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Morre Vadão, o pai do Carrossel Caipira

Diego Ortiz

Criador do Carrossel Caipira, o técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, de 63 anos, morreu nesta segunda-feira, vítima de complicações de um câncer. O treinador estava internado, em estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A assessoria de imprensa do hospital confirmou o falecimento à reportagem de A COMARCA.

Desde o início de 2020, Vadão tratava da doença, passou por sessões de quimioterapia e teve evoluções no quadro de saúde, mas, recentemente, o quadro se agravou. O tratamento era realizado em Campinas, mas o técnico veio para São Paulo depois de sofrer complicações.

Vadão estava sem emprego desde julho de 2019, quando foi demitido da seleção brasileira feminina, após a Copa do Mundo, em que o Brasil foi eliminado pela França nas oitavas de final.

A carreira de treinador foi iniciada no Mogi Mirim, depois de ter sido preparador físico. A primeira oportunidade como técnico veio em 1991, quando assumiu como interino depois da demissão de Pedro Rocha. Em seguida, Geraldo Duarte chegou para ser o novo treinador, mas a passagem durou pouco e Vadão reassumiu o time até o final do Campeonato Paulista. O ano de 1992 foi o primeiro como treinador efetivado desde o início da temporada e marcou a criação do Carrossel Caipira, com um time responsável por chamar a atenção do país com um sistema tático ousado, com trocas de posições frequente entre os jogadores no esquema 3-5-2, além da revelação de diversos talentos como Válber, Rivaldo, Leto e Capone. Com este time, o Sapo foi campeão do Grupo A-2 da Primeira Divisão do Campeonato Paulista. No mesmo ano, venceu a Copa 90 Anos da Federação Paulista de Futebol. Em 1993, conquistou o Torneio Ricardo Teixeira e foi vice-campeão do Torneio João Havelange.

O treinador permaneceu no Mogi até dezembro de 1994. Em janeiro de 1995, Vadão assumiu o Guarani. A segunda passagem pelo Mogi foi entre maio de 1996 e setembro de 1997. Como preparador físico do Sapo, função em que começou a desempenhar na Portuguesa, em 1983, Vadão teve três passagens. A primeira foi entre 1985 a 1987, época em que o Mogi conquistou o acesso à Primeira Divisão, disputada pela primeira vez pelo clube em 1986. A segunda passagem foi em 1988 e a terceira, de 1989 a 1992. No intervalo destes trabalhos, passou pelo Bragantino, Sporting Barranquila, da Colômbia, e América-SP.

CONQUISTAS
Vadão coleciona conquistas como treinador. Pelo XV de Piracicaba, foi campeão brasileiro da Série C em 1995. Em 2000, foi campeão do Torneio Seletivo para a Libertadores com o Atlético-PR. Em 2001, pelo São Paulo, lançou Kaká para o futebol profissional e conquistou o Rio São Paulo. Em 2007, com o Vitória-BA, garantiu o acesso à Primeira Divisão do Brasileiro. Em 2009, garantiu outro acesso, com o vice da Série B do Brasileiro com o Guarani. Ainda pelo Bugre, foi vice-campeão do Campeonato Paulista em 2012, quando foi eleito o melhor treinador da competição. Uma marca importante é nunca ter sido derrotado em um derby campineiro em nove jogos disputados, cinco pelo Guarani e quatro pela Macaca.  Em 2013, foi campeão catarinense pelo Criciúma.

Em sua primeira passagem pela seleção brasileira feminina, conquistou diversos títulos. Em 2014, faturou a Copa América. Em 2015, foi ouro no Pan-Americano. Conquistou o Torneio Internacional em 2014 e 2015. Em 2016, ano em que a seleção ficou na quarta colocação das Olimpíadas do Rio de Janeiro, ficou no Top 10 da Fifa dos melhores treinadores de Futebol Feminino do Mundo, na sexta colocação. Voltou à seleção em setembro de 2017 e foi demitido após a Copa do Mundo do ano passado. Em 2018, faturou a Copa América e ficou em sétimo no Top 10 da Fifa.

Pela seleção brasileira feminina, conquistou diversos títulos (Foto: Divulgação/CBF)

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