segmentos de vestuário e restaurantes tendem a ser os mais afetados. “Será um vácuo de quatro meses, esse dinheiro é perdido”, explicou. “Passei por vários planos econômicos nos últimos 30 anos, mas nunca passei por isso”, avaliou. “É um cenário que a gente não sabe como vai ser”, completou. “Quem terminar 2020 com as contas em dia é um vitorioso”.

Para “salvar” o ano, o presidente da Acimm revelou que vai apostar todas as suas fichas no Natal. “Teremos uma decoração melhor que a do ano passado, para ficar na história, e sorteio de carro e motos”, adiantou. Antes disso, os empresários associados terão à disposição ferramentas de treinamento para vendas via internet. “A reação do comércio será gradativa”, estimou.

Ferreira acredita que esse é o momento de cada empresário reavaliar suas operações, cortar custos e encontrar novas formas de fazer o produto chegar ao consumidor. Destacou também que, desde o início da pandemia, a união entre os lojistas tem sido cada vez maior, assim como os sentimentos de superação e perseverança. “Tem que ser assim, a união tem que ser maior”, incentivou.

A Acimm também pretende fazer a sua parte para minimizar os efeitos da pandemia. Além do já anunciado aluguel de três respiradores ao município, Ferreira adiantou que fará doação de cestas básicas a prestadores de serviços, mediante critérios que estão sendo analisados. São mais de 3 mil trabalhadores desse tipo em Mogi Mirim, sendo grande parte deles os principais afetados pela crise.

“A solução virá”, afirmou. “Tenho 30 anos de comércio, me sinto preparado por ser comerciante nato, por sentir na pele. Não faço suposições”, disse ainda. Perguntado sobre o fato de ter se tornado presidente da Acimm justamente em um momento de crise no setor, respondeu que “Deus dá a cada um o fardo que pode carregar”. “Sei que a gente vai vencer”, garantiu.

José Luiz Ferreira, novo presidente da Acimm: "sei que a gente vai vencer" (Foto: Nelson Victal do Prado Júnior)


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